Chicó: novato para incomodar brasileiros

Após o sorteio dos grupos da Copa Libertadores da América de 2009, ocorrido no último dia 25, descobriu-se novos debutantes na competição continental. Como não poderia faltar, um dos clubes brasileiros enfrentará tais “desconhecidos” do futebol sul-americano, mais precisamente no Grupo 7. O Grêmio, vice-campeão brasileiro, terá pela frente Aurora, da Bolívia, Boyacá Chicó, da Colômbia, e outro adversário que sairá da pré-Libertadores.

O que mais causou surpresa foi o fato de a equipe colombiana ser a única confirmada em seu país até então. Mas o que teria feito o Boyacá Chicó o primeiro time da Colômbia garantido em uma Libertadores, no lugar dos tradicionais América de Cáli e Nacional de Medellín? O novato é campeão do Torneio Apertura de 2008, além de ocupar atualmente a 128ª posição no ranking da Federação de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), à frente de gigantes como Grêmio, Vasco, Borussia Dortmund e Ajax.

Início conturbado: troca de nome, cidade, presidente…

Para entender a história do Chicó voltemos ao não tão longínquo ano de 1997, quando ocorreu sua “primeira” fundação. O clube, sediado na capital Bogotá, recebeu o nome Chicó Fútbol Club em homenagem ao Parque Chicó, bairro da cidade em que nasceu o fundador e primeiro presidente, Eduardo Pimentel. Entretanto a equipe passava por problemas financeiros e sequer conseguia se destacar na terceira divisão do futebol colombiano.

Então no ano de 2002, com o nome de Deportivo Bogotá Chicó Fútbol Club, tornou-se a primeira sociedade anônima do futebol. Qualquer cidadão poderia entrar e investir no time, fato que reergueu o clube. Ao final do mesmo ano, o Chicó garantiria vaga na segunda divisão da Colômbia. O sucesso meteórico fez com que já em 2004 a equipe conseguisse o acesso à elite colombiana.

O ano de 2005 pode ser considerado o marco na consolidação do Boyacá Chicó como, finalmente, um clube de futebol. Porém não antes de enfrentar mais problemas. À época, além do Chicó, havia Santa Fé e Millonarios na cidade de Bogotá, clubes com mais torcida e apoio. Restava ao caçula da capital pouca renda, falta de patrocínio e crise atrás de crise. Ainda mais que o acionista máximo, Eduardo Pimentel e o presidente de então, Mariano Díaz, foram acusados de falsificação de documentos, o que acabou na renúncia dos dois. Alberto Gamero assumiu a presidência para 2006.

Daí surge a proposta do governo do distrito de Boyacá para o clube mudar-se à cidade de Tunja, capital do estado a nordeste de Bogotá. O convite foi aceito e tudo se definia: o nome do clube passaria a ser Boyacá Chicó Fútbol Club, mandaria as partidas no Estádio La Independencia, com capacidade para 8.500 torcedores, e o ano de 2006 prometia. Tanto que o time chegou a pleitear as primeiras colocações da primeira divisão (denominada Copa Mustang), mas acabou em terceiro lugar.

Vaga na Libertadores e…

A fase era tão boa que já em 2007 “Los Ajedrezados” – apelido recebido pelo modelo do uniforme: quadriculado (no estilo da seleção croata) em azul e preto – realizaram a terceira melhor campanha do ano na Colômbia. A Copa Mustang é dividida nos torneios Apertura, até a metade do ano, e Clausura, do meio até o final. Como o Chicó ficou com a terceira colocação do Apertura e último posto colombiano para o torneio continental, deveria realizar o confronto na pré-Libertadores de 2008 contra o Audax Italiano, do Chile.

Na primeira partida, na Colômbia, vitória dos colombianos por 4 a 3, mas no jogo de volta, os chilenos venceram por 1 a 0 e garantiram-se na fase de grupos. O Boyacá Chicó esperaria mais um ano para estar na maior competição do futebol sul-americano.

A Copa Mustang I (Apertura) de 2008 selou o primeiro título nacional da história da equipe de Tunja. Após classificar-se na segunda posição, quando todos jogam contra todos, classificou-se à final do campeonato ao ficar na primeira colocação do Grupo 2 da segunda fase – os oito primeiros classificados dividem-se em dois grupos de quatro, o campeão de cada chave vai à decisão.

… o tão esperado título nacional

Como adversário na grande final, o temível América de Cali. O primeiro jogo era no Estádio Pascual Guerrero, em Cali. Salazar marcou aos 19 minutos do primeiro tempo para delírio dos Ajedrezados, mas Vasquez empatou aos 41. O empate não era mau resultado, pois tudo se decidiria quatro dias depois, em Tunja. No La Independencia, o destaque do Chicó, o argentino Miguel Eduardo Caneo abriu o placar aos 36 da primeira etapa. A festa do título, porém, foi adiada aos 38 do segundo tempo, quando Tejada empatou e levou à decisão por pênaltis.

O Boyacá Chicó Fútbol Club sagrou-se campeão colombiano ao vencer as penalidades por 4 a 2. O dia 6 de julho de 2008 ficará marcado no clube. Uma data que marca não só o triunfo sobre um adversário, mas a vitória da persistência, da vontade de tornar uma pequena representação repleta de contratempos em um representante da elite do futebol sul-americano. Este é o Boyacá Chicó, agora com vaga garantida no Grupo 7 da Libertadores 2009, menos de uma década de vida, muita história para contar e muitos brasileiros a incomodar. A começar pelo Grêmio.

Rentería encabeça a lista dos ídolos

Por ainda ser um caçula no futebol, o Chicó não possui ídolos maiores que atravessariam gerações ao longo de sua história. Entretanto existem atletas que podem ser considerados marcantes ao passarem por La Independencia. A começar por Wason Rentería, ex-Internacional e atualmente no Braga, de Portugal. O atacante construiu sua carreira a partir do Boyacá Chicó, de onde saiu para defender a seleção colombiana no Mundial Sub-20 e abriu os olhos dos dirigentes colorados, que o contrataram em 2005. Rentería ficou de 2002 a 2005 nos ajedrezados, marcou 13 gols em 43 partidas.

Um dos responsáveis pelo título de 2008, o argentino Miguel Eduardo Caneo foi artilheiro da competição com 13 gols apesar de ser meio-campista. A imprensa colombiana destaca sua habilidade, as finalizações e, principalmente, a visão de jogo. Caneo, de 25 anos, iniciou a carreira no Boca Juniors, passou por Quilmes e Colo-Colo até chegar a Tunja e tornar-se o xodó camisa 10 do Boyacá Chicó.

O volante Nilson Cortez e o atacante Luis Alfredo Yanez são lembrados por terem feito parte das equipes que levaram o clube à elite do futebol colombiano. O primeiro é o jogador com mais partidas disputadas pelo Chicó, além de conquistar a torcida pela precisão nos passes e a raça na marcação. Já Yanez anotou 12 gols na divisão de acesso da Colômbia, fato que o caracterizou como peça fundamental na ascensão ao primeiro escalão do país. Depois de tanto destaque, o artilheiro ainda foi convocado para a seleção colombiana, entretanto não rendeu o esperado.

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Equipe Trivela

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