Cúpula de um lado, bolha de outro

Amanhã, este blog completa dois meses de atividades (não, não vai ter bolo). Por aqui, o Corinthians só foi citado de passagem, nunca ganhando ares de protagonista de um post, mesmo que seja o atual campeão brasileiro e mantenha o merecido status de um dos times mais fortes do Brasil. Isso acontece por duas razões: a primeira é que eu não trabalho no Jogo Aberto, da Band, onde seria coagido a falar o tempo todo sobre o clube, mesmo quando faltasse assunto; a segunda é que não há nada que ainda não tenha sido dito sobre o Corinthians de Tite, um time organizado e eficiente, sério candidato a todos os títulos que disputar em 2012.

O (quase) consenso é de que esse Corinthians nunca deixa seu adversário gostar do jogo e que não tem a mínima vergonha de trabalhar por vitórias magras, mas que terá problemas no momento em que tiver de brilhar. Quando precisar vencer por uma margem maior de gols para compensar um mau resultado no jogo de ida de um mata-mata, por exemplo. A equipe não encanta, nem tem a menor pretensão em fazê-lo. De certo modo, lembra o São Paulo de Muricy, que vencia quase sempre, mas angustiava seus torcedores durante as partidas, porque tudo parecia sempre estar por um fio.

Com as contratações do Imperador Adriano (finalmente demitido, por justa causa, mesmo fim que merecia ter quem bancou a sua contratação), do Sheik Emerson e de Alex, este sem alcunha imponente, o Corinthians esperava aumentar seu poderio ofensivo, mas continuou marcado pela eficiência de sua defesa e tendo nos volantes Paulinho e Ralf seus destaques. Em 2012, isso ficou mais claro. No Paulista, a equipe marcou 21 gols em 15 jogos, enquanto São Paulo, Palmeiras e Santos já chegaram a 33. Na Libertadores, nada muito diferente: média de um tento por partida. Não enche os olhos, mas não tem feito falta.

A vitória do Corinthians no clássico de ontem contra o Palmeiras poderia ser encarada como uma confirmação de tudo o que foi dito acima, mas expressa melhor a situação do alviverde, que ainda não havia perdido na temporada. O time de Felipão foi melhor durante a primeira etapa, abriu o placar, mas só precisou de alguns minutos para entregar a paçoca (para a satisfação disfarçada daquela tal “turma do amendoim”). Na verdade, quem pôs tudo a perder foi Márcio Araújo, que cometeu duas falhas grosseiras. Mas não seria justo jogar a culpa toda na conta dele, já que, após a virada, voltou aquele Palmeiras perdido e confuso dos últimos anos.

Houve quem discordasse quando usei o termo “azeitado” para me referir à equipe de Felipão. Mas vejo no Palmeiras um time com um mínimo de coesão e um repertório que, se ainda não é nenhuma maravilha, já cria alternativas à consagrada “bola parada do Marcos Assunção”. O que falta é encarar testes mais firmes. Até aqui, falhou contra o Corinthians, venceu o Santos, que ainda vivia um momento preguiçoso, e empatou com o irregular São Paulo. De resto, num estadual onde os clubes médios e pequenos se apresentam bem abaixo da sua capacidade histórica, não teve desafios.

Rivais ferrenhos, corintianos e palmeirenses vivem realidades distintas e terão de se acostumar com elas pelos próximos meses. Enquanto os alvinegros têm uma cúpula de “e-qui-lí-brio” sobre suas cabeças, os alviverdes vivem dentro de uma bolha de otimismo. Vista por alguns com desconfiança, como se, ao surgimento da primeira goteira, sua estrutura pudesse ficar comprometida, a cúpula é um teto estável, legitima os sonhos por conquistas. A bolha sim, pode estourar a qualquer momento, mas serve de paliativo enquanto os pilares não acomodam um teto confiável. Recomenda-se cautela, aceita-se esperança.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo