Ainda vivos

Ao final do primeiro turno, há apenas três rodadas, apenas uma coisa parecia certa: que ABC e Campinense já estavam fadados ao rebaixamento. A oito e nove pontos respectivamente do último clube fora da zona do descenso, as campanhas de potiguares e paraibanos não deixavam margem para qualquer esperança de salvação, mesmo com dezenove jogos pela frente.

O segundo turno mal começou e, entretanto, a sorte parece ter mudado. Com os resultados positivos, a dupla nordestina continua sim nas últimas posições, mas finalmente alcançou o pelotão superior, que não consegue espantar a má fase ou ao menos comprovar que é de fato uma fase, e não a realidade que os acompanhará até o final do campeonato.

Nos últimos nove jogos, o ABC conquistou quatro vitórias e um empate. É pouco, mas bem melhor que os dois únicos triunfos das treze rodadas anteriores. A inversão coincide com a chegada de Flávio Lopes, em sua terceira passagem pelo Mais Querido. Nomes como Ricardinho, Bruno Barros, Júnior Negão e Audálio têm feito a diferença e os gols que o pior ataque do primeiro turno (incríveis 13 gols em 19 jogos) não fazia.

Já em Campina Grande, o momento é ainda melhor – afinal, a Raposa do Nordeste amargava uma aparentemente inexpugnável lanterna. Desde a 15ª rodada, foram apenas duas derrotas contra doze somadas até então. As quatro vitórias e dois empates recolocaram o Campinense na briga, após ter ficado a onze pontos do 16º colocado na 18ª rodada. O revés em Campinas no sábado é normal até mesmo para quem briga pelo título, então não se pode dizer que acabou o encanto.

O problema paraibano é que o ataque até funcionava, mas a defesa não rendia o esperado – só não tomou gol duas vezes até aqui. Com 48 sofridos e média de 2,18 por partida, ainda é longe do desempenho esperado por quem quer escapar do rebaixamento, mas Freitas Nascimento tem seus méritos: o time tem brigado mais dentro de campo e parece ter se acostumado finalmente ao nível da Segundona. Só resta esperar que não seja tarde demais.

Descendo a ladeira

Enquanto isso, três equipes revezam-se, nas últimas rodadas, nas duas posições restantes do agora chamado Z-4. Juventude, Duque de Caxias e Fortaleza tiveram uma virada de turno desesperadora e, pelo andar da carruagem, deverão brigar contra a degola até o fim.

Grande conhecedor do Papo, Ivo Wortmann ainda não engrenou no comando do Juventude, que tem um dos desempenhos com mais altos e baixos do campeonato: com a mesma facilidade que goleia o Guarani no Alfredo Jaconi por 4 a 1, perde para o ABC na última rodada e consegue empatar em casa com o fraco Duque de Caxias. Nas últimas seis rodadas, foram apenas uma vitória e dois empates.

O Fortaleza, como já dissemos, sofre da síndrome do gol-relâmpago: em várias oportunidades, sofria um gol tão logo marcava, desestabilizando o time e interrompendo a reação. Giba foi embora após um bom começo e uma queda repentina, e Márcio Fernandes ainda não conseguiu motivar o elenco. Estreou bem, goleando o Paraná no Castelão, mas no segundo turno são só derrotas.

Situação mais complicada mesmo é a que vive o Duque de Caxias. Após um início surpreendente no campeonato, só caiu de produção e finalmente chegou à zona do descenso. Foram seis derrotas em nove jogos e Rodney Gonçalves, que tinha um respaldo muito grande da diretoria, não resistiu. Da mesma forma que o Leão, o Duque trouxe técnico novo e até agora, nada: Gilson Kleina perdeu duas e o time pareceu um verdadeiro “catado” em campo, na derrota para o Bragantino.

O pior de tudo é que não há torcida para motivar: tendo que mandar suas partidas em Mesquita, a cerca de 30km de Duque de Caxias, a Águia Tricolor leva cerca de 200 pessoas por jogo ao estádio Giulite Coutinho. As perspectivas de melhora, portanto, são pequenas.

Há ainda muito campeonato para acontecer e outros clubes podem entrar nesta disputa nada gloriosa. Times de mais camisa, como Juventude e Fortaleza, têm elenco e torcida para saírem dessa condição – e o teriam até para brigar pelo acesso, fossem comandados de maneira diferente. Entretanto, com uma ascensão tão repentina de ABC e Campinense, o antes improvável passa a ser bem mais possível. Certeza de emoção para os torcedores até o fim da Série B.

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Equipe Trivela

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