A vacina é melhor que o câncer?

Há uma expectativa muito grande sobre a possível renúncia de Ricardo Teixeira, todo-poderoso do futebol brasileiro há 23 anos. Por todo o mal que ele já fez, é válido que se comemore a renúncia, mas é bom ter os pés no chão. Nada vai mudar, a não ser a falta de necessidade de conviver com pessoa tão autoritária e asquerosa.

O modo como ele sai de cena (se vai sair mesmo) é um indicativo disso. Não está deixando o osso por conta de uma reação do futebol brasileiro e sim por conveniência própria. Se a saída é por conta de alguma pressão ela vem lá de fora, por conta de sua briga com Blatter ou algo assim. Se dependesse da oposição brasileira, continuaria mandando por séculos. E, em seu lugar, entrará alguém da mesma laia.

O lugar-comum reserva a Ricardo Teixeira a mesma frase que se dizia sobre Eurico Miranda: “é um câncer que assola o futebol brasileiro”. Pois, é. Eurico é passado, uma lembrança ruim. E o futebol brasileiro melhorou sem ele? É lógico que faz vem aos ouvidos não escutar mais aquelas bazófias todas, mas, pergunto novamente, o futebol brasileiro melhorou sem ele?

Se Eurico e Ricardo Teixeira são o câncer, quem é a vacina? Vamos dar uma olhada nos presidentes dos grandes clubes brasileiros e ver se algum deles é credor de esperanças, se algum deles tem condições de comandar alguma renovação.

MÁRIO GOBBI – Venceu as eleições do Corinthians apoiado por Andrés Sanchez, que é unha e carne com Ricardo Teixeira. Ronaldo Fenômeno é outro ligado a Andrés, Gobbi e Teixeira. Mário Gobbi é ex-delegado e no comando do clube há ex-bicheiros e ex-bingueiros. Dá para confiar?

JUVENAL JUVÊNCIO – Mudou os estatutos do São Paulo para ter direito a um mandato a mais. Ele e seus diretores gostam de posar como oposição à Teixeira – e realmente foram na eleição do Clube dos 13 quando ficaram contra Kleber Leite, o candidato de Ricardo Teixeira – mas não possuem poder de articulação. Não passa de uma farpa aqui e outra ali, principalmente depois que o Morumbi, de forma injusta, foi rifado da Copa. Dá para confiar?

ARNALDO TIRONE – O presidente do Palmeiras levou o clube à uma posição secundária na briga política paulista. É aliado de Andrés e Marco Polo Del Nero contra o São Paulo. Aceita, por exemplo, mandar o clássico em Prudente, mesmo quando treinador e jogadores preferem jogar no Pacaembu ou Barueri. É apenas um peão no jogo. Não tem voz alguma. Dá para confiar?

LUIS ÁLVARO – Teve atitude diferenciada e conseguiu manter Neymar no Brasil, apesar do assédio europeu. Mas não passa disso, não busca novos vôos. Enquanto Neymar estiver por aqui, ele já cumpriu sua cota de modernidade. Dá para confiar?

PATRÍCIA AMORIM – Uma presidente de clube que faz trancinhas e dancinhas para homenagear Vagner Love, contratado a peso de ouro enquanto outros jogadores não recebem é apenas mais do mesmo. Dá para confiar?

MAURÍCIO ASSUNÇÃO – Quando se discutia a assinatura de contrato com a televisão no ano passado, disse que o Botafogo seguiria a Globo sempre, mesmo que fosse para receber menos. Ao fazer isso, coloca o tradicional clube brasileiro no mesmo nível da Xuxa ou do Galvão Bueno. Um empregado a mais da Globo. Dá para confiar.?

PETER SIEMSEN – Está muito cômodo na direção do consórcio Flu-Unimed, em que o clube tem muito menos peso que o patrocinador. Não se envolve além disso. Dá para confiar?

ROBERTO DINAMITE – Esqueça que Eurico Miranda foi seu antecessor e diga, honestamente, se há algo a comemorar na gestão do ex-craque. É só lembrar que não havia um médico para acompanhar o treino dos garotos que sonhavam em jogar no clube. Um deles morreu. A presença de um médico poderia ser inócua, mas a dúvida mancha a gestão de Dinamite. Ah, ganhou a Copa do Brasil. Parabéns, foi muito importante (sem sarcasmo ou ironia) mas, aí é bom lembrar de Eurico, que ganhou muito mais. Dá para confiar

Posso ser pessimista, mas não vejo vacinas contra o câncer chamado Ricardo Teixeira. Não há muita diferença entre eles e os cartolas dos grandes clubes. Se houvesse, ele não estaria há tanto tempo La.

PS: resgatei esse post após saber da renúncia de Ricardo Teixeira. Falei de nomes do Sudeste, mas não acredito em nomes de outros estados também.
 

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Equipe Trivela

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