Carlos Bianchi analisa a minicrise do Barça

Carlos Bianchi, um dos mais respeitados treinadores do mundo, vencedor da Libertadores com Vélez e Boca, é comentarista da ESPN da Espanha. Escreveu uma coluna sobre os problemas atuais do Barcelona. Aí está um resumo. Concordam com a análise de Bianchi?

Ele começa dizendo que o Barça é o melhor time do mundo e provavelmente da história. E está há três jogos sem ganhar. “Isso é uma novidade para o Barcelona de Guardiola, que nos acostumou mal com os três G do futebol: ganhar, golear e gostar”.
Bianchi diz que o time é uma versão piorada de 2011 e que, embora tente jogar o mesmo não está conseguindo: o monopólio da posse de bola que caracteriza o time já não é tão marcado e, pior, está resultando em menos oportunidades de gol.
Em seguida, alerta que o Barça, com um elenco pequeno e afetado por lesões enfrentará duas semanas de muita ação – Liga (dia 4), Copa do Rey (dia 8), Liga (11), Liga dos Campeões (14) e Liga (19). Após essa série de jogos, será possível ver onde está o Barça e se os sinais de alarma de hoje serão apenas isso ou algo mais.
Bianchi aponta a seguir os problemas nos três setores.


DEFESA


As mudanças que o time sofre em diferentes linhas de partida a partida tiram fluidez ao esquema de circulação contínua da bola, que é onde se baseia o sucesso do time.
O Barça não é claramente o mesmo quando tem a base do time titular do que quando não a tem, o que, nos últimos tempos tem sido a regra e não a exceção.
Há um exemplo onde se vê isso muito claramente. São os marcadores centrais. Com Pique e Pyol lesionados e fora, muda toda a estrutura do time. Nesses casos, costuma jogar Mascherano de marcador central. Ele o faz muito bem, mas não é sua posição natural e sua vontade não pode esconder a especialização dos outros dois.
Em algumas partidas, por ausência e outras, por opção tática, Guardiola monta uma linha de três como alternativa. Quando isso sucede, como nas últimas semanas, os laterais perdem tanto projeção como marcação. Quando Dani Alves e Abidal se colocam mais perto do meio-campo do que da retaguarda perdem surpresa nas projeções e costumam mostrar-se mais fracos em suas funções defensivas.

Foi assim que se desfez a solidez defensiva que permtiu ficar nove partidas sem tomar gols em casa. Em 2012, exceção a Villarreal e Osasuna sofreu gols em todos os jogos e em duas ocasiões permitiu que fosse remontado um 2 a 0 a favor.

MEIO-CAMPO


Nessa zona é onde se sente mais a diferença na substituição dos jogadores. Guardiola não tema profundidade do elenco do Real Madrid, onde sai Di Maria e entra Kaká. É uma aposta válida que fazem muitos técnicos de que entre titular e reserva haja uma uma diferença marcante de hierarquia e até agora Guardiola se saiu bem, mas….

A realidade hoje indica que Tiago, Cuenca e muitas outras revelações são mais futuro do que presente: têm muito pela frente, mas lhes falta seguir ganhando experiência guiado pelos mais experientes. Quando eles entram e saem Xavi e Iniesta, por exemplo, não há circulação clara: os circuitos são cortados muito rapidamente e assim se vê afetado o princípio fundamental sobre o que se baseia o jogo do Barcelona.
Isso se sente não somente no meio, mas também adiante. A bola chega menos e mais “suja” y isso conspira contra as situações claras de gols. E isso conspira contra situações claras de  gol. Os garotos também não se oferecem tanto para municiar os dianteiros e falta essa chegada de Xavi ou de Iniesta, de frente e com o gol na mira.
Inclusive, o fato se mostrarem menos obriga os defensores a saírem mais do que o habitual, aumentando as chances de erro e perda de bola. Foi o que vimos na quarta-feira ante o Valencia, com Abidal que esticava muito os passes e dividia muito mais que o costume.


ATAQUE


Desde a contusão de David Villa, que o Barcelona ficou sem uma referência de área. Não é que Villa seja 100%, mas é um goleador nato com os automatismos de quem se move com toda a tranqüilidade por essa zona, sempre pronto para definir.
Com tudo de bom que vem mostrando o chileno Alexis Sánchez, que merecidamente ganhou a posição, não tem essa vocação para converter-se em um ponto de referência na área. Isso obriga a apostar ainda mais na circulação horizontal e o resultado é que há menos e mais demoradas chances de gol.
Mesmo Pedro,q eu perdeu o posto para o chileno e segue sendo um grande jogador e que tem frieza para definir, quando entra se move mais por fora do que por dentro, obrigando Messi a buscar ações individuais de desequilíbrio pra que alguém, seja o próprio Messi ou um de seus companheiros, chegue à posição clara de gol.

Creio que cedo ou tarde Guardiola terá que buscar esse referente de área que a base, seja qual for o motivo se nega a revelar. São muitas as condições que terá de reunir esse jogador: bom pé para tocar e devolver uma ou outra bola, perfil baixo para amoldar-se ao que o time precisa, sem pensar em luz própria  e uma rápida adaptação à filosofia de jogo do clube.

O FUTURO

Ao final de tantos jogos, o Barcelona enfrentará o Bayer Leverkusen. O futebol alemão não costuma entrar em campo para defender. Ao contrário, se coloca de igual para igual e busca o caminho mais curto até o arco rival. Será um bom teste para saber se o Barcelona conseguiu corrigir o rumo.


MINHA OPINIÃO

– Acho que Bianchi se complicou um pouco. Ele fala que a ausência de Villa é uma das causas para a “crise” do Barça, mas Villa está fora há um bom tempo. E, ao colocar a dificuldade de substituição de Xavi e Iniesta, ele parece dizer que o Barça só é o Barça porque tem esses 11 jogadores. O que significa, uma análise muito mais técnica do que tática.

que tácia do quexbe aus^ncia8llaso Barcelona não ganha há três jogos e ci eaa
 

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Equipe Trivela

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