Donos da Bola

Aldir Blanc; Lima Barreto, João Cabral de Melo Neto, Nelson Mota e Clarice Lispector; Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque, Vinícius de Moraes e Luis Fernando Veríssimo; Jorge Ben e José Miguel Wisnik. Que treinador não gostaria de escalar um time deste?

Pois foi o que Eduardo Coelho conseguiu. Na verdade ele não é um técnico de futebol, ou coisa parecida. Ele é o organizador do livro ´Donos da Bola´ – 164 páginas e lançado pela Língua Geral Livros.

Uma coletânea para quem gosta de boa leitura, sobretudo de futebol. Grandes nomes reverenciando o nosso esporte bretão das mais diversas formas: poemas, crônicas, letras de músicas, contos, relatos, divagações, etc. Como escreve o próprio autor ´gingado, astúcia, sedução, perspicácia e malandrices são características do nosso futebol e da nossa gente, bem como as de muitos artistas: Chico Buarque, Jorge Bem Jor, Vinícius de Moraes, entre outros´.

Futebol, para nós brasileiros, é mais do que um jogo. É uma arte, que deve ser admirada e analisada como tal. A esperteza e a inteligência utilizadas pelos nossos craques dentro de campo são retratadas de maneira sensível, poética e, por vezes, surreal por esse time de ´analistas´.

Destacam-se nesta antologia poemas inspirados de João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, textos do além-mar, do moçambicano Mia Couto e do poeta português Gastão Cruz. Um cuidado tomado pelo organizador foi preservar ortografia original desses autores.

Conhecido como grande músico e letrista, Chico Buarque, porém, não aparece com nenhuma de suas músicas sobre o tema. Ele aqui se mostra um excelente cronista – ao leitor desavisado, Chico Buarque também é escritor, e dos bons. E até Clarice Lispector, que não era lá muito engajada no futebol, para falar a verdade ela não entendia muito do assunto, dá mostras de seu pequeno talento como escritora.

Se bem que Lima Barreto, que não era um entusiasta do football, mostra como, no começo do século passado, o futebol não era nem um pouco relevante. Mas basta ler uma crônica de Veríssimo – futebol de rua é a minha preferida – para você se lembrar dos tempos de garoto em que se jogava bola na rua, coisa pouco usual hoje em dia, principalmente nas grandes cidades, para você se render e pensar: ´sim, nosso futebol é diferente´. E por mais que sua mãe, irmã, namorada ou esposa não entendam tamanha devoção por um bando de marmanjos correndo atrás de uma bola, relaxe. Não há como explicar. Se elas, por acaso, gostam de ler, presenteie-as com este livro. Quem sabe elas possam entender quem realmente são os verdadeiros donos da bola.

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Equipe Trivela

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