“20 anos da Copa do Brasil”

Morno. Assim pode ser definido o livro “20 anos da Copa do Brasil. De Kaburé a Cícero Ramalho”, de Marcelo Migueres e Alex Escobar. Diante de rica matéria prima e da “data redonda”, os autores entregam uma obra correta, fruto de dedicada pesquisa e visualmente interessante. E só.

O torneio é pródigo em pelo menos três aspectos: seu caráter democrático; as zebras homéricas que permeiam sua história, típica de um mata-mata; e os causos inusitados que o cercam, muito em razão de ser disputado frequentemente nos grotões do país. Pois bem, o livro de Migueres e Escobar explora razoavelmente bem o primeiro aspecto, enquanto o segundo e o terceiro são, de certa forma, negligenciados. O próprio subtítulo, “De Kaburé a Cícero Ramalho” gera uma expectativa, em torno das excentricidades do torneio, que acaba não correspondida.

Mesmo com essas ressalvas, o livro reflete um trabalho intenso de pesquisa dos autores. A parte sobre clubes que disputaram o torneio e hoje não existem mais merece destaque. Curiosamente, um dos exemplos utilizados, o Malutrom-J.Malucelli está se convertendo em um terceiro, o Corinthians Paranaense. O levantamento acerca das mascotes dos participantes segue a mesma linha de pesquisa minuciosa com resultados interessantes, assim como a escalação dos atletas com nomes e/ou apelidos mais bizarros de cada edição.

Já a lista dos artilheiros do torneio, estrelada por nomes como Bizu, Dauri e Victor Simões, é muito mais exótica do que a do Brasileirão. Há observações interessantes, como o fato do critério de desempate pelos gols anotados fora de casa, original de fábrica do torneio, ter sido copiado por primos ricos como a Liga dos Campeões. Ou pelo ineditismo da decisão por pênaltis na finalíssima, mesmo após 20 edições.

O livro prima também pela alta qualidade presente em sua apresentação gráfica, comprovada pelas imagens utilizadas, que quebram um pouco o gelo e emprestam informalidade à obra. O senso de humor carioca dos autores também colabora para isso.

Com relação às zebras e aos causos pitorescos envolvendo o torneio, o livro é extremamente superficial e burocrático, optando por listar inúmeros casos, vários irrelevantes, em vez de se aprofundar no lado mais insólito da competição. Impossível não comparar com a excelente série de reportagens produzida recentemente pela ESPN Brasil (“O Brasil da Copa do Brasil”).

As estatísticas apresentadas repetem o tom frio e burocrático presente ao longo do livro. Em vez de dar destaque, por exemplo, aos 49 gols sofridos pelo Operário-MS em cinco jogos, os autores despejam uma infinidade de números que poderiam meramente constar no final do livro para consulta.

Em suma, o livro está longe de ser ruim, mas em nenhum momento prende o leitor. O que é uma pena, pois estamos falando de um torneio rico em emoção (preenche a lacuna dos campeonatos disputados em formato eliminatório), e repleto de histórias a serem contados Fica a impressão de que uma grande oportunidade poderia ter sido mais bem aproveitada.

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Equipe Trivela

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