Carlos Alberto e as coisas do futebol

Carlos Alberto é um daqueles jogadores que desperta no torcedor, na saída do estádio, a sensação de “taí um cara que poderia ter sido”. Na verdade, ainda pode ser, mas ao que tudo indica nunca será. Coisas do futebol.

O estilo de jogo de Carlos Alberto provoca as mais diferentes reações da torcida. Alguns o veneram, outros não o suportam. Quem gosta do meia afirma que no último campeonato brasileiro Carlos Alberto era talvez o melhor jogador naquela posição que chamamos de camisa 10. Contesto. Alex é melhor, tem mais cabeça e mais consistência, mas não vejo muito outros com a capacidade de Carlos Alberto. Quem o odeia lembra-se de suas conturbadas saídas do Botafogo e do São Paulo, só para citar 2008.

Ao receber a bola, o camisa 10 que usa a 19 a domina com elegância. Por sinal, como poucos. Abaixa um pouco o corpo, inclina-se para frente e com sua força e braços abertos inibe a chegada dos adversários. Por vezes, a maneira européia de jogar esbarra nas garras e cartões dos caça-talentos, os árbitros do futebol brasileiro. Garra, aliás, o meia tem de sobra. O toque e visão de jogo de Carlos Alberto também são raros no futebol mundial. Chute forte – mas nem sempre preciso -, também tem. Habilidade, para dar e vender. Às vezes finta até demais. É um daqueles jogadores que em um time medíocre o torcedor quer mais é que seja individualista e não passe a redonda.

Quem o rejeita também tem suas razões. Preciosismo em momentos inoportunos é uma constante. Ele se acha craque, age como craque, mas não é eficiente como um craque. Para piorar, vive mudando as trancinhas do cabelo. Joga com os braços abertos, o que mesmo quando não é falta faz crer para o árbitro que foi. Irrita-se com adversários e árbitros – e, é claro, companheiros e técnicos. Não faz tantos gols, não dá tantas assistências. Perde o interesse por jogos, campeonatos, clubes e a própria carreira na mesma velocidade de quem promete estar atento aos erros cometidos no passado. Por fim, é desagregador.

Carlos Alberto tem tudo para despertar amor e ódio em São Januário, assim como aconteceu no Fluminense, no Porto, no Corinthians e no Botafogo. No Werder Bremen e São Paulo, desconfio, não chegou a despertar nenhum sentimento tão positivo. Campeão de tudo – Mundial e Champions League -, jogador que despertou o interesse até do Milan, Carlos Alberto só precisa de uma coisa para confirmar como o craque que parecia que nunca seria, mas que acabou sendo quando menos se esperava: juízo, rapá.

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Equipe Trivela

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