Caos vermelho

É impossível dissociar o terrível momento vivido pelo Liverpool dentro de campo do caos instalado fora dele. Nesta terça-feira, a crise foi escancarada pelo racha entre os donos do clube, os norte-americanos Tom Hicks e George Gillett, e os demais membros da diretoria.

Em abril, o Liverpool foi colocado à venda por Hicks e Gillett, e foi escolhido um presidente independente – Martin Broughton – para conduzir o processo. O grupo responsável pelas tomadas de decisões conta ainda com o diretor administrativo Christian Purslow e o diretor comercial Ian Ayre.

Na época, os norte-americanos conseguiram negociar uma extensão do período para quitar as dívidas, mas o novo prazo está perto de expirar.

O Royal Bank of Scotland (RBS) espera receber cerca de 285 milhões de libras até o dia 15 de outubro. Do contrário, pode tomar o controle do clube e vendê-lo pela melhor oferta, ou até mesmo colocá-lo em concordata, o que implicaria na perda de 9 pontos no campeonato, a exemplo do que aconteceu na última temporada com o Portsmouth.

Com isso, o tempo urge. O que parecia ser um processo tranquilo se transformou em novela, por causa da insistência de Hicks e Gillett em lucrar em cima do investimento feito para comprar o clube em 2007. Recuperar o valor investido não é suficiente, pois eles alegam ter valorizado o Liverpool, especialmente no que diz respeito às receitas anuais, elevadas em 55% desde a compra.

Nesta terça, uma nota no site do Liverpool revelou a existência de duas propostas pelo clube: uma dos Estados Unidos e outra da Ásia. A norte-americana, segundo diversas fontes da mídia britânica, é de John W Henry, dono do popular time de beisebol Boston Red Sox. De acordo com o comunicado, ambas as ofertas zerariam a dívida dos Reds.

Os administradores foram a público, a contragosto dos donos, depois de Hicks e Gillett tentarem uma manobra para afastar Purslow e Ayre, substituindo-os por Mack Hicks, filho de Tom Hicks, e Lori Kay McCutcheon, vice-presidente e responsável financeiro da Hicks Holdings. O impasse deve ser levado às vias legais.

A insatisfação da torcida é crescente, assim como os protestos contra os proprietários. Neste momento, vários potenciais compradores podem, em vez de fazer uma oferta imediata, esperar que o RBS assuma o controle e o venda em condições bem mais interessantes.

O prejuízo real? Esse é dos torcedores de um dos clubes mais tradicionais do mundo.

ATUALIZAÇÃO (3:32) – No início da manhã desta quarta-feira, o Liverpool anunciou em seu site oficial o acordo com a New England Sports Ventures, a empresa dona do Red Sox. A nota deixa claro, porém, que a confirmação da venda ainda depende do processo judicial contra Hicks e Gillett.

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Equipe Trivela

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