Dátolo: mais um “novo Maradona”

Nem parece um jogador de futebol. Baixinho, marrento, cabelo espetado tingido de loiro. Aparenta mais um bad boy desses que fazem sucesso nas novelas da TV. Um estilo perfeito, por exemplo, para as areias de Copacabana e para as boates e danceterias do Rio de Janeiro.

Esse casamento esteve bem perto de acontecer. No ano passado, Jesús Alberto Dátolo quase aterrissou no Galeão e estacionou nas Laranjeiras, e depois na Gávea. Como as propostas dos dirigentes (e patrocinadores) do Fluminense e do Flamengo não agradaram, o meia canhoto continuou em La Bombonera.

Sorte do Boca. Com “El Bicho”, apelido dado pelos xeneizes, dividindo o meio-campo com Riquelme e abastecendo Palacio e Palermo, o time foi campeão do Apertura 2008. E sem o futebol do também considerado “novo Maradona”, o poderoso e temido Boca Juniors caiu feio na Libertadores deste ano.

Dátolo assistiu a eliminação para o Defensor, do Uruguai, direto da simpática Nápoles, na Itália. O agora dono da camisa 15 do Nápoli foi para a Europa atrás daquilo que todo mundo sabe: independência financeira, segurança e quem sabe parar num dos gigantes do futebol mundial.

Antes que Barcelona, Milan, Real Madrid, Inter, Liverpool ou Manchester resolvam abrir as portas, Maradona anunciou em entrevista coletiva: “Vou levar o Dátolo para Moscou (onde a Argentina enfrenta a Rússia em amistoso)”.

O virgem da seleção

Desde que os representantes do Nápoli jogaram cerca de 7 milhões de euros nos cofres do Boca, em janeiro, a vida de Dátolo virou. Trocou o calor argentino e da torcida pelo frio italiano. Sem falar que anda enchendo os bolsos.

Chegou lá com status e pompa. Mas até hoje não é absoluto. Pelo contrário. Passou alguns jogos do Calcio sentado no banco. E mesmo assim foi lembrado por Maradona. O amistoso contra a Rússia, em Moscou, marcado para 12 de agosto, será a estreia do meia na seleção. Caso aprove, estará de novo com a camisa azul e branca em setembro, quando o Brasil vai visitar a Argentina pelas Eliminatórias da Copa.

Seria a chance de reviver os grandes momentos da carreira. A despedida foi em alto estilo. Jogador de raros gols, até porque o chute não é uma de suas melhores virtudes, marcou duas vezes na vitória por 2 a 1 do Boca sobre o River Plate no Torneio de Verão quatro dias antes do Napoli anunciar a contratação.

São momentos como esse que o fizeram ser comparado a Maradona. Se bem que qualquer projeto de craque dos hermanos já é chamado de “o novo Dieguito”. Dátolo começou a jogar futebol em 2000, aos 15 anos, no Cañuelas, da 4ª divisão.

Nas competições das categorias de base, arrebentou. E fez com que Boca e River fossem atrás. Mas o Banfield foi mais competente e o levou embora. Fazia, sem dúvida, um grande negócio.

Ao longo de quatro anos, o talento tornou-se realidade. Clubes de pequeno porte da Europa apareceram. Mas o Banfield achou mais vantajoso vender 50% do passe ao Boca, onde desembarcou em 2006. Na bagagem, habilidade com a perna canhota e uma pitada de raça.

Foi peça fundamental na conquista da Libertadores 2007. A armação das jogadas tornou-se brincadeira para ele e Riquelme. Então, como não poderia ser diferente, choveram empresários e representantes de clubes europeus com sondagens. Com medo de perder o meia para o Mundial, o Boca pagou US$ 1 milhão e comprou os 50% restantes do vínculo do jogador, cuja principal característica é a versatilidade.

Ao mesmo tempo que põe o atacante na cara do gol, também pode atuar como volante pela esquerda. Ou seja, o treinador pode mudar o esquema sem substituições. Basta um sinal para Dátolo.

Pelo jeito ele é a salvação de todo mundo…

O título no Japão ficou com o Milan. Mas o Boca colocou no armário os troféus da Recopa e do campeonato nacional em 2008. Em 2006, já havia ganho outra Recopa. Tudo isso com Dátolo. Sem ele, Riquelme não se achou mais e o Boca desceu a ladeira.

Pode ter sido este o motivo que emperrou as negociações com o Fluminense. Perdida a Libertadores 2008, o tricolor do Rio fazia um péssimo Brasileirão. Tentou exaustivamente a contratação de Dátolo, o cara ideal para substituir Thiago Neves.

As tratativas acabaram em uma cheia de capítulos com final triste. O Flamengo, então, se empolgou. Também foi atrás. E também ouviu um não.

Talvez teriam tido mais sorte no início de 2009. O Boca dava sinais de enfraquecimento financeiro. Era preciso vender alguém. O Grupo Sonda chegou a fazer contatos para acomodar o jogador no Santos. Porém, a pressa o mandou para a Itália.

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Equipe Trivela

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