Da Silva: para o lugar de Henry

Quando um ídolo muda de time, deixa para trás uma legião de órfãos: técnico, companheiros de equipe e principalmente torcedores. Na última coluna, a Trivela apresentou o jovem Monnet-Paquet, do Lens, como um aspirante ao papel de craque da seleção da França. O título era “Mannet-Paquet: o sucessor de Henry”; o desafio do jogador, ser o novo fora-de-série do futebol francês.

Ainda mais desamparados que os torcedores dos Bleus ficaram os fãs do Arsenal desde que Thierry Henry, a referência ofensiva do time, mudou de ares para defender o Barcelona em junho deste ano. O técnico dos Gunners, Arsène Wenger, acostumado a lidar com atletas jovens, procurou um substituto que misturasse o faro de gol do francês com o talento brasileiro. Do Dínamo Zagreb trouxe o croata Eduardo da Silva.

Croata da gema

Eduardo nem sempre foi croata. Nascido no Rio de Janeiro, “Dudu” fez um caminho diferente da maioria dos jogadores brasileiros. Ao invés de tentar a sorte em gramados brazucas e ganhar projeção para uma futura carreira internacional, Eduardo partiu para a Croácia aos 15 anos para jogar no Dínamo Zagreb.

A dificuldade de adaptação à língua e cultura era uma barreira ao desenvolvimento do jovem atacante. Assim, o Dínamo o emprestou ao Bangu para que Da Silva adquirisse mais experiência. Após 2 anos atuando em sua terra natal, voltou para o clube, onde não demonstrou regularidade. Mais uma vez foi emprestado, agora para o também croata NK Inter Zaprešić que disputava a segunda divisão da liga nacional.

Em seu novo clube, Eduardo se aprimorou e começou a demonstrar seu apetite por gols: foram 10 tentos anotados em 15 jogos na temporada. Nesse período, Da Silva tirou sua cidadania croata. Estava pronto para defender o Dínamo. E também sua nova pátria.

Calibrando a pontaria
Eduardo provou ser um goleador na segunda divisão. Seu desafio era repetir a performance defendendo um grande clube na liga principal.

Não foi preciso muito tempo, porém, para Da Silva mostrar que o futebol croata ganhava um grande artilheiro. Em sua primeira participação, na temporada 2003/2004, foram 9 gols marcados em 24 partidas. Sua regularidade lhe valeu o título de melhor jogador da liga principal.

Sua eficiência aumentava a cada ano. Em 2004/2005 marcou 10 gols em 22 jogos; no ano seguinte, 20 tentos em 29 partidas o sacramentavam como o maior nome do futebol croata da atualidade. Tal feito lhe rendeu os títulos de jogador do ano e artilheiro da liga.

Mesmo esses números impressionantes não foram capazes de convencer a todos. Zlatko Kranjčar, técnico da seleção croata na época da Copa 2006, deixou Da Silva de fora do torneio por considerá-lo muito jovem. Eduardo era uma unanimidade na Croácia, porém, seguia desconhecido no “primeiro mundo” da bola.

Projeção Internacional

Após a Copa, a Croácia mudou de técnico. Slaven Bilić assumiu e trouxe Da Silva de volta à seleção.

Em 16 de Agosto de 2006, jogando pela eliminatória da Euro 2008, Eduardo marcou seu primeiro gol pela seleção principal em jogo contra a Inglaterra. A Croácia venceu por 2 a 0 e assumiu a primeira posição de seu grupo.

Da Silva realizou ainda convincentes apresentações nas vitórias sobre Israel, Macedônia e Estônia, marcando em todos os jogos. No campeonato nacional, marcou 34 gols em 32 embates, na última temporada. Da Silva atravessava uma excelente fase, mas seu grande momento ainda estava por vir.

Disputando o qualificatório da UEFA Champions League, Dínamo Zagreb e Arsenal se enfrentaram na primeira partida internacional do novo Emirates Stadium. Os croatas eram meros convidados na festa dos favoritos ingleses, mas quem roubou os holofotes foi, novamente, Da Silva.

Uma semana após marcar contra a seleção inglesa, o atacante voltou a importunar os súditos da Rainha marcando o primeiro gol da partida. O jogo terminou com vitória do Arsenal por 5 a 1, mas a atuação de Da Silva foi o suficiente para que Arsène Wenger e sua comissão voltassem seus olhos para seu futuro reforço.

Novos desafios

Agora, como membro do pelotão londrino, Da Silva tem duas difíceis missões.
A primeira é provar que não se destacou na Croácia apenas pelo baixo nível técnico de seus rivais. Deve mostrar que é capaz de se destacar também no competitivo futebol inglês onde enfrentará não somente esquadrões formados pelos melhores nomes do futebol mundial como também a concorrência pelo posto de atacante titular de seu time.

Missão complicada embora bastante simples frente ao seu maior desafio: substituir o craque Thierry Henry e fazer sua exigente torcida esquecer o maior ídolo dos últimos tempos.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo