Bangu quer fazer outra mágica e engolir Fogo

Muito aqui entre nós, ouvi de um dirigente do Bangu, pouco depois de vencerem por 3 a 0 o Resende, na casa desses últimos, que iriam engolir o Botafogo. Perguntei se podia colocar essa fala na boca dele (ui). Ele pediu para maneirar, que senão tava ferrados.

– Mas pode dizer aí: A gente vai para a final!

Essa história começou ainda na Serra das Araras, que sobe a cidade do Rio para o Norte Fluminense e outras imediações, como Volta Redonda e Barra Mansa, se minhas referências geográficas ainda estiverem a contento. Pois bem. Acordei, literalmente (taí um belo uso dessa palavra, enfim), com alguém berrando: “Olha ali, o ônibus do Bangu, tá parado ali”. Pensei: porra, neguinho tá parando até ônibus de velhinho para dar dura, não é possível. E não era isso mesmo.

Saí do carro e o problema era um motor esquentadinho – muita ansiedade, sabe como é… Mas logo os cabeças brancas vieram conversar. Eram três ônibus e um, pelo visto, já estava nas últimas, dali não saía mais. Depois, vim descobrir que os jogadores fizeram um “ratatá” para alugar os veículos, com direito a cerveja, salgadinho e… Bem, o ônibus não tinha ar condicionado.

– Que ar, tá doido? Isso aqui é Bangu. É sofrimento desde a saída de casa. Tem 150 pessoas aí. É toda torcida – calculou um dos mais novos do grupo dos velhinhos banguenses.

No estádio do Trabalhador, que não é o Proletário “Moça Bonita”, casa do Bangu, a turma se sentiu em casa. De repente, eles que reclamavam de água, que tinha acabado (tadicos!), descobriram um esquema da cerveja na brechinha do portão. E lá foram os mais malandrinhos da juventude tentar sua suada cervejinha. Voltavam na frente dos PMs com cerveja dentro do copinho de um limão chique desses de embalagem.

Nessa altura do campeonato, o Bangu já tinha feito 1 a 0, depois de tomar um certo sufoco no início do jogo. Mas o gol veio de pênalti, com expulsão e fim dos problemas. Teve gente que suspeitou da legitimidade dessa partida, porque o presidente da Ferj é ex-presidente do Bangu, Rubens Lopes, enquanto o vice-presidente da Federação é torcedor do Resende. Mas o papo que rolou por lá era outro. A famosa mala branca estaria no vestiário do Resende. Se estava, de pouco serviu, porque o Bangu segurou as pontas e escapou do rebaixamento e está na semifinal.

Os velhinhos empolgados, com suas bandeiras, camisas antigas e um castorzinho de pelúcia, vestido de Bangu, podem se preparar, que sábado tem mais no Engenhão. A tradicional bandinha de Moça Bonita, que já teve 30 músicos na época do Castor de Andrade (devidamente representado por um bichinho de pelúcia na arquibancada) e ontem estavam em cinco, deve ser reforçada para brilhar no Engenhão. Agora a hora é de fazer mais mágica, como disse o dirigente banguense: hora de engolir Fogo.

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Equipe Trivela

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