Arsenal: os experientes garotos de Wenger

por Marx de Jesus

Os “meninos do Emirates” já não são tão garotos assim. O repentino sucesso alcançado por Arsène Wenger, que apostou suas fichas em jovens promessas, vem mostrando uma realidade diferente da experimentada por seus principais rivais.

O Arsenal difere de Chelsea, Liverpool e Manchester, times que investiram pesado em contratações caras, craques já desenvolvidos e com reais chances de chegar na Premier League e brilhar logo de cara.

Wenger, por sua vez, optou por jogadores promissores, muitos dos quais desconhecidos da grande mídia.

Mas o sucesso obtido até este momento da temporada se deve também às estratégias de Wenger. O time compensa a falta de experiencia com muita aplicação tática, e jogadores que chamam a responsabilidade e assumem o papel do treinador dentro de campo.

DEFESA

A forte defesa do Arsenal está sustentada não apenas pela linha defensiva, mas tem grande influencia da segunda linha de quatro meio-campistas, que fazem com que o time atue o tempo todo em bloco.

Os meias do Arsenal marcam e apóiam com igual eficiencia. Eboué, um lateral de origem, vem atuando no meio-campo. O marfinense, ao lado de Rosicky, se apresenta o tempo todo na armação das jogadas e fecha os espaços pelos flancos quando o Arsenal perde a bola.

Outro aspecto importante na criação das jogadas é que tanto Eboué como Rosicky caem pelo meio, dando muitas opções de passe para Fàbregas na criação das jogadas.

MEIO-CAMPO

A grande movimentação, aliás, é um dos motivos de os Gunners serem tão consistentes quando atacam. Os jogadores de meio-campo se deslocam o tempo todo, dando muitas opções de jogadas. Quando os armadores têm a posse da bola, há uma aproximação tanto de Hleb (que vem atuando como segundo atacante, vindo de trás) quanto de Flamini e Fàbregas, que dão sustentação para que o time todo sufoque o adversário, jogando verdadeiramente em bloco. Além disso, os laterais Sagna e Clichy aparecem como elemento surpresa.

Quando o time londrino tem a posse da bola, nota-se uma equipe jogando coletivamente, facilitando a intensa troca de posições nas jogadas ofensivas.

ATAQUE

Na linha de frente, observa-se a conseqüência de tanta movimentação, com a bola chegando sempre redonda para Adebayor. Tudo isso com a chegada de um verdadeiro “arsenal”, com os ótimos chutadores de média e longa distância: Fàbregas, Rosicky e o próprio Hleb.

O bielorrusso Alexander Hleb cai pelos flancos, no momento em que a linha de meio-campistas se aproxima, dando maior variabilidade nos ataques. Desta forma, o Arsenal se torna um time imprevisível!

Jogando SEM a bola…

O time de Arsène Wenger recua as duas linhas de quatro defensores (os quatro meio-campistas e os quatro defensores de fato) , com o grande diferencial de que Eboué, sendo um verdadeiro lateral, compõe a linha defensiva ao lado de Sagna; do lado esquerdo ocorre o mesmo (dobradinha entre Rosicky e Clichy), tornando a equipe londrina –quase intransponível – muito segura na defesa, tanto pelo meio, onde Fàbregas e Flamini dão respaldo aos zagueiros Gallas e Touré, como pelos flancos, dando pouca chance à pressão dos adversários.

Sendo assim, dificilmente os Gunners sofrem a famosa marcação sob pressão, tendo boa qualidade na saída de jogo, sobretudo nos pés de Flamini e Fàbregas.

A experiência que faltava…

Claro que não podemos chamar o time de experiente, mas há alguns jogadores que vêm há tempos sendo introduzidos no jogo coletivo do Arsenal.

O jovem craque Cesc Fàbregas é o maior exemplo de juventude, aliada à experiencia. O meia pôde compartilhar do conjunto que possuía jogadores rodados e de renome, como Henry, Gilberto Silva e Vieira.

Assim que o time necessitou de um líder, após as saídas dos experientes craques citados acima, Fàbregas assumiu a responsabilidade, chamando para si o jogo e a liderança da equipe.

Não há dúvidas de que o craque espanhol, de apenas 20 anos, é o principal jogador do Arsenal.

Além de distribuir e armar o jogo, dando grande qualidade aos rápidos contra-golpes da equipe, o meia se apresenta para cobrar as faltas e escanteios.

Em meio a tantos craques, há que se destacar que a grande marca do time, que disputa cabeça a cabeça o título da Premier League, está no jogo coletivo!

O elenco jovem e promissor montado por Wenger começa a dar frutos antes do momento previsto.

Portanto, não estranhemos se vez ou outra o time derrapar e perder alguns pontos. Mas também não será surpresa se o time, com média de idade de 23,7 anos, chegar a algum título nesta temporada.

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Equipe Trivela

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