Dados demográficos do futebol europeu

Mais uma vez o CIES Football Observatory, centro de pesquisas suíço sobre futebol, divulgou sua pesquisa anual com as principais ligas europeias. Em 2011 foram analisados 33 campeonatos nacionais, 500 clubes e 12410 jogadores. O resultado de tudo isso, como sempre, gera estatísticas muito importantes para entender o futebol moderno e também outras bem curiosas.

Abaixo listo o que mais me chamou a atenção, e coloco meu comentário em itálico na sequência.

– A média de contratações por equipe foi de 10 jogadores, um aumento de 7,7% comparado a 2010. O recordista foi o Ludogorets Razgrad, da Bulgária, com 24 reforços. A liga búlgara, aliás, é a que mais contrata em média (12,9 por clube), enquanto a dinamarquesa é a que menos contrata (5,9);

Mesmo com a crise financeira que abalou o continente nos últimos meses, os clubes não deixaram de contratar. Apostar nas categorias de base ainda não é uma prioridade.

– Somente 33 de 500 clubes têm 50% ou mais de seus jogadores formados na própria base. No total, somente 22,2% dos atletas ainda atuam no clube que os revelou. A Bulgária teve a maior queda (23,2% para 14,1%) e a Áustria o maior aumento (17,3% para 25%); a Islândia tem a maior marca (43,4%) e a Itália a menor (7,4%). O clube que mais utiliza o talento local é o Osijek, da Croácia, com 77,8% do elenco;

Essa estatística demonstra o que escrevi mais acima, com o descaso pelo trabalho na base. Além disso, mostra também como o futebol italiano parou de revelar jogadores há um bom tempo.

– O Campeonato Russo tem 28,6% de seus jogadores defendendo suas seleções nacionais, um aumento de 17% desde 2009. Perde somente para a Premier League inglesa (41,2%) e a Bundesliga (33,3%). Com isso, as oportunidades para os garotos russos caiu consideravelmente (20,2% para 12,2% desde 2009). Já na Irlanda, nenhum atleta da primeira divisão defende seleção;

O futebol na Rússia tem se tornado cada vez mais competitivo internacionalmente, graças aos altos investimentos feitos pelos clubes do país. Infelizmente, essa equação resulta na dimuinuição das chances para os jovens locais, mesmo em uma liga com restrição de estrangeiros em campo.

– As ligas que mais têm jogadores estrangeiros são, pela ordem: Chipre (70,3%), Portugal (55,1%) e Inglaterra (54,6%). A Eslovênia (13,8%) aparece na outra ponta;

Cipriotas e portugueses importam por necessidade, enquanto os ingleses priorizam bem mais a qualidade.

– Os brasileiros ainda lideram a lista de jogadores estrangeiros em gramados europeus, mas vêm perdendo espaço. Em 2011 foram 528 “brazucas”, decréscimo de 39 em relação ao ano anterior. Na sequência aparecem França (247), Sérvia (228) e Argentina (211). Os sérvios superaram os argentinos pela primeira vez. Ao todo, 116 nações são representadas no futebol do Velho Continente;

O pé de obra brasileiro segue sendo o mais utilizado na Europa, muito graças a campeonatos como o Português. Surpreende a Sérvia deixar para trás a Argentina, até porque tem uma população bem menor (7 milhões contra 40 milhões).

– A média de idade dos jogadores na Europa é de 25,82 anos. A liga mais “velha” é a cipriota (28,2) e a mais “nova” a eslovena (23,6). O clube mais “idoso” é o Milan (30) e o “pirralho” é o UC Dublin (20,9). A média de altura dos atletas ficou em 1m82, e pela primeira vez nenhuma liga ficou abaixo de 1m80. A mais “alta” é a Bundesliga (1m83,5) e a “baixinha” é a Israelense (1m80). Entre os clubes, o Barcelona segue com com atletas menores (1m77) e o Volyn Lutsk, da Ucrânia, com os maiores (1m87,2). Uma informação extra: o Real Madrid tem a maior média de altura da Espanha (1m83,4);

A idade média dos jogadores tem caído a cada ano, o que comprova a precocidade de diversos atletas. Além disso, a preparação física fica cada vez melhor e produz jogadores mais fortes e bem preparados. O Barça, no entanto, prova que o talento ainda supera a o jogo meramente físico. O clube catalão, aliás, tem a maior porcentagem de atletas do elenco atuando por seleções nacionais (81%).

– Para fechar: os goleiros são em média os mais velhos (26,59), seguidos por defensores (26,4), meio-campistas (25,49) e atacantes (25,12).

Ou seja, a responsabilidade de marcar é bem maior do que a de atacar.

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Equipe Trivela

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