A viagem no tempo (Parte 3)

“Não há nada que você possa querer? Invés desse velho armário de ferramentas?” Perguntei em tom desesperado e nem ao menos lembrei de disfarçar.

“Aposta é aposta, guri” disse o português de longos bigodes e que acabou levando a máquina embora.

Estávamos completamente perdidos. Perdidos no tempo, literalmente. Eu não sabia o que fazer, talvez poderia tentar roubar a máquina ou atacar o português, porém ele era muito maior do que eu e estávamos em território desconhecido.

“O que vamos fazer?” Perguntou meu amigo jovem.

“Não tenho idéia, carinha. Não tenho a mínima idéia”.

O que irá acontecer com nossos super-heróis, ops, viajantes do tempo? Será que conseguirão escapar dessa e ainda chegar na hora do jantar? Não percam a 4ª parte dessa emocionante aventura, na mesma “bat-hora” e no mesmo “bat-local”.

É brincadeira, caro leitor. Este é apenas um pequeno espaço para que você tire a sua pipoca do microondas, regue as plantas, solte a marmota da toca e lave as mãos sem perder o foco dessa emocionante história.

 

A viagem no tempo (Segunda parte da parte 3)

“Hey, Diego? Está acordado?

Eu conhecia aquela voz, era como se eu tivesse feito uma viagem durante uma única piscada. Estava há milésimos de segundos atrás lamentando o fato de ter perdido a máquina do tempo, porém agora estou deparado com o Dr Epaminondas Soares.

“O que aconteceu?”

“Não aconteceu nada, você apenas pegou no sono. Vamos testar a máquina?”

“Doutor, tive um pesadelo horrível. Sonhei que todo o curso da história foi mudado, pois acabei apostando a máquina do tempo em um jogo da Hungria e Alemanha, válido pela Copa de 1954. Apostei na Alemanha, obviamente, mas a Hungria acabou vencendo e acabei perdendo a máquina.”

“Hahá. Que sorte que foi um sonho” respondeu Epaminondas, mas vi que ele apresentava um semblante de que já esperava isso. Não demonstrava estar surpreso.

“Você sabe de alguma coisa que eu não sei, doutor?”

“Diego, não existe máquina do tempo. Foi só um teste que estava fazendo. Eu deixei você muito empolgado e coloquei um sonífero no seu café, logo você acabou dormindo e teve um sonho extremamente detalhado sobre essa sua experiência.”

“Por que você fez isso?” Perguntei indignado.

“Isso provou algumas coisas muito interessantes. Nós sempre sonhamos, mas quando ocorre algo que nos deixa verdadeiramente empolgados, o sonho é reproduzido com uma intensa realidade. O fato de viajar no tempo é algo muito além do que um homem pode imaginar, com isso você teve um sonho extremamente real”.

“Poxa, fiquei triste que era tudo uma mentira” Constatei tristemente

“Pelo contrário. Você estaria numa enrascada se tudo que aconteceu contigo fosse, de fato, verdade. O futebol é um esporte diferenciado, onde nem sempre o melhor vence. Se você realizar 100 jogos de basquete entre Estados Unidos e Etiópia, um exemplo de país que não tem muita tradição nesse esporte, você terá 100 vitórias americanas tranquilamente. O futebol não é bem assim. Quantos resultados inesperados e surpreendentes tivemos na história do futebol? Centenas, talvez até milhares. Se você voltasse no tempo, seria como se essas partidas acontecessem novamente e sabemos que no futebol tudo pode acontecer.”

“Hum, interessante.”

“Até mesmo em Copas do Mundo: a Itália já foi derrotada pela Coréia do Sul e Coréia do Norte. França perdeu para o Senegal, Brasil perdeu para o Uruguai em sua própria casa e com 200 mil pessoas assistindo. São coisas que só acontecem no futebol. Se Itália e Brasil jogassem novamente pela Copa de 82, provavelmente a cabeçada do Oscar entraria no finzinho da partida e o Brasil empataria a partida, ou talvez nem teria todo esse sufoco e o Cerezo acertaria aquele passe. O diferencial do futebol é que aquele ditado, no qual diz que se não puder vencer pelo talento, vença pelo esforço, pode ser fundamental para uma equipe vencer uma partida. Além de que qualquer tipo de pessoa pode se dar bem nesse esporte: baixinhos como Messi e Cannavaro podem ser melhores do mundo, gigantes como Ibrahimovic e Drogba também, até o Puskas que era gordinho foi um dos melhores do mundo. Qualquer um pode jogar futebol, qualquer um pode ser um grande jogador e qualquer um pode fazer a diferença. Não é a toa que dizem que cada jogo conta uma história completamente diferente, talvez deveriam explicar que isso somente se aplica ao futebol”.

“Uau! Você tem toda razão Dr Epaminondas. Até fiquei menos triste depois disso que você falou. Agora tenho de ir, até outro dia!”

Como alguém pode me fazer perder tanto tempo e ouvir tanta baboseira? Não é, leitor?

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Equipe Trivela

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