Bebê: Das ruas para Old Trafford

 

Por Rafael Duarte

Muitas vezes acreditamos que somente no Brasil o futebol costuma ser encarado como um fator de ascensão social. Mas ao olhar um pouco mais fundo, vemos que não é bem assim. Talvez você nunca tenha ouvido falar do português de 20 anos Tiago Manuel Dias Correia. Mas se já não ouviu, com certeza ainda vai ouvir falar do Bebê, atacante português recém contratado pelo Manchester United.

De origem cabo-verdiana, Tiago Correia nasceu em 1990, mais precisamente em Agualva-Cacém, região metropolitana de Lisboa. Ainda criança foi abandonado pelos pais, sendo criado pela avó e tendo inclusive vivido um período nas ruas. Chegou à Casa do Gaiato de Santo Antão do Tojal, um orfanato em Lisboa. Foi assim que o futebol de Bebe surgiu para o mundo: por ser um sem-teto.

Convocado para a seleção portuguesa que defendeu as cores da país na Copa do Mundo dos Sem-Teto, Bebê chamou a atenção do Loures, clube da terceira divisão portuguesa, em 2006. Dois anos depois foi transferido para o Estrela Amadora, clube da segunda divisão portuguesa, onde assinou seu primeiro contrato profissional após mais uma temporada como amador, com dezenove anos. Na sua primeira (e única) temporada como profissional, no Estrela Amadora, jogou vinte e seis partidas, marcando quatro gols.

O começo de um sonho

A vida de Bebê, que recentemente foi convocado para a seleção sub-21 de Portugal, começou a mudar de uma forma inusitada. Com o atraso de seus salários no Estrela Amadora, assinou um contrato onde vendeu 70% de seus direitos para o Vitória de Guimarães em Julho deste ano.

Cinco semanas, alguns treinos, amistosos e gols após, o Vitória foi obrigado a comprar os 30% restantes de seu passe, para não perdê-lo de graça, com o assédio de grandes clubes europeus, inclusive o Real Madrid, de José Mourinho. Resultado: no dia 11 de agosto de 2010, lucro de 9 Milhões de Euros para o Vitória de Guimarães e Bebê à caminho de Old Trafford.

A escolha por Manchester

Quatro clubes fizeram propostas oficiais ao jogador: Benfica, Porto, Real Madrid e Manchester United. Os três primeiros são facilmente explicáveis, já que os dois primeiros são clubes portugueses e o Real é comandado por José Mourinho. Mas onde os diabos vermelhos entram nisso? A resposta passa pela seleção portuguesa que foi à África do Sul: Carlos Queiróz, técnico da seleção, era auxiliar de Sir Alex Ferguson, comandante dos Red Devils de Manchester.

Aliás, Ferguson já assumiu publicamente que não havia visto o garoto português jogando antes de sua contratação, mas que confiava cegamente em sua equipe de olheiros. Agora, após vê-lo em ação, o comandante dos ingleses já disse ter a certeza de ter um diamante bruto em suas mãos. Resta agora o menino que vive este conto de fadas moderno superar a concorrência de Rooney, Berbatov e Michael Owen, Chacarito Hernández e Macheda. Missão Impossível? Talvez, mas o que é impossível para um menino de rua que chegou à Old Trafford?

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