O Liverpool experimenta, a cada rodada da Premier League, a ansiedade na luta pelo título. A corrida com o Manchester City é extremamente parelha e os Reds não dependem apenas de si, torcendo por um tropeço dos concorrentes. Ainda assim, cada vez que entra em campo, o time de Jürgen Klopp possui uma pressão imensa pelo resultado. É natural encarar as partidas de maneira aflitiva, pelos três pontos que são obrigatórios. Nesta sexta-feira, ao menos, a torcida ganhou o direito de não sofrer em Anfield. O Liverpool precisou de meros 15 segundos para abrir o placar contra o Huddersfield e aplicou uma goleada por 5 a 0, que ficou até barata. Agora pode se concentrar em outra pedreira, o duelo contra o Barcelona nