A Europa é minha casa

O pedigree europeu do Liverpool não é segredo para ninguém. Se formos falar apenas dele, comentaremos apenas o que já foi dito em tantas oportunidades. Chega a ser absurdo o quanto o time de Rafa Benítez cresce quando chega a hora de decidir na Liga dos Campeões.

A goleada de 4 a 0 sobre o Real Madrid, no entanto, transcendeu até as expectativas coerentes com a fama dos Reds. Com uma atuação próxima da perfeição, os cinco vezes campeões deram um baile dentro de campo – e ninguém questionou o placar, por mais que os dois primeiros gols tenham saído de decisões controversas da arbitragem.

Talvez a melhor forma de interpretar a força do Liverpool nestes momentos não tenha apenas ligação com a atmosfera das noites europeias em Anfield. A equipe desenvolveu uma incrível capacidade de render seu melhor nos jogos importantes, contra os melhores adversários. A goleada de 4 a 1 sobre o Manchester United neste sábado, pela Premier League, dentro de Old Trafford, não deixa mentir.

As belas atuações de Gerrard, Mascherano e sobretudo de Fernando Torres, que entrou em campo sem condições físicas ideais, devem fazer do Liverpool um rival que todo mundo, inclusive os rivais domésticos, fará questão de evitar no sorteio da próxima sexta.

O simples fato de Casillas ter sido o melhor jogador do Real Madrid na partida da última terça, apesar da goleada, mostra o que foi a diferença entre os dois times em campo. Parecia que apenas o Liverpool tinha comparecido. Cannavaro e Pepe, dupla de zaga sólida para a liga espanhola, cometeu uma falha atrás da outra e tornou tudo mais fácil para os anfitriões.

Para os Merengues, foi mais do mesmo. Quinta eliminação consecutiva nas oitavas-de-final, em uma campanha que não teve nada de positivo. Nos quatro jogos em que foi exigido, perdeu: dois para a Juventus, na fase de grupos, e os dois contra o Liverpool no mata-mata.

Os outros jogos

Manchester United 2×0 Internazionale (2×0 na soma)

Desta vez, o freguês levou a melhor. Alex Ferguson, que havia vencido apenas um dos 13 confrontos anteriores com José Mourinho, viu seu time prosseguir a caminhada para se tornar o primeiro bicampeão europeu em quase duas décadas.

O gol de Vidic logo aos 4 minutos, em uma falha de marcação de Vieira (inexplicavelmente escalado no lugar de Muntari) mudou a dinâmica do jogo. O United concedeu muito espaço à Inter, que só não saiu na frente porque falhou nas finalizações. Ibrahimovic, mais uma vez, ficou abaixo das expectativas no cenário europeu.

A história se repetiu na segunda etapa. Cristiano Ronaldo marcou logo no início, deu tranquilidade aos Red Devils e obrigou a Inter a se abrir ainda mais, passando a jogar com três atacantes com a entrada de Adriano. O voleio na trave do brasileiro foi a única ocasião clara para recolocar os nerazzurri no jogo.

Em resumo, não foi uma atuação brilhante do United, e ainda assim foi suficiente para superar a tricampeã italiana.

Juventus 2×2 Chelsea (2×3 na soma)

Nas eliminações contra o Liverpool, em 2005, e o Arsenal, em 2006, a Juventus deixou o campo sob protestos de seus torcedores. Desta vez, foi aplaudida. Ficou a sensação de que a Vecchia Signora foi até seu limite e caiu simplesmente porque o adversário era superior.

Atuando com três atacantes desde o início, a Juve controlou a primeira meia hora de jogo e saiu na frente merecidamente, com Iaquinta. Com o confronto igualado, o Chelsea se soltou mais e de um duro golpe psicológico nos italianos no fim do primeiro tempo, com o gol de Essien. O gol dos Blues poderia ter saído pouco antes, em uma cobrança de falta de Drogba que deixou dúvidas sobre o fato de ter ou não cruzado a linha antes da defesa de Buffon.

A expulsão de Chiellini com o segundo cartão amarelo na segunda parte complicou ainda mais a Juventus, que mesmo com um jogador a menos foi capaz de marcar o segundo gol, no pênalti convertido por Del Piero. Depois, não faltou disposição, mas faltou forças para chegar ao terceiro. Letal, Drogba definiu a classificação do Chelsea no cruzamento de Belletti.

Roma 1×0 Arsenal (1×1 na soma, 6×7 nos pênaltis)

Os desfalques deram o tom do confronto. Se o Arsenal não contava com Adebayor e Fàbregas, a Roma estava sem titulares importantes como De Rossi, Perrotta e Mexès.

Juan sentiu uma lesão logo no início da partida, mas permaneceu em campo para marcar o gol e resistiu por quase meia hora antes de ser substituído por Júlio Baptista. Então, Luciano Spalletti fez uma mudança tática inesperada, recuando Riise para a zaga, e o norueguês foi surpreendentemente bem, dominando o setor.

O Arsenal optou por reduzir o ritmo da partida e valorizar a posse de bola o máximo possível. As pernas da Roma começaram a pesar, sobretudo as de jogadores em condição física não ideal, como Totti e Pizarro. Assim, a prorrogação foi arrastada e os dois times se deram por satisfeitos em entregar a sorte aos pênaltis.

O erro de Eduardo deixou a Roma em vantagem logo de cara, mas Vucinic desperdiçou a terceira cobrança de forma quase amadora – chutou no meio do gol, com Almunia já caído. O empate se manteve até Tonetto mandar por cima do travessão e acabar com as esperanças dos giallorossi de decidir o título em casa.

Barcelona 5×2 Lyon (6×3 na soma)

O poder ofensivo do Barcelona assusta. Quando Messi, Eto’o e Henry estão inspirados, o que não é raro, fica difícil conter a linha de frente do time dirigido por Pep Guardiola. Some-se a isso um meio-campo forte e criativo, com Xavi, Touré e Iniesta, e fica fácil entender como saíram quatro gols tão facilmente no jogo do Camp Nou.

A defesa, especialmente por estar desfalcada de Milito e Puyol, se mostrou frágil e deve ser a principal ameaça às esperanças do Barça de conquistar seu terceiro título europeu, o segundo em quatro anos. Quando o Lyon descontou para 4 a 2, no início da etapa final, houve quem ficasse com um frio na espihna. Aos poucos ele foi passando, e quando Keita marcou o quinto, já nos acréscimos, o sufoco já havia passado.

O gol mais impressionante da noite foi o terceiro do Barça, marcado por Messi. O argentino cortou da direita para o meio, driblando dois adversários como se eles não estivessem ali, tabelou com Eto’o e acertou uma conclusão precisa no canto. Parece ser um destes casos em que o título de melhor jogador do mundo já está entregue em março.

Bayern de Munique 7×1 Sporting (12×1 na soma)

O Sporting jogou a toalha depois de levar 5 a 0 em casa, deixando de fora alguns de seus principais jogadores, como Liedson e Romagnoli. Mas o Bayern, mesmo desfalcado de Toni, Ribéry e Borowski, não tirou o pé do acelerador e construiu o maior placar agregado desde a criação da Liga dos Campeões, em 1992.

Podolski, de saída já acertada para o Colônia, foi o destaque do Bayern, com dois gols. O protagonista negativo da partida foi o zagueiro brasileiro Anderson Polga. Não satisfeito em falhar feio nos dois primeiros gols, ainda presenteou o terceiro, marcando contra.

O Bayern tem material humano para sonhar com o título – e de certa forma, como o Liverpool, reserva suas melhores noites para a Europa –, mas não será o confronto com o Sporting a servir de parâmetro. A deficiência do time português foi escandalosa nas duas partidas.

Porto 0x0 Atlético de Madrid (2×2 na soma)

Parecia até que o empate sem gols era favorável ao Atlético e não ao Porto, pelo que se viu em campo. Deu muito o que falar a inexplicável decisão do técnico Abel Resino de começar com Forlán no banco de reservas.

As melhores chances da partida foram do time português, e apesar da incompetência dos atacantes a classificação pode se considerar justa. Pela primeira vez desde o título com Mourinho, em 2004, os Dragões vão às quartas.

Panathinaikos 1×2 Villarreal (2×3 na soma)

Nenhum time espanhol havia vencido na Grécia antes do Submarino Amarelo, o que deixa entender que o feito não deve ser subestimado. A responsabilidade é, em parte, do próprio Panathinaikos, que confiou demais no empate sem gols que garantiria a classificação.

O gol de Ibagaza acordou os gregos, que reagiram logo em seguida com Mantzios, mas um contra-ataque bem construído resultou no gol de Llorente que selou a classificação do time espanhol, que chegou às semifinais em 2006.

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Equipe Trivela

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