'A bola não pode parar'

São Paulo, 21 de outubro de 2508

– Kristian, vamos nos esconder aqui – gritou o outro garoto de 12 anos, buscando um esconderijo na pacata rua. A turma optou pela brincadeira que Kristian propusera, algo que não se praticava mais havia muito tempo. E a sugestão rendeu: estavam há horas na tarefa de contar até cinqüenta e esconder-se nos limites da rua.

– Onde você quer ficar escondido agora, Zillig? – perguntou Kristian, voltando-se para a direção do amigo inseparável.

– Ali – esperando uma reação anormal, Zillig indicou a casa em ruínas, antiqüíssima, totalmente destoante das novas construções que adornavam a moderna rua de classe média da eternamente imensa São Paulo.

– Tá maluco? Ninguém chega perto dessa casa, é assombrada! Não entraria aí nem se fosse o último lugar do mundo! – refutou Kristian, veementemente.

– Quem te falou que ela é assombrada? Só porque ela é antiga? – Zillig tentava encorajá-lo. – Dizem que ela é mal assombrada. Nunca ninguém provou. E se ninguém entra nela, como podem dizer que existem fantasmas lá dentro? – Kristian balançou com o argumento.

– Existem muitos outros esconderijos que a gente pode procurar ao invés desse resto de casa – ele ainda não queria dar o braço a torcer.

– Pode ser, mas raciocina, cara: quem iria nos procurar nesse lugar? Todo mundo tem medo dela! Jamais nos buscariam ali. Daí, é só esperar acharem o resto da turma que a gente ganha essa! – Zillig finalmente convenceu Kristian, a muito custo, mas moveu o amigo da inércia. Ainda relutante, ele acompanhou o destemido companheiro até a entrada.

– Quanto tempo será que essa casa ficou sem ver gente? – Zillig indagou, curioso, desejoso por satisfazer o seu espírito de explorador.

– Tempo suficiente para ninguém se atrever a voltar – gemeu Kristian, arrependido por ter aceitado aquela oferta insólita. – Já pensou no que podemos encontrar aí?

– Ora, o máximo que pode haver nessa casa desolada é uma ossada de uns quinhentos anos! – Zillig proferiu a sua idéia com a maior naturalidade do mundo, assustando ainda mais o indeciso amigo. O que poderia ser verdade, pois rezava a versão de que o imóvel estaria desabitado há quase cinco séculos.

Aos empurrões, ele foi conduzido ao espaço interior da residência, junto a Zillig, que não temia as surpresas que poderiam encontrar.

De fato, a casa era uma construção à moda antiga, datada das últimas décadas do século XX. Nada tinha a ver com as novas técnicas de construção civil do século XXVI. E não fora implodida, como a imensa maioria de edificações deste tipo. Simplesmente ficou ali, devido à vontade intransigente de um proprietário excêntrico, o qual desejava manter o imóvel do jeito que estava – certamente para algum fim igualmente esdrúxulo.

Lá dentro, os dois garotos foram invadidos pela natural curiosidade. Kristian até esqueceu-se do pavor, e compartilhava cada vez mais a experiência do novo. Coisa que o próprio Kristian já estava experimentando, ao propor uma brincadeira completamente desconhecida para a época.

– Quem inventou esse negócio… como é o nome mesmo? – quis saber Zillig

– Esconde-esconde?

– Isso!

– Quem inventou, eu não sei. Mas meu tataravô sempre contava de como gostava de brincar disso quando era novo. Ele me contou tanto a respeito, como se divertia, como passava o dia inteiro pela rua, escondendo-se, esgueirando-se pelos muros… que eu quis sentir como era.

– Vou pesquisar mais depois na Inforede, também gostei desse troço – admitiu Zillig, fascinado. Dirigiram-se até os velhíssimos e precários móveis da sala, em silêncio. Quebrado por um ruidoso espirro de Kristian.

– Nossa, quanta poeira – Zillig reclamou, mexendo numa espécie de estante, cheia de objetos indecifráveis para eles.

