El Gran Portero

Este corpulento goleiro charrúa de 1,84 de altura e 94 quilos foi um dos símbolos da ‘mítica’ conquista da seleção do Uruguai na Copa de 1950, derrubando o favoritismo do Brasil na final diante de estupefatos 200 mil torcedores no Maracanã.

Roque Gastón Máspoli foi dono de uma inigualável longevidade de 64 anos dedicados ao futebol. No próximo dia 12, ele completaria 90 anos de idade.

Dos primeiros pulos – com tenros 16 anos – no lendário estádio Centenário nos anos 30, com a camisa do Nacional, até a última partida da seleção uruguaia nas Eliminatórias para Copa de 1998, onde aos 80 anos dirigiu a equipe celeste contra a Argentina, em Buenos Aires.

Duas realidades diretamente opostas e dramaticamente distantes que poucos vivenciaram com tanta intensidade…

“El portero del Maracanazo” ficou no clube de Montevidéu até os 22 anos, quando se mudou para o Liverpool, ficando um ano nos ‘negriazules’.

Seria na seqüência, quando se transferiu para o Peñarol, que sua carreira decolaria. Na equipe aurinegra ganhou seis títulos uruguaios ao lado de figuras sagradas do futebol charrúa como Obdulio Varela, Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia. Principalmente no time de 1949, chamado de ‘La Maquina’.

Pendurou as luvas com 38 anos, um ano depois de conduzir a ‘Celeste Olimpica’ ao 4º lugar na Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Depois construiu uma sólida carreira de treinador se destacando especialmente no seu amado Peñarol.

Lembranças do Maracanazo: “Uruguai não era pior!”

Uma das últimas aparições públicas de Máspoli foi na final da Copa América de 1999, no Paraguai, quando foi entrevistado pelo jornalista uruguaio Jorge Barraza. ‘El gran Portero’ relatou que o Brasil não era tão superior naquela fatídica tarde de 16 de julho.
“Quase não havíamos nos preparado. Um mês antes, jogamos três partidas contra o Brasil. Primeiro ganhamos por 4 a 3. Eles marcaram um gol impedido e outro meio estranho. No segundo eles venceram por 2 a 1 com um gol contra do Matias González. No terceiro ganharam por 1 a 0 com um gol aos 42 do 2º tempo. Éramos muito parelhos” recordou.

O lendário arqueiro uruguaio também contou que depois de sofrer o gol de empate, o time brasileiro morreu, não por culpa dos jogadores, mas o público havia produzido um ruído ensurdecedor durante o jogo que desgastou os futebolistas. Ai Ghiggia tratou de fazer o segundo gol e consolidar o bicampeonato mundial a Celeste Olímpica.
“No final teve um lance onde um jogador brasileiro caiu, e quando fui ajudá-lo a levantar, ele estava pálido, gelado, Aquilo os matou!” declarou o ex-goleiro, aos 81 anos.

Adios Leyenda

Roque Gastón Máspoli morreu na noite de 22 de fevereiro de 2004, doze dias após dar entrada no hospital. A causa foi uma infecção pulmonar. Quem acompanhou os últimos instantes do ex-arqueiro foi Júlio César Abbadie, ex-parceiro nos tempos de seleção, em 54.
Emocionante também foi a homenagem que recebeu dos torcedores aurinegros no jogo pela Taça Libertadores da América 2004 entre Peñarol e São Caetano.
“Olê, olê, olê, olê, Roque, Roque” gritava ‘la hinchada’.

Depois da morte de Omar Miguez no ano passado, agora o carrasco verde e amarelo Alcides Ghiggia é o único sobrevivente entre os que foram titulares do histórico esquadrão de 50.

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