Bola rolando na Terra Santa

Rodeado por repúblicas islâmicas, pelo mar mediterrâneo, e cortado de norte à sul, pelo mítico Rio Jordão, Israel possui uma das ligas de futebol mais interessantes e esteticamente belas do Oriente Médio.

Oficialmente se chama Ligat Ha´al, reúne 12 equipes que se enfrentam em pontos corridos durante três turnos. É a 19ª liga mais importante entre os países cadastrados na UEFA.

A rivalidade entre os clubes das principais cidades como Jerusalém, Haifa e Tel Aviv é maciça e a festa que os torcedores realizam nas arquibancadas arrepiam até jogadores veteranos.

“É coisa de doido!” relembra o meia maranhense Carlos Ferro, num contato conosco. Ele jogou em cinco times israelenses entre 1995 e 98. “No inicio da competição as atenções sempre se concentravam na estréia dos reforços dos times. Em matéria de entretenimento o futebol tem grande importância para os israelenses” conta o ex-jogador, que vive em São Luis.

Respondendo nosso e-mail, o agente de jogadores Shimon Zlot, brasileiro de descendência judia, afirma que se espera recorde de futebolistas tupiniquins na liga.

Paulinho (ex-Flamengo), Renato (ex-Atlético-MG), Valdiram (ex-Vasco), e Fabio Júnior (ex-Cruzeiro e Palmeiras) são alguns dos ‘canarinhos’ que chegaram à Terra Santa nas últimas semanas. Até 1º de setembro deve chegar mais gente.
Preparamos abaixo um especial sobre o inicio da Ligat Ha´al 2007/8, contendo tudo sobre as principais equipes do país.

Beitar Jerusalém

Nome do Clube: Beitar Jerusalém Football Club (em hebraico מועדון כדורגל בית”ר ירושלים)
Estádio: Teddy Stadium, ou ‘Gehinom’ (inferno), com capacidade para 21.600 pessoas.
Técnico: Itzhak Shum, russo radicado em Israel. Aos 48 anos, chegou ao clube de Jerusalém para ganhar o bicampeonato nacional e consolidar a hegemonia na Terra Santa. Com passagens por grandes clubes como Maccabi Haifa e Hapoel Tel Aviv, o ex-meia da seleção israelense na Copa de 70 no México, também treinou equipes gregas, búlgaras e russas.
Principal jogador: Toto Tamuz, 19 anos, nasceu na Nigéria, mas vive em Israel desde os tenros dois anos de idade. É a maior sensação do futebol israelense. Já escrevemos sobre ele aqui neste espaço, há seis meses “Toto não é um matador de área. Ele cai bastante pela esquerda, tem um bom giro, quase sempre partindo em diagonal. Dono de uma capacidade física invulgar, é capaz de ‘sprints’ devastadores em direção ao gol”. Everton, Middlesbrough, e Glasgow Rangers já sondaram seu nome…
Quem chegou: Tvrko Kale (goleiro, Maccabi Tel Aviv), Eliran Danin (defensor, Hapoel Kfar Saba), Sagi Strauss (goleiro, Hapoel Nazareth Illit), Idan Vered (meio-campista, Hakoah Amidar Ramat Gan), Cristian Muscalu (meio-campista, Jiul Petrosani-ROM), Cristian Alvarez (defensor, River Plate-ARG), Rômulo (atacante, Cruzeiro-BRA), e Idan Tal (meio-campista, Bolton Wanderers-ING).
Quem saiu: Itzik Kornfine (goleiro, retirado), Ramalho (meio-campista, dispensado), Tuto (atacante, dispensado), Avi Ivgi (goleiro, Hakoah Amidar Ramat Gan), Ronny Gafney (defensor, Maccabi Haifa), e Schwenck (atacante, Pohang Steelers-COR).

É o único clube de Jerusalém envolvido na competição. Com pouco mais de sete décadas de existência, são os atuais campeões do país, depois de um jejum de nove anos sem o título nacional, mas acabou de perder o técnico Yossi Mizrahi, que foi para o Maccabi Petah Tikva.

Há dois anos recebe uma injeção de verba do enigmático bilionário Arcadi Gaydamak, que comprou o clube. Desde então, trouxe os principais jogadores que circulavam pelo país e alguns estrangeiros de bom nível como o ganês Boateng e o chileno Mirosevic, formando o melhor time de Israel.

Sem contar com o lendário goleiro Kornfine, que pendurou as luvas depois de 12 anos no Teddy Stadium, o croata Kale, seu substituto, já sentiu a pressão da torcida, sendo apontado como responsável pela eliminação na 3ª fase preliminar da Champions League, diante do Copenhagen, da Dinamarca.

Com a inteligente manutenção da base, e a contratação de bons nomes como o bom meia Idan Tal, ex-Bolton, e o atacante brasileiro Rômulo, ex-Grêmio e Cruzeiro, o Beitar Jerusalém larga na frente dos demais.

Maccabi Haifa

Nome do Clube: Maccabi Haifa Football Club (em hebraico מועדון הכדורגל מכבי חיפה)
Estádio: Kiryat Eliezer, em Haifa, com capacidade para 16.800 pessoas.
Técnico: Ronny Levy, 40 anos, é um dos treinadores mais promissores que trabalham fora da Europa. Arrojado, foi o pioneiro no futebol israelense em usar softwares personalizados para realizar análises táticas dos oponentes e da própria equipe. Segundo o atacante brasileiro Gustavo Boccoli, que nos concedeu uma entrevista em novembro do ano passado, Levy “é um treinador jovem e quer sempre aprender novas técnicas. Ele tem trabalhado conosco como os times europeus, e isso é muito bom. Vejo nele muito potencial como treinador”. Se ficar no comando até 2008, vai igualar o recorde de Giora Spiegel, que também ficou 5 anos no comando dos ‘greens’, entre 93 e 98.
Principal jogador: Gustavo Boccoli, meia-atacante brasileiro, 29 anos. Enlouquece os torcedores no Kyriat Eliezer Stadium com suas fintas e arrancadas. Foi eleito o melhor jogador na temporada 2005/6. Até torcedores de clubes rivais manifestam interesse em vê-lo com a camisa de Israel. Hipótese que o mesmo nos garantiu, em entrevista, ser possível.
Quem chegou: Ronny Gafney (defensor, Beitar Jerusalém), Lukasz Surma (meio-campista, Legia Varsóvia-POL), Paulinho (meio-campista, Flamengo-BRA), Renato (meio-campista, Atlético-BRA),Giovanni Rosso (meio-campista, Maccabi Tel Aviv), Diego Crosa (defensor, Racing-ARG), e Thepo Masisela (defensor, Supersport United-AFS).
Quem saiu: Rafael Olarra (defensor, Universidad Chile-CHI) Haim Megrelashvili (defensor, Vitesse-HOL), Islam Cana´an (defensor, Maccabi Herzliya), Xavier (meio-campista, Vasco-BRA), Éden Basat (atacante, Hapoel Haifa), Abbas Suan (meio-campista, Ironi Kiryat Shmona), Maor Buzaglo (atacante, Bnei Sakhnin), Alain Masudi (atacante, Ashdod), Yaro Bello (atacante, Ironi Kyriat Shmona) e Roberto Collauti (atacante, Borussia Monchengladbach-ALE).

O 5º lugar na temporada passada foi considerado uma tragédia para o Maccabi Haifa, que vinha de um avassalador tricampeonato nacional, e a venda do astro argentino naturalizado israelense Roberto Collauti para o decadente Borussia Monchengladbach, da Alemanha, só atenuou os problemas nos ‘greens’.
As compras dos brasileiros Paulinho, volante do Flamengo, e Renato, meia, ex-Atlético/MG, que com menos de 22 anos já atuou em cinco clubes, pode surtir algum efeito.

Sendo maciçamente popular em comunidades árabes que vivem no distrito de Haifa e nos arredores de Nazaré e Shfaram, os ‘greens’ querem recuperar a hegemonia perdida no último ano.

A transformação passou até pela fornecedora do material. Após anos com a Puma, o clube assinou com a italiana Lotto para os próximos dois anos.
Como estratégia de mercado nota-se que o time do mega empresário Ya´akov Shahar reformulou a defesa e o meio-campo. Nitidamente a aposta foi em jogadores experientes como o argentino Crosa, o croata Rosso e o polaco Surma. Os mais jovens do elenco foram emprestados para ganhar ritmo e rodagem.

Sem nenhuma competição internacional no cronograma da temporada 2007/8, a obsessão dos comandados de Ronny Levi será reconquistar a Ligat Ha´al. Objetivo mais que alcançável já que não terão a fadiga física dos últimos anos, quando tinham que conciliar o certame nacional e as competições européias.

Maccabi Tel Aviv

Nome do clube: Maccabi Tel Aviv Football Club (em hebraico, מועדון כדורגל מכבי תל אביב). 
Estádio: Bloomfield Stadium, Tel Aviv, com capacidade para 15.478 pessoas.
Técnico: Eli Cohen, 56 anos. Tem mais de 20 anos de experiência dirigindo clubes de todas as divisões. Há 10 anos trabalha somente em equipes de ponta do país.
Principal jogador: Avir Nimni, meio-campista de 1,88 de altura. É o maior artilheiro da história do clube, aonde chegou com apenas 7 anos de idade.
Esta é sua quarta passagem pelo clube azul, saindo por breves períodos para atuar em Atlético Madrid, Derby Country e Beitar Jerusalém.
Tem 35 anos e sua camisa 8 será retirada quando abandonar a carreira.
Quem chegou: Dragoslav Jevric (goleiro, Ankaraspor-TUR), Amiran Shekalim (defensor, categoria de base), Adar Cohen (defensor, categoria de base), Aviv Haddad (defensor, Hapoel Ashkelom), Oz Yifrach (defensor, Hapoel Be´er Sheva), Orel Edri (meio-campista, Maccabi Yavne), Rudy Haddad (meio-campista, PSG-FRA), Dan Roman (meio-campista, Hakoah Ramat Gan), Dudu Biton (atacante, Beitar Nes Tubruk), Yaniv Azran (atacante, Ashdod), e Yannick Kamanan (atacante, Maccabi Herzliya). 
Quem saiu: Tvrtko Kale (goleiro, Beitar Jerusalém), Miljan Mrdakovic (atacante, Vitória de Guimarães-POR), Giovanni Rosso (meio-campista, Beitar Jerusalém), Roy Dayan (meio-campista, dispensado), Dejan Ilic (meio-campista, dispensado), Moshe Biton (atacante, Bnei Yahuda).

É um dos clubes mais antigos de Israel. Terminou em 3º lugar na última temporada 2006/7, e mantém Eli Cohen no comando.  Os ‘maccabistas’ são recordistas de títulos em Israel, com 18 taças, e vem perdendo espaço nos últimos anos. Sua última conquista foi em 2002/3.

A política de contratações foi equilibrada. Para repor a venda do goleiro Kale, trouxe o experiente sérvio Jevric, e para o ataque, depois do fracasso do também sérvio Mrdakovic, a aposta é em Yaniv Azran, que vem de uma ótima temporada no Ashdod, sendo o goleador máximo da última competição, e no francês ‘trota-mundo’ Kamanan.

Contando os que subiram da base, metade do elenco foi mudado em relação ao último ano e será uma surpresa se ganharem o campeonato, pois estão alguns degraus abaixo dos super favoritos Beitar e Maccabi Haifa.

Hapoel Tel Aviv

Nome do Clube: Hapoel Tel Aviv Football Club (Em hebraico, מועדון כדורגל הפועל תל אביב).
Estádio: Bloomfield Stadium, em Jaffa, com capacidade para 15.473 pessoas.
Técnico: Guy Luzon, ex-treinador do Hapoel Petah Tikva. Língua solta, costuma causar furor na imprensa com declarações bombásticas e ás vezes engraçadas.
Principal jogador: Tal Hen, zagueiro de 28 anos, símbolo da atual equipe, e ídolo máximo da fanática torcida dos ‘diabos vermelhos’. Já foi capitão da seleção sub-21 de Israel. 
Quem chegou: Vincent Enyeama (goleiro, Bnei Yehuda), Gabriel Santos (zagueiro, Sport-BRA), Reuven Oved (meio-campista, Bnei Yehuda), Idan Srur (meio-campista, Hapoel Petah Tikva), Abedi (meio-campista, Vasco-BRA), Maasai Dego (meio-campista, Ashdod), Msumbu Mazuwa (meio-campista, Maccabi Netanya), Kobi Swisa (atacante, hapoel Ironi Rishon LeZion), Lior Asulin (atacante, Bnei Yehuda), e Fábio Júnior (atacante, Bochum-ALE). 
Quem saiu: Shavit Elimelech (goleiro, Ironi Kyriat Shmona), Javier Paez (defensor, Olimpo-ARG), Luciano de Bruno (meio-campista, AEL-CHP), Gil Vermouth (meio-campista, Gent-BEL), Salim Tuama (meio-campista, Standard Liége-BEL), Wellington (meio-campista, dispensado), Yossi Abukasis (meio-campista, retirado), Elyaniv Barda (atacante, Genk-BEL), Ibezito Ogbonna (atacante, Cluj-ROM), e Manuel Neira (atacante, Unión Española-CHI).

Os sete anos sem ganhar a Ligat Ha´al tem incomodado os fanáticos ultras dos ‘red demons’. A metade vermelha de Tel Aviv está angustiada e exige o titulo.
O treinador Guy Luzon ganhou reforços interessantes como o goleiro nigeriano Enyeama e o atacante Lior Asulin, que vieram do bom time do Bnei Yehuda. Além do congolês Mazuwa, titular indiscutível e com grande regularidade nas equipes que já defendeu.

Ainda falando das caras novas, é destacável os três brasileiros que chegaram. O zagueiro Gabriel Santos, ex-Fluminense e Sport, e o meia Abedi, ex-Vasco, que vai aproveitar a estadia no país para tratar seu filho, que perdeu os movimentos das pernas depois de se recuperar de uma leucemia.

O principal brazuca que aterrissou na cidade das colinas da primavera foi Fábio Júnior, ex-Cruzeiro e Palmeiras, que estava no Bochum, da Alemanha. O treinador Luzon não poderia passar em branco e comentou a chegada do atacante mineiro de forma, no mínimo, desconcertante.

“Ele não conseguiu jogar na Bundesliga por causa dos belos olhos dele”.
O jogador terá a árdua missão de substituir o gigante nigeriano Ogbonna, que era ídolo e foi para o futebol romeno.

Maccabi Netanya

Nome do Clube: Maccabi Netanya Football Club (em hebraico, מועדון כדורגל מכבי נתניה).
Estádio: Sar-Tov Stadium, em Netanya, com capacidade para 7.500 pessoas.
Técnico: Reuven Atar, 38 anos, ex-ídolo da torcida do poderoso Maccabi Haifa. Mister Atar é um dos mais jovens treinadores em atividade na Ligat Ha´al e pertence a primeira geração de imigrantes marroquinos que se instalaram em Tirat Carmel, no distrito de Haifa.
Principal jogador: Samed Abdul “Okocha” Awudu. Jogador ganês com o apelido do irreverente driblador nigeriano ‘Jay jay’ Okocha. Tem 23 anos e é a referência do time da cidade litorânea de Netanya. Com passagens por Áustria, e Eslováquia, foi revelado no Hearts of Oak, tradicional clube de Gana. 
Quem chegou: Tarek Natour (goleiro, Maccabi Haifa), Stanislav Angelovic (defensor, Senec-SLK), Klemi Saban (defensor, Steaua Bucareste-ROM), Maoz Samya (defensor, Hapoel Petah Tikva), Cyril Chapuis (atacante, Grenoble-FRA), e Sebastian Rozental (atacante, Maccabi Petah Tikva). 
Quem saiu: Ori Uzan (defensor, Hapoel Kfar Saba), Avishai Jano (defensor, Ironi Tveria), Shai Biruk (meio-campista, fim de contrato), Israel Zvit (meio-campista, Hapoel Petah Tikva), Mazuwa Nsumbu (meio-campista, Hapoel Tel Aviv).

Desde os gloriosos anos 70, o Maccabi Netanya não atravessava uma fase tão esplendorosa quanto a atual. Depois do vice-campeonato em 2006/7 a equipe do jovem treinador Reuven Atar está pronta para desafiar os gigantes de Jerusalém, Tel Aviv, e Haifa.

Os ‘diamantes’, como são conhecidos na Terra Santa, operaram bem no mercado, principalmente repatriando o defensor Klemi Saban, que estava esquecido no Steaua Bucareste,da Romênia. Porém, foram duas apostas arriscadas para 2007/8, uma é o atacante francês Cyril Chapuis, uma promessa que se perdeu durante a década, mas que ressuscitou no modesto Grenoble, da França.

A outra é o veterano atacante chileno Sebastian Rozental, ofuscado por Salas e Zamorano nos anos 90 e vitima de lesões que minaram uma promissora carreira, o ‘trota-mundo’ dos Andes tentará fazer algo mais do que fez no Maccabi Petah Tikva, seu último clube no país.

Esses reforços e a base mantida fazem com que os ‘diamantes’ tenham esperança de brilhar durante o percurso da temporada 2007/8, que promete ser uma das mais empolgantes dos últimos tempos em Israel.

Os outros…

O Maccabi Petah Tikva e o Ashdod são os maiores candidatos a surpresa da competição. O primeiro contará agora com o treinador Yossi Mizrahi, atual campeão pelo Beitar Jerusalém.

Já o time da cidade portuária de Ashdod, que liderou por várias rodadas o certame passado, contratou Andrés, irmão do argentino ‘Pablito’ Aimar, e o atacante brazuca Valdiram, ex-Vasco. O time, cujo ‘homem forte’ é o ex-astro Haim Revivo, terá como treinador Alon Hazan, que já passou pelo Watford, da Inglaterra.

O Bnei Sakhnin, único clube árabe na competição e ajudado
pelo bilionário Arkadi Gaydamak, dono do Beitar Jerusalém, conseguiu retornar a divisão de elite e, desta vez, pretende mostrar sua força e não cair mais.

Ligat Ha´al 2007/8 – 1ª rodada

Maccabi Petah Tikva x Hapoel Kfar Saba
Maccabi Tel Aviv x Ashdod
Maccabi Haifa x Bnei Sakhnin
Ironi Kiryat Shmona x Maccabi Herzliya
Maccabi Netanya x Hapoel Tel Aviv
Beitar Jerusalém x Bnei Yehuda

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