– O que será tudo isso? – Kristian criou coragem e enfiou a mão num compartimento protegido apenas por uma capenga porta de vidro, todo carcomido pela ação da poeira e das intempéries.

– Acho que já vi uma foto disso antes – reconheceu Zillig, manuseando o redondo e chato objeto. – É um CD.

– CD? Que diabo é isso?

– Acho que armazenavam arquivos de computador neles… Tudo: vídeos, músicas…

– Nossa, como é enorme! Devia ser difícil carregar um monte desses ao mesmo tempo… Como será que guardavam esses arquivos nesse treco?

– Eu não sei, mas na Inforede deve existir alguma informação de como podemos ver o que tem aqui dentro.

– Você vai levar? – espantou-se Kristian, intrigado.

– É lógico, sempre fui doido para saber o que tinha de tão diferente aqui… – revelou Zillig, sem cerimônia. – E está vendo, nenhum fantasma!

– É, tenho que admitir, as pessoas são idiotas mesmo… Em pleno ano de 2508, acreditar numa história dessas…

Os dois saíram pelos fundos. Passaram um tempo que não contabilizaram dentro da residência abandonada, esquecendo-se até da finalidade inicial: um esconderijo para a mais nova brincadeira introduzida por Kristian.

Lembrando-se do esconde-esconde, a dupla percorreu toda a rua pelos fundos das casas, e sem serem vistos pelos demais, que continuavam à procura dos dois desaparecidos, chegaram à casa de Zillig, tinindo de curiosidade.

Galgaram os degraus da escada como raios, alcançando o quarto. Sobressaltados, ligaram o computador e Zillig, em dez minutos, obteve as informações que desejava. Excitado, descobriu que tinha tudo que precisava no seu próprio quarto. Em segundos, converteu o conteúdo do CD e levou-o ao interior do seu computador. Ansiosos, abriram o único arquivo, uma extensão antiga de vídeo.

– Começa a partida! – uma voz entusiasmada anunciava o início de alguma coisa. A imagem, incrivelmente nítida, exibia um retângulo muito grande na cor verde, coberto de grama, com algumas marcações em branco. As primeiras imagens eram panorâmicas, mostravam também um enorme anel em volta do retângulo, tomado por muita gente. No centro, dois grupos de pessoas – todos homens – divididos por cores, um grupo em cada metade. E, ao som de um apito estridente, começaram a correr… atrás de uma bola. Mas, não todos ao mesmo tempo. Um, dois, três, no máximo, revezavam-se na tarefa de retirar a bola do outro de cor diferente.

– O que será isso? – Kristian estava no auge da curiosidade.

– O que será e quando isso foi gravado? – Zillig estendeu a indagação.

Passados trinta minutos de um acompanhamento atencioso e silencioso do vídeo pelos dois jovens, eles assistiram, maravilhados, ao que identificaram como o principal momento: o time de branco, com listras coloridas horizontais na camisa, saiu correndo na direção do campo do outro time, de preto. A bola passou de pé em pé, chegou ao lado esquerdo do gramado, foi rolada para a entrada de um retângulo menor, na altura de uma lasca de círculo. Dali, num passe rápido, a bola chegou a um espaço vazio para um outro homem vestido do mesmo branco, que pegou a bola e chutou, estufando uma rede que ficava presa a três hastes metálicas, formando um retângulo vazado. Depois de fazê-lo, o mesmo que enfiou a bola dentro daquele retângulo com redes saiu correndo como louco, gritando, pulando, em direção a uma avalanche de gente que assistia a tudo naquele anel externo, como se estivessem um em cima do outro, berrando e pulando ainda mais que o próprio homem do gramado. Logo, mais alguns da mesma roupa chegavam junto ao que protagonizou a cena, abraçando-o,fazendo uma coreografia estranha.

O grande fato despertou a dupla do torpor, que passou a formular uma série de teorias sobre o que seria aquilo, mas, principalmente, acerca do próprio evento em si.

– O objetivo é esse, colocar aquela bola naquela caixa com a rede – deduziu Kristian, sentindo a curiosidade aumentar.

– E só pode com o pé, só quem pode usar a mão é aquele que fica na frente dessa caixa – Zillig expandia as idéias.

– Provavelmente, ele é quem protege essa caixa, por isso é que pode utilizar as mãos – complementou Kristian.

– Eu quero ver até o fim! – afirmou Zillig, que contou com a inteira concordância do amigo.

Faltando dez minutos para o fim da partida, os amigos do esconde-esconde invadiram de surpresa o quarto de Zillig. E surpreenderam ambos atônitos em frente à tela virtual do computador, exibindo alguma coisa incompreensível.

– Vocês sumiram, vieram pra cá, nem avisaram… – um deles reclamou, mas não recebeu qualquer resposta em troca. Olharam para Kristian e Zillig e viram que os dois estavam boquiabertos.

Os outros amigos – dez meninos – lotaram o quarto, e vendo que a dupla sequer falava, resolveu acompanhar o que tanto chamava a atenção deles – e tentar entender também.
Foram dez minutos de intensa emoção o que reservava a gravação. Quatro gols, dois para cada lado, além dos outros três que já haviam ocorrido. Ao final, os doze garotos começaram a falar ao mesmo tempo, cada um expondoa sua tese do que aquilo seria. Era tanto alvoroço que a mãe de Zillig foi bisbilhotar para conferir tamanha gritaria.
Sem entender, ela viu os doze garotos descerem as escadas correndo, pois Kristian tivera uma idéia de como desvender aquele mistério.

Na casa de Kristian, ele encontrou o tataravô repousando tranqüilo na varanda dos fundos, lendo algum livro que falava, provavelmente, do passado. De um pretérito bem retomo, longínquo. Do passado que ele gostava tanto de lembrar.

– Kristian, voltou cedo da rua… – admirou-se o idoso senhor, cessando momentaneamente a sua leitura. – Não gostou da brincadeira?

– Não, vô, eu adorei… mas, descobrimos uma coisa totalmente nova, e acho que você pode saber o que é.

– E onde está?

– Está aqui – ele mostrou o CD, e os olhos do avô brilharam.

– Um CD? Onde encontrou isso? – Kristian virou para trás e sorriu para os amigos, com cara de quem tinha realmente acertado na mosca.

– Eu vou contar tudo… mas, venha comigo, vô, você precisa assistir ao que tem aqui dentro – convidou Kristian, mas na verdade, o conteúdo que o seu tataravô iria conferir já estava devidamente convertido para a tecnologia contemporânea de 2508.

O avô viu apenas um minuto do vídeo.

– Garotos, essa era a maior paixão do povo desse país! – ele afirmou, com grande prazer. – Você já me ouviu contar sobre o futebol, Kristain?

– Lembro essa palavra… mas não me recordo do que era…

– Isso – ele apontou o vídeo – é futebol. Era um esporte, o mais popular do mundo. O planeta inteiro jogava! Havia campeonatos emocionantes, times incríveis, jogadores fenomenais! – o tataravô, à beira das lágrimas,relatava para os doze garotos a magia e a glória do que foraum dia, a maior manifestação esportiva do planeta. – Era tão… supérfluo… inútil no dia-a-dia… mas tão bom, tão fácil de entender, tão gostoso de conversar… Era um remédio para o estresse.

– E você jogou esse tal de futebol? – um dos garotos atreveu-se a perguntar.

– Mas é claro, filho – confirmou o velho. – E muito! E como eu jogava, vocês precisavam ver…

– Você jogava nesse… estádio? – Zillig.

– Não, não cheguei a tanto – decepcionou-se o avô. – Mas já fui várias vezes a muitos deles, torcer, vibrar pelo meu time.

– Vô, se era tudo tão bom, tão incrível… por que acabou?

– Ah, filho… – o ancião suspirou, com dor no coração. – Você não sabe do que o ser humano é capaz… Vinham transformando o futebol em caixa registradora, sugando-o para recolher a maior quantidade de dinheiro possível… Mas, as guerras dos séculos e XXIV e XXV interromperam tudo. Nada andou para frente durante esses duzentos anos negros, muito pelo contrário. Muita coisa simplesmente desapareceu, e não foi retomada. O futebol, infelizmente, entrou nessa lista.

– Está contando lorotas para o seu neto de novo, pai? – uma nova voz, feminina, adentrava a conversa sem convite. A mãe de Kristian, trazendo suco para a trupe.

– Venha ver a prova do que eu sempre falei para você, sua teimosa – o velho, com um sorriso enorme no rosto, exibiu, triunfante, o vídeo do futebol que sempre descreveu em família, mas nunca foi levado a sério.– Viu como nunca menti? Viu que não estou ficando desmemoriado? – a mãe de Kristian ficou sem palavras, apenas com a boca aberta, emudecida.

– Kristian, eu não sei você, mas morri de curiosidade de ver como isso é na prática – Zillig maquinava mais uma de suas idéias repentinas e inusitadas.

– Você tirou as palavras da minha boca, cara – respondeu o companheiro inseparável. – Nós vamos jogar futebol!

Uma semana passou-se num sopro, e a primeira partida de futebol de séculos seria realizada, na rua de casa. Os doze garotos, alvoroçadíssimos, espalharam a novidade para todo mundo, mas apenas com a boca. O vídeo ainda era segredo. Queriam ser os primeiros a demonstrar, ao vivo, a descoberta.

Kristian e Zillig voltaram à ex-casa mal assombrada para ver se descobriam mais. Localizaram livros, jornais antigos, enciclopédias e novos CDs carregados de informação sobre futebol. Consumiram tudo aquilo em horas, viveram boa parte da história do futebol em uma semana.

A bola para o jogo do milênio era artesanal. Não houve escolha, esportes com bola semelhante não existiam em 2508. Praticaram os movimentos durante toda semana. Muitos se descobriram com bastante habilidade. Mas, não conseguiram treinar muito coletivamente, a ação propriamente dita. Temiam fazer feito diante de muitos outros garotos das outras ruas, que confirmaram presença para ver o que tanto fascinou aquele grupo de meninos.

O avô, que ainda caminhava, topou apitar a partida. Ele era a testemunha, a enciclopédia viva de uma história que morreu, mas ressuscitaria pelo menos durante duas horas. E conhecia as regras. Não precisaria correr, pois o campo de jogo marcado pelos doze amigos era bem menor, afinal teriam que se dividir em dois para formarem os dois times. E, para impressionar ainda mais, até uniformes conseguiram providenciar.

O avô soprou o apito abafando a emoção no peito. E desengonçados, a princípio, os garotos passaram os primeiros quinze minutos apenas tocando, testando, aventurando-se pouco. Conhecendo o terreno. Mas, à medida que o tempo passava, a mesma habilidade apresentada por muitos deles voltou a aparecer, e com meia hora de jogo, todos praticamente se sentiam à vontade numa atividade que jamais imaginaram um dia realizar.

Os noventa minutos da partida esgotaram-se sem que ninguém percebesse. O placar não importava, embora quatorze gols não pudessem ser simplesmente ignorados. Agora sim, sabiam até a terminologia correta. O retângulo vazado com rede era o gol, nome também do principal objetivo do esporte. Conheciam os jargões: área, meia-lua, pênalti… O avô de Kristian foi de grande valia.

Ele assoprou o silvo final, encerrando o espetáculo. Ao fim, gritaria e euforia do público espectador, e aplausos. Todos os outros meninos circundaram os doze pioneiros, banhando-os com incontáveis perguntas. O bichinho do futebol havia sido introduzido neles, e agora não queriam parar.

Mais um mês desenrolou-se rápido, ativo, o entusiasmo numa reta crescente. Havia vinte times no bairro, organizaram um campeonato entre eles para definir quem era o melhor. A novidade também já havia atraído a grande mídia, e até governantes, atentos às notícias que corriam a cidade inteira, também já haviam dado o ar de sua graça.

