Carta aberta

Dizem por aí que meu grande segredo está nos pés.

Descalços ou não, transformam-me numa batalha democrática pelos campos mundo afora. Foi assim que fiquei popular.

Posso até dizer que hoje sou “pop star”.

Todos me bajulam, falam (bem ou mal) de mim, querem que eu apareça nos jornais, rádio, TVs e até na internet.

É uma rotina cruel.

Mas até que eu gosto. O problema é que agora ando meio chateado.

E olha que não vou nem entrar no assunto que mais me incomoda: os pernas-de-pau.

Minha reclamação aqui é outra. Talvez esteja até ligada ao que escrevi na linha aí de cima.

A moda agora é dizer as mãos são a arma para me fazer feliz.

Ora, vejam só! Isso é absurdo!

Cresci graças aos moleques que usavam e abusavam dos pés. Que inventam coisas mirablantes com eles.

Lembro até hoje de Garrincha.

Didi.

Zico.

Pelé.

Maradona.

Zidane.

Como eles me faziam bem!

De uns tempo pra cá só valorizam o goleiro. Os troféus são todos para eles.

Nada contra o pessoa da camisa 1. Gosto deles. Têm uma função ingrata. São apenas dois em campo. Contra outros 20.

Mas o meu nome já diz tudo: o goleiro não foi feito para ser o personagem principal das minhas histórias.

Se for assim eu não tenho graça.

Ass: o Futebol

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