Dez coisas que eu odeio em você

por Gabriel Gil* (texto escrito antes das miseráveis derrotas vascaínas)

Antes, um minuto de silêncio para ensinar aos jogadores do Vasco como se derruba um PC.

Um novo ano está começando e, com ele, uma nova década também. Enquanto astrólogos do mundo todo se desesperam com a descoberta do tal novo signo do zodíaco, a torcida vascaína comemora efusivamente a chegada dessa nova década. Afinal, se o novo é a oportunidade de começar do zero, nada melhor do que fazer isso após a pior década da história do futebol do Vasco.

Parece meio forte dizer isso, mas se você parar pra pensar (mas por favor, não pare de ler), vai ver que é isso mesmo. Foi uma década pra se jogar fora, fazer uma bolinha e tacar direto na lixeira. E sabe qual é o pior? Tinha tudo para ser uma década sensacional.

A menos que você tenha sido abduzido e passou mais de uma década no espaço, vai lembrar que 2000 foi um ótimo ano para o Vasco, mesmo tendo começado um pouco mal. Fomos campeões da Mercosul com a virada mais sensacional da história do futebol moderno e, de quebra, tetracampeões brasileiros. Lindo, maravilhoso, sensacional. Um desfecho perfeito para uma década que havia sido quase que perfeita.

E aí começou 2001.

Bem, um sérvio malandrinho resolveu começar a década jogando um pouco de água no nosso chopp, e aquele início de ano foi um pouco uma indicação de como seria a década: uma mer**. Chegamos pra disputar o brasileiro cheio de gás e disposição e… ficamos em 11°. Ainda tínhamos uma década inteira pela frente, podia melhorar. É, podia. Mas não rolou.

O que ficou dessa década, em uma versão resumida, foi: UM único título (estadual de 2003), o rebaixamento de 2008 e a subida em 2009, o fim da era Eurico e… e… e… só. Porque também não me venha com final de copa do Brasil, campeão da copa da hora, e outras coisas que, no fundo, no fundo, todo mundo sabe que não contam. Lembre-se também que essa foi a década em que tivemos Renato Gaúcho e Romário treinando o time, ataques mirabolantes formados por nomes como Valdir Papel, Abuda, Fábio Júnior (esse último deixou o xará ficar com todo o sucesso), Valdiram…. E isso porque não vou nem citar os cabeças de bagre área que tivemos, pra não começar a choradeira.

No brasileiro, depois do 11° de 2001, fomos, na ordem, 15°, 17°, 16°, 12°, 6°, 10°, 18°, * e 11°. Porra, sério? Em dez anos conseguimos uma vez ficar na metade de cima? Tenso… Apenas para comparar:

Década de 90 – 1 Libertadores, 1 Mercosul, 2 Brasileiros, 1 Rio-São Paulo, 4 Estaduais

Década de 80 – 1 Brasileiro, 3 Estaduais

Década de 70 – 1 Brasileiro, 1 Estadual

Década de 60 – 1 Rio-São Paulo, 1 Estadual

Década de 50 – 3 títulos internacionais, 1 Rio-São Paulo, 3 Estaduais, 1 Torneio Início

Década de 40 – 1 Sul-Americano, 4 Estaduais, 4 Torneio Início

Década de 30 – 1 Rio-São Paulo, 2 Estaduais, 2 Torneio Início

Década de 20 – 3 Estaduais, 3 Torneio Início

E é assim que o Vasco vai começar 2011: não podendo ser pior do que a última década. Se isso é bom ou ruim, só o tempo dirá, e eu espero sinceramente daqui a dez anos escrever um texto completamente diferente desse, celebrando as conquistas e entrando em 2021 com a esperança de que os títulos continuem vindo. Mas é claro que pra isso acontecer mesmo, o mundo não vai poder acabar em 2012. Vamos torcer. Pelo Vasco e pelo mundo.

*Gabriel Gil é publicitário, vascaíno, carioca, morador de Sampa e e está no twitter (@gabrielgilfake) pra ouvir seus comentários, críticas e sugestões. Fotos femininas nuas são um bônus.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo