Contra a discriminação feminina no futebol

Você chega em casa, precisa acordar às 4h30, mas não interessa. Tem Vasco e Libertad na televisão, já que você não pode ir ao estádio. É o último jogo na casa do Vasco na Libertadores.

É aí, quando você compra a cerveja para você e a sua mulher, que entende quem sabe o que está falando. Antes do jogo me arrisquei a dizer: se o Vasco vencer o Libertad com três atacantes, vão dizer que três atacantes foi perfeito, que pressionou o adversário, surpreendeu; se perder, será o contrário: time desentrosado, jogadores voltando agora, time muito aberto. Enfim, essas obviedades que, infelizmente, quem trabalha com futebol e quem vê futebol repete sem parar (ovo ou galinha total).

E era tudo tão simples.

– Por que o Dedé está lá atrás? – perguntou minha vascaína preferida.

– Ele é zagueiro, né? – disse eu.

– Mas no outro jogo ele foi lá na frente. Ele sempre fica ali, não gosto disso… 

É, na verdade, ela tinha razão, mesmo quando defendeu Fagner, muso dela (fazer o que? O outro é o Tevez), e reclamou do gol do Juninho (“foi meio gol, o goleiro que fez para a gente”). E quando Allan foi na ponta, recebeu do Barbio e cruzou para Alecsandro, ela me lembrou.

– Você não gosta dele, conheço mais gente que não gosta dele, mas… ele que fez o gol. De novo – desconsertou-me em plena casa, que não era São Januário.

Romulo desarmou na bola, ela observou: “depende do juiz, quando fica de birra, não adianta”. E Luiz Roberto lembrou que a presença feminina em massa no estádio era uma coisa bonita, ela me olhou desconfiado. Depois, no fim, tirou onda com a minha cara, porque Juninho tem 37 anos, corre daquele jeito, está magrinho e ainda dá entrevista. Pois é, diga não ao machismo.

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Equipe Trivela

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