Pesquisas apareceram na TV, e o esporte começava a ser dissecado. Adeptos iam surgindo em outras praças, e em breve, tomariam toda São Paulo. Daí, para a disseminação total no resto do Brasil, era uma questão de tempo. O mundo demoraria mais para ser contaminado, mas também não escaparia. Estava liberto um dos maiores motivos de comoção coletiva humana de todos os tempos.

No jogo inaugural do torneio montado pelos meninos do “bairro do futebol”, como ficou conhecido o lugar onde tudo recomeçou, a mídia apareceu em peso. Registraram tudo, com o que possuíam de mais moderno e numeroso em equipamentos a serviço da comunicação.

Mais tarde, à noite, a TV exibia passagens da partida, desenrolada em ritmo descontraído, como brincadeira de criança, e repleta de grandes momentos e gols – muitos gols.

Nos dias seguintes, legiões de outros garotos procuravam aquela mesma rua, não tão pacata agora, desejando avidamente dados e instruções sobre a novidade, que chegara para ficar.Marmanjos, adolescentes, até adultos compareciam, sem medo de aprender com os mais novos, em busca de algo que, no passado, sempre seduziu de forma homogênea todas as faixas etárias do sexo masculino, e que ainda tinha muitas adeptas do lado feminino.

Um ano passara, e agora, a busca era pelo passado concreto do esporte. Os descendentes dos antigos jogadores, os quais agora possuíam nomes, história, e clubes, eram objeto de desejo de todos. Descendentes de dirigentes dos times igualmente. A idéia era reativar toda uma história rica que já existira, e estava apenas interrompida, latente, pronta para recomeçar quando fosse possível. Era chegado o momento.

A Inforede contribuiu sobremaneira para a localização de dezenas de representantes legítimos da herança do esporte bretão. Havia um plano muito maior, ainda não divulgado, mas que transcendia totalmente a imaginação de qualquer mortal. Um segredo guardado a sete chaves, como os dos doze garotos, preteridos com status preferencial por todos que se envolveram com a questão, disputados a tapa por quase toda a gama de profissionais existente.

As conversas intensificavam-se, os depoimentos, somados às provas documentais concretas e à prática em si formavam uma jurisprudência futebolística que, em breve, mostraria os seus frutos para o mundo ver. Aliás, o mundo, desperto, também passou a voltar os seus olhos para aquela mesma pátria nem sempre lembrada, onde se descobrira que, no passado, era a potência do esporte, e por uma ironia do destino, ele havia sido retomado no berço que o melhor acolheu.

Estaria na globalização do futebol a realização do maior sonho coletivo do Brasil naquele momento?

Passados cinco anos. Com uma emoção indisfarçável, o locutor anunciara, orgulhoso de colocar o seu nome na história, que acontecia ali, diante dos seus olhos, do seu testemunho:

– É com muito prazer que anunciamos o início do Campeonato Brasileiro de Futebol! – ele bradou, a imagem apenas do já conhecido campo de futebol, abarrotado de pessoas, que lutaram até o último minuto pelo seu ingresso para a primeira partida oficial do esporte. Agora sim, a revelação da intenção de anos antes. Um campeonato sério, organizado, profissional, com clubes verídicos, instituições do passado reerguidas no futuro para dar seguimento ao que nunca deveria ter sido interrompido. Um torneio grande, audacioso, com direito a muito dinheiro investido, retorno financeiro, ampla cobertura em todas as mídias, transmissões de jogos ao vivo.

O futebol estava de volta, e a Terra girava mais feliz, pela simplicidade de algo que não muda o cotidiano das pessoas – mas interfere, e muito, no seu bem estar.

E, naquela rua, novamente pacata, os garotos, agora adolescentes vigorosos e sadios, continuavam brincando de futebol, o futebol renascido ali, compartilhado com a comunidade, nas sempre alegres partidas no meio da rua. Mas, ligados, ao mesmo tempo, ao mundo profissional do futebol que eles mesmos ajudaram a resgatar e recriar.
 

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