Alexi Lalas: O zagueiro roqueiro

Por Gabriel Innocentini

A competição era dura. Não para os Estados Unidos, anfitriões da Copa de 94, mas para Alexi Lalas. Naquela equipe, o grandalhão ruivo de cavanhaque ainda tinha de disputar espaço nos holofotes com o goleiro Toni Meola, com o companheiro de zaga Marcelo Balboa e com o atacante Cobi Jones. Dos quatro, Panayotis Alexander Lalas é o personagem mais peculiar. Sua figura imponente, chamativa, se destacava nos gramados norte-americanos mais pelo aspecto bizarro do que pelo encanto de seu futebol. Não que ele fosse muito grosso, mas também não era técnico.

Alexi Lalas foi apenas um zagueiro regular, embora às vezes destemperado. Se tivesse jogado com um craque no miolo de zaga, poderia ter alcançado sorte melhor. Zagueiro bom consagra zagueiro mediano, como diz acertadamente Paulo Vinicius Coelho.

O início da carreira

Nada levava a crer que o pequeno Alexi, filho de pai grego e mãe norte-americana, se tornaria jogador de futebol. Seu pai Demétrio era professor, enquanto sua mãe Anne Harding era escritora e poeta.

Nascido em 1970, ele começou a jogar futebol somente aos 11 anos, dividindo suas atenções com o hóquei no gelo, esporte no qual era o capitão da equipe escolar. Lalas seguia a carreira tanto no soccer quanto no hóquei conforme fazia seus estudos no colegial.

Em 1991, ele foi eleito o jogador do ano dos Estados Unidos, levantando o troféu Hermann Trophy, concedido anualmente desde 1967. No ano seguinte, Lalas fez parte da equipe que disputou os Jogos Olímpicos em Barcelona.

A campanha dos EUA foi regular, tendo terminado na terceira colocação do grupo A, atrás de Polônia e Itália. A moral de Lalas era tamanha – e a falta de renovação na retaguarda norte-americana – que ele ainda disputou a Olimpíada de Atlanta como um dos três jogadores acima de 23 anos.

Copa do Mundo

A imprensa dos Estados Unidos tinha muita expectativa em um bom desempenho da seleção anfitriã. O soccer crescia no país e os estádios ganhavam cada vez mais público. Contudo, os EUA caíram em uma chave complicada.

A Colômbia havia enfiado um chocolate na Argentina durante as eliminatórias e foi apontada por ninguém menos do que Pelé como a favorita para o título. Suíça e Romênia também não eram forças desprezíveis no grupo A.

A duras penas, os norte-americanos se classificaram em terceiro, empatados com a Suíça com 4 pontos. A Colômbia amargou a lanterna. No jogo entre os dois, o companheiro de Lalas, Balboa, poderia ter se consagrado se tivesse feito o gol de bicicleta.

O confronto das oitavas-de-final foi cruel para os anfitriões. Em seu caminho, estava logo o Brasil, tricampeão do mundo e sedento por um título que não conquistava fazia 24 anos. Acabava ali, bem no dia da Independência norte-americana, o sonho de prosseguir na Copa do Mundo.

Dos EUA para o mundo

O bom nível de Alexi Lalas durante a competição rendeu a ele uma transferência internacional. Depois da Copa, ele desbravou a Itália para os norte-americanos, tornando-se o primeiro jogador de futebol dos EUA a jogar na Bota.

Na primeira temporada defendendo o Padova, ele teve seus brilharecos, marcando gols contra Milan e Inter de Milão. Foram as únicas vezes em que ele balançou as redes no Calccio. Curiosamente, lá ele jogava de líbero e ganhou até elogios de Fabio Capello. O Padova se salvou do rebaixamento na temporada 94/95, mas teve a quinta pior defesa do Calccio, com 50 gols levados.

No ano seguinte, durante a temporada 95/96, ele jogou apenas 11 vezes, pois no início de 1995 a Major League Soccer havia emprestado o jogador para alguns jogos. Outro destaque da pequena equipe italiana era o jovem atacante Amoruso, responsável por 14 gols em 33 jogos.

Como o Padova não era um time muito consistente, pois sempre lutava contra o descenso, Alexi Lalas retornou para seu país, ficando dois anos no New England Revolution.

Ele foi emprestado para o Emelec, mas não entrou em campo pelo time equatoriano. Depois da experiência fracassada na América do Sul, Lalas voltou para a MLS, encerrando a carreira no Los Angeles Galaxy em 2003.

Estrela dos palcos

Concomitante ao trabalho nos gramados, Alexi Lalas se dedicou a outra paixão de sua vida – o rock. Se o visual já lembrava o de um roqueiro, ele confirmou a impressão ao assumir o violão e os vocais dos Gypsies, banda com quem lançou dois álbuns: “Woodland” e “Jet Lag”. Um de seus sucessos, se é que podemos chamar assim, foi “Watered Down”, uma bela balada country.

Lalas também manteve uma carreira solo, com apenas um disco lançado, Ginger, de 98. Quem ouviu suas canções sabe que ele não foi apenas mediano no futebol, mas também em sua carreira musical. Até que a voz dele não é ruim, tire a prova no youtube.

Depois da aposentadoria, o ex-zagueiro e ex-roqueiro se tornou comentarista de redes de televisão norte-americanas, além de enveredar pela carreira de dirigente. Ele começou como diretor do San Jose Earthquakes, depois passou para o MetrosStars e em 2006 foi nomeado manager do Galaxy. Após uma seqüência ruim de resultados em 2008, Lalas foi demitido.

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