A viagem no tempo (parte 2)

Quando a chapeuzinho vermelho percebeu que sua avó estava com aqueles olhos grandes. Ops, história errada caro leitor. Aonde paramos mesmo? Já me lembrei!

O meu grande amigo Diego não parava de perguntar como tinha sido o ano de 2005.

“Você quer realmente saber? Vai perder toda a graça se eu te contar?”

“Claro que eu quero saber, me conte tudo o que aconteceu em 2005, 2006, 2007 e tudo que você souber!”

“Calma! Também não é assim. Só vou te contar algumas coisas, nada além disso. Ok?”

“Tá bom, pode ser.”

“O Corinthians está comemorando o título brasileiro desse ano. O Santos foi campeão paulista e o São Paulo vencerá o Liverpool no mundial de clubes no fim do ano”

“Que interessante! E quem vai ganhar a Copa do ano que vem?”

“Togo”

“Sério?”

“Claro que não, zebras acontecem, mas também não é pra tanto”

“Até que não é tão impossível assim, você já ouviu falar no milagre de Berna? No qual a Alemanha surpreendeu o mundo e superou a Hungria? Ninguém esperava aquilo”

Meu Deus! Que orgulho. Esse garoto sabe coisas no qual eu nem me lembrava mais que sabia. Ele tinha razão. A Hungria era campeã olímpica e estava invicta até a final da Copa do Mundo em que perdeu a final para a Alemanha. Saiu vencendo por 2 a 0 e tomou a virada, no qual o futebol húngaro nunca mais se recuperou.

“Você tem razão, podíamos ver esse jogo o que acha? Vou tentar operar a máquina aqui e ajustar para 1954.”

“Nossa! Sério? Não consigo imaginar assistir um jogo desses sem ser preto e branco”

“Venha, acho que consegui arrumar.”

A máquina fez exatamente a mesma coisa: o mesmo barulho e o mesmo clarão. Quando ela se estabilizou descemos e estávamos numa cidade estranha.

“Será que estamos na Suiça?” Perguntou o garoto de estranhas costeletas.

“Não sei. Vou perguntar para alguém.

Encontrei um senhor e fui logo perguntar para ele, mas lembrei que não sabia falar a língua daquele país. Notei que estávamos próximos de um estádio de futebol e a movimentação era muito grande.

“Cara, vai ser impossível entrarmos no estádio. Não tenho a moeda daqui e nem sei perguntar nada. Teremos de voltar e tentar alguma coisa.”

“Ei, vocês! Querem entrar no estádio?” disse um senhor bigodudo

“Você fala português?” perguntei surpreso

“É claro, sou portugues.” disse o senhor com um grande bigode

“Queríamos ir no jogo, mas não temos dinheiro.” Eu disse com aquela voz de “coitadinho” torcendo para que tivesse pena de mim.

“Eu tenho dois ingressos sobrando, mas eles são muito caros.” disse o senhor que não me lembro de ter mencionado aquela taturana abaixo do seu nariz.

“Podemos apostar, o que acha?” disse o meu querido amigo de costeletas

“O que vocês tem a oferecer” perguntou sr Bigodes

“Temos algo muito legal para apostar, uma aposta alta” disse eu

Mostrei a ele a máquina do tempo, mas disse que era um armário para guardar ferramentas. De fato a máquina era grande por dentro e parecia também um armário, mas era bem espaçosa e lá dentro cabia 3 pessoas confortavelmente. Logo cabia também um bocado de ferramentas. Ele concordou com a aposta.

Entramos no jogo. Caro leitor, foi uma das coisas mais maravilhosas que eu já vi. Apesar de eu não entender nada o que gritavam e não reconhecer praticamente nenhum jogador. Era notório a grande presença de crianças e mulheres. Isso é comum no futebol europeu, mas tinha muitas crianças.

O único jogador que eu tive impressão de conhecer era o Puskas, porque ele jogava no ataque e era baixinho e gordinho.

A Hungria abriu 1 a 0, 2 a 0 conforme o imaginado e a Alemanha diminuiu, empatou e… tomou o terceiro da Hungria no finzinho. Perdendo o jogo

Eu perdi a máquina do tempo. Como era possível? Eu tinha certeza que a Alemanha venceria o jogo? Não era possível.

Tentei implorar para o português, ofereci um barbeador elétrico, mas não adiantou. Ele era marceneiro e aquele armário seria muito interessante para ele. O meu caro amigo de costeletas estava desesperado, chorando. Sabia que quando visse seus pais, provavelmente teria idade para ser avô deles.

Estávamos sem máquina do tempo, sem dinheiro, num país estranho que não sabíamos nada sobre a cultura.

(CONTINUA)

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Equipe Trivela

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