As certezas (e as novidades)

Sem dúvida, é cedo ainda para bancar quais serão as 32 seleções que viajarão para a África do Sul em 2010. Até porque, mesmo após o encerramento das eliminatórias convencionais, há os playoffs. Entretanto, com a virada de 2008 para 2009 se aproximando, já é possível dizer que agora é que a fase de classificação para o Mundial começará a ter certeza de quem pode tentar algo. Surpresas podem se firmar, falsos brilhantes despencarão, favoritos confirmarão o status, ausentes em Copas podem reaparecer, enfim, 2009 dará todas as respostas.

Oceania 

Só aqui as zebras não costumam ter sua vez. Com a ida da Austrália para as Eliminatórias Asiáticas, a Nova Zelândia provavelmente viraria a protagonista da vez. Garantidos diretamente no quadrangular final, que ainda tinha Ilhas Fiji, Vanuatu e Nova Caledônia, os Kiwis dominaram com facilidade. Mesmo fora de casa, superaram facilmente os caledônios por 3 a 0 e, mesmo tendo um jogo ainda a disputar, contra Fiji, já garantiram a vaga do classificado da OFC no duelo contra o quinto colocado da Ásia por uma vaga na Copa.

Ásia

Aqui a situação já fica um pouco mais equilibrada. Mas os nomes não mudam. No grupo 1, Austrália e Japão detêm as duas vagas diretas. Mas os comandados de Takeshi Okada têm adversário: o Catar, terceiro colocado, mas com os mesmos quatro pontos dos nipônicos. E, por mais que os Socceroos australianos tenham aplicado categóricos 4 a 0 nos catarenses, o time de Okada não aproveitou para desgarrar, graças a um empate com o lanterna Uzbequistão. O confronto direto entre as duas equipes, no próximo 19 de novembro, tornará as coisas mais claras sobre quem tem mais chance.

No grupo 2, mais equilíbrio: Irã, as duas Coréias e Arábia Saudita têm os mesmos quatro pontos. O Team Melli pode escapar na frente se vencer os Emirados Árabes (últimos, sem ponto) e a partida entre sul-coreanos e sauditas pode colocar mais definição neste enevoado cenário – enevoado, claro, pelo equilíbrio entre os favoritos, não por novidades que tenham surgido.

América do Sul

Nas Eliminatórias sul-americanas, o único fato notável é a ótima campanha paraguaia. Terminando o ano com duas vitórias, a Albirroja comandada por Gerardo Tata Martino desponta seis pontos à frente do segundo colocado, o Brasil. Com um time seguro, não é utópico pensar que os paraguaios possam prosseguir dessa maneira no returno do torneio qualificatório. E, mesmo que sofram com os desempenhos irregulares, Brasil e Argentina, provavelmente, não penarão muito para conseguir espaço entre os quatro que irão direto para a Copa. Em busca da última vaga no quarteto, há equilibrado confronto entre Chile (de astral renovado pela boa vitória contra os argentinos), Uruguai e Equador. E quando o assunto vira o classificado para enfrentar o 4º lugar da CONCACAF nos playoffs, nem mesmo Colômbia e Venezuela ficam de fora. Afinal, Cafeteros e Vinotintos estão, respectivamente, a dois e três pontos da Celeste, atual quinta colocada, com 13. Apenas Peru e Bolívia parecem fadados a não aspirar a coisa alguma.

América do Norte/Central

Na CONCACAF é que novos nomes começam a querer aparecer. Fora Estados Unidos, Costa Rica e El Salvador, já classificados para o hexagonal final (EUA na ponta do Grupo 1, Ticos e salvadorenhos como campeão e vice do grupo 3), todo mundo pode chegar às três vagas restantes. Brigando pelo segundo lugar que acompanhará os americanos, Trinidad e Tobago e Guatemala esperam pelo 19 de novembro em que pegarão, respectivamente, Cuba e estadunidenses. Os trinitários tiraram vantagem de terem vencido os comandados de Bob Bradley, enquanto os guatemaltecos surpreendentemente deixaram os cubanos superá-los por 2 a 1. Pelo visto, novamente, a eliminada equipe da ilha e os gigantes dos States serão o fiel da balança na briga pelo segundo lugar.

No grupo 2 norte-central-americano, o México está na ponta e tem tudo para assegurá-la. Só que Honduras, o próximo oponente da Tri, quer assegurar o 2º lugar que ocupa, em busca da manutenção do sonho de voltar a um Mundial após 28 anos. E pode até ganhar de brinde a ponta, caso vença os mexicanos em Tegucigalpa. Agora, perdendo, terá de torcer justamente para o lanterna e já sem chances Canadá, que pega uma motivada Jamaica. Os Reggae Boyz, inclusive, conseguiram diminuir a distância dos hondurenhos para um ponto, com a vitória por 1 a 0, que renovou as esperanças de classificação. Por hora, é o cenário onde se vê mais equilíbrio, já que, dependendo dos resultados da rodada de 19 de novembro, até o México pode dançar.

Europa

O Velho Mundo traz situações curiosas. Há cenários para todos os gostos. Há o equilíbrio do grupo 1, em que Dinamarca (com um jogo a menos) e Hungria ponteiam com 7 pontos cada uma, mas têm Portugal e Albânia à espreita, com 5 pontos, só esperando uma recuperação perfeitamente possível para também entrarem de vez na briga. Há a surpresa no grupo 3, em que a Eslováquia aparece na frente, com 9 pontos, seguida por Polônia e Eslovênia, ao passo que a República Tcheca peleja com 4 pontos, na vice-lanterna. Há a monotonia dos grupos 5, 6 e 9, nos quais, respectivamente, Espanha, Inglaterra e Holanda, por hora, nadam de braçada, favoritíssimas à vaga direta, deixando a briga para belgas, turcos e bósnios (5); croatas e ucranianos (6); e escoceses e noruegueses (9). Há a monotonia ampliada da chave 8, em que a Itália consegue se manter na frente e abrindo vantagem para a Irlanda, que, por sua vez, já está quatro pontos à frente dos búlgaros. Há a monotonia temporária do grupo 7, que vê sérvios e lituanos abrindo vantagem nas duas primeiras posições, mas cujos adversários jamais podem ser ignorados (França, Áustria e Romênia). E há, finalmente, o equilíbrio, em termos, dos grupos 2 e 4. Neles, as três primeiras posições variam, mas os ocupantes delas despontam como favoritos aos lugares diretos e para o playoff. No 2, Grécia, Israel e Suíça parecem os concorrentes mais credenciados; e, no 4, se a Alemanha já dá mostras de querer abocanhar a primeira colocação sem muita conversa, Rússia e País de Gales podem protagonizar boa briga. Sem esquecer da Finlândia, dois pontos atrás de ambos. Mais um continente onde só as próximas rodadas darão mais clareza à situação.

África

Quer surpresas em potencial? Comece a acompanhar as eliminatórias da África o quanto antes. Enquanto o cenário já caminha para a definição em outros lugares, aqui o interessante vai começar agora. O continente que mais deu à última Copa novatos em Mundiais (quatro) terá, no próximo 22 de outubro, em Zurique, o sorteio dos grupos da terceira fase, que definirá os seis classificados à fase final do Mundial. Os 12 líderes dos grupos da segunda fase, mais os oito melhores segundos colocados, serão divididos em cinco grupos de quatro. E as seleções africanas prometem emoção.

Afinal de contas, Camarões e Nigéria, ambos vindo de boas campanhas no Grupo 2, querem voltar a uma Copa, de orgulho ferido pela ausência em 2006. Gana, Costa do Marfim e Togo querem comprovar, se eventualmente alcançarem a vaga, que viraram seleções de ponta no continente. Mali, que já tem seus jogadores começando a aparecer em clubes de ponta pelo mundo (os exemplos mais notáveis, claro, são os de Kanouté, Seydou Keita e Diarra), quer converter isso em ganhos para sua seleção. O Egito está sedento pela reaparição no cenário mundial, após retomar o domínio continental com o bicampeonato da Copa Africana. E antigos freqüentadores de Copas, como Marrocos e Argélia, sempre acalentam o sonho de voltar. Enfim, a África pode ser, novamente, o continente onde surgirão mais novidades. Novidades que ainda não surgiram em outras Eliminatórias continentais para 2010. Ainda.

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