Dor de cabeça… de chave

No início de 2006, a seleção iraniana parecia estar perto de atingir o ponto mais alto de sua história. As condições eram bastante favoráveis: a geração de Rezaei, Mahdavikia, Nekounam, Hashemian e Karimi, certamente a melhor já produzida no país, ia brigar com Angola, Portugal e México por uma vaga nas oitavas-de-final da Copa do Mundo. Se alcançasse esse objetivo, o time então treinado por Branko Ivankovic superaria as campanhas de 78 e 98, o que significaria sair do certame com a sensação de dever cumprido.

Os resultados, porém, não corresponderam à expectativa que se criara. Lento, desprovido de imaginação e miseravelmente sujeito a lapsos mentais, o Team Melli foi o último lugar do grupo, deixando na Alemanha a imagem de um futebol precário. E o pior: decadente.

Mahdavikia, que se transferiu do Hamburg para o Eintratch Frankfurt, e Karimi, que rumou para o Catar após passagem apagada pelo Bayern, já experimentaram fases melhores. O veterano atacante Ali Daei, maior artilheiro das eliminatórias para Copas em todos os tempos, aposentou-se. O zagueiro Rezaei teve atuações comprometedoras na Copa e seu futuro na seleção está indefinido. Para piorar, Javad Nekounam, que tivera uma bela temporada 2006/7 pelo Osasuna, sofreu uma contusão e passou a desfalcar o Team Melli.

No fim da fraca campanha na Copa da Ásia, em meados de 2007, o técnico Amir Ghalenoei, sucessor de Ivankovic, desligou-se da seleção iraniana. A substituição demorou excessivamente. Javier Clemente foi o escolhido, mas os impasses da longa negociação – continuar morando na Espanha era uma das exigências do treinador – inviabilizaram sua participação no primeiro jogo das eliminatórias 2010, contra a Síria, em Teerã. A equipe foi treinada, nessa partida do dia 6 de fevereiro, pelo interino Mansour Ebrahimzadeh. Clemente estava nas tribunas e pôde observar os pontos fracos dos futuros pupilos, que não conseguiram mais do que um 0 a 0. Pela quinta vez consecutiva, o time saiu de campo sem ter marcado gol.

Os cinco cabeças-de-chave dos grupos asiáticos estrearam em casa, e o Irã foi o único que não venceu. A Austrália, do grupo 1, bateu o Catar por 3 a 0. Pelo grupo 2, o Japão fez 4 a 1 na Tailândia. A Coréia do Sul assumiu a ponta do grupo 3 ao derrotar Turcomenistão por 4 a 0. A Arábia Saudita, do grupo 4, superou Cingapura – 2 a 0. Com o empate diante de 40 mil torcedores, o Team Melli, integrante do grupo 5, está atrás dos Emirados Árabes, que conquistou três pontos frente ao Kuwait.

A seleção da Síria ficou, evidentemente, satisfeita com o empate em solo iraniano. Ele veio depois de uma mudança no comando do time, provocada pelo abandono de Roberto Cabrini, em janeiro. O salário do italiano era pago por um patrocinador que alegou não poder mais arcar com a despesa, portanto não houve outra saída senão o pedido de demissão. Com a perda de Cabrini, o time sírio perdeu um de seus poucos ingredientes internacionais, já que a grande maioria dos selecionáveis atua no campeonato interno, o qual, diga-se de passagem, vem evoluindo. Não por acaso, o Al-Karamah foi vice-campeão da LC asiática em 2006.

Entre os convocados da Síria para o jogo contra o Irã, estavam os jovens Al Haj, Sahiwni, Abd Dakka e Jenyat, componentes da seleção sub-20 que derrotou a Itália no Mundial de 2005. A nova safra permite que a Síria pense em subir mais alguns andares no futebol asiático. A forma como eliminou a Indonésia, na fase anterior (4×1 e 7×0) mostra que o térreo já está distante. Fazer uma campanha razoável na atual etapa seria um ótimo incentivo para continuar galgando degraus. E pegar um elevador para a próxima fase, é possível? A surpresa não está descartada.

CURTAS

Antes de as eliminatórias começarem, a Síria era a 126a colocada do ranking da Fifa, condição inferior às do Irã (39o), dos Emirados (97o) e do Kuwait (115o). Hoje, a Síria encontra-se na 103a posição.

No Caribe, o clima não é de férias.

Foi dada a largada para as eliminatórias da Concacaf. Na primeira fase, acontecem onze confrontos eliminatórios entre as seleções mais fracas da confederação.

Desses onze, sete já tiveram jogo de ida: Nicarágua 0x1 Antilhas Holandesas, Belize 3×1 São Cristóvão e Névis, Dominica 1×1 Barbados, Aruba 0x3 Antígua e Barbuda, Ilhas Turks e Caicos 2×1 Santa Lúcia, El Salvador 12×0 Anguilla e Bermuda 1×1 Ilhas Cayman.

O empate arrancado pelas Ilhas Cayman (192o lugar no ranking da Fifa) no território de Bermuda (147o) tem status de zebra. O treinador da seleção das Ilhas Cayman é o jamaicano Carl Brown, que já comandou a seleção de seu país e foi assistente de Sam Allardyce no Bolton.

Dos quatro confrontos que ainda não se iniciaram, três – Porto Rico x República Dominicana, Granada x Ilhas Virgens Americanas e Montserrat x Suriname – vão ser decididos em jogo único, por conta da ausência de estádio aprovado pela Fifa em um dos dois países (ou nos dois, no caso de Montserrat x Suriname, que terão de travar seu duelo em Trinidad e Tobago).

Porto Rico e República Dominicana se enfrentam no dia 26 de fevereiro, em Porto Rico.

Granada e Ilhas Virgens Americanas se digladiam no mesmo dia, em Granada.

Bahamas e Ilhas Virgens Britânicas farão dois jogos (nos dias 26 e 30), mas ambos nas Bahamas.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo