A estatização e o protecionismo no futebol brasileiro de Dilma

Dia 15 de novembro de 2012. A presidenta Dilma começa seu discurso lembrando que gosta de ser chamada de presidenta. Ali, com os olhos vermelhos, a Patrícia Amorim da nação ensaiava uma das medidas mais fantásticas e fanáticas de toda história do futebol mundial. Nem mesmo na China, na Venezuela, na Bolívia, em canto nenhum do mundo um país teve a coragem de nacionalizar sua riqueza… dentro e fora das quatro linhas. A partir do lançamento de Dilma, todos clubes brasileiros da primeira, da segunda e da terceira divisão pertenciam ao estado brasileiro.

Caberia à Petrobras, com seu know how acumulado na exploração do pré-sal, tirar do fundo do poço aqueles mais ferradinhos. José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras e do PT, agiu nos bastidores para levar seu Botafogo para dentro do governo, assim o afastando das garras de Eike Batista, outro botafoguense, mas muito entreguista para o gosto do petista.

– Mais entreguista que o Lucio Flavio – definiu, nos bastidores, Dutra.

Na fatia que pertencia à estatal do petróleo, entraram também Atlético-MG, Vitória, Bragantino, Grêmio (a contragosto de Dilma), Santa Cruz e outros menos votados, como o saudoso Paysandu e Remo. Uma junta paraense, que desistiu da separação no estado, desistiu também da briga com o arquirrival. Nos próximos dias, a presidenta iria anunciar a repartição entre os companheiros de cada direção dos times brasileiros. O PMDB corria para garantir a nomeação nos principais clubes do país.

Brigado com a Eletrobras, após negar colocar uma lâmpada de eletricidade em forma de publicidade e de ideias no banco de reservas do Vasco (o técnico Cristóvão reagiu mal à brincadeira sem graça), o time de São Januário rompeu com a empresa e ficou de fora do acordo. Entraram no pacote desta outra estatal o rival Flamengo, o Fluminense, o São Paulo e até o Santos, que teria Neymar como garoto-propaganda. A peça aprovada mostrava Neymar tomando um choque com 17 para 18 anos. O santista se olhava no espelho, via seu cabelo todo arrepiado e, então, se inspirava no corte que virou moda em todo o mundo.

A intervenção de Dilma foi ainda mais direta no seu time de coração. O Internacional ganhou o patrocínio e a estrelinha do PTno uniforme, uma torcida chamada “Caixa Dois” (em referência à Camisa 12 corintiana) e o primeiro gesto de repatriamento de craques. Dias depois do anúncio, Alexandre Pato desembarcava em Porto Alegre nos braços do povo e de mãos dadas com a filha de Dilma. Nos corredores do Planalto Central a historinha que se contava era que Barbara Berlusconi virava chifruda.

– Ela ligou para o Pato e disse: “Gosto de de homem mau caráter mesmo. Se não serve pra ministro, serve pra jogar no meu time. Volta pra cá agora” – contou uma fonte próxima à presidenta Dilma.

Uma linha de crédito de R$ 800 bilhões tinha sido aprovada pelo BNDES para o retorno de jogadores a seus clubes de origem. Todo mundo se reforçou, menos o Grêmio, rival da presidenta.

Na CBF, as mudanças são muita maiores do que se pensava. Sem Ricardo Teixeira e com a queda de José Maria Marín, que não resistiu ao vídeo da internet que ficou conhecido como “ganhei medalha, mas perdi o anel”, o caminho ficou livre para o ufanista e patriota preferido da presidenta.

“Bem, amigos”, iniciou Galvão Bueno, outro discurso histórico. O delírio de Dilma foi ainda maior com a justificativa de tanto tempo que Galvão ficou fora do país.

– Acumulei riqueza em Monaco para agora distribuir. Comprei a Rede TV e vou refundar a minha querida CNT no lugar dela. Para quem não lembra, até transmiti Copa do Brasil por ela. Na época, me iludi, pensei que ela se chamava Confederação Nacional dos Trabalhadores. Pensei que trabalhava num braço do PT – disse, em lágrimas, o locutor e agora presidente da CBF.

Nem mesmo as denúncias de que a indicação de Galvão favorecia a exportação da marca de vinho de sua propriedade tirou a validade do novo cargo do ex-bam bam bam da Rede Globo. “Meu vinho é o Braaaasiiiiiil no mercado mundial. É produto nacionaaaaaaal”, se esgoelava em justificativa Galvão, provocando risos na plateia.

A surpresa não foi menor quando Dilma chamou Jorge Kajuru. Ele agora seria o assessor de imprensa da CBF. E, a tiracolo, a dupla se encarregava de trazer de volta Dunga ao cargo de treinador da seleção.

– Minha primeira medida, já que nesse país se faz reality show de tudo, é prender Neymar e Marta numa casa em Dubai. Lá, eles podem ter um filho, que vai nascer homem. Vamos também adiar a Copa de 2014 para 2036. Aí o moleque craque vai estar amadurecido e as obras vão terminar – afirmou Kajuru, que se borrou de tanta emoção.

– Cagão de merda – brincou Dunga, ao fim da coletiva mais insana do futebol brasileiro.
 

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Equipe Trivela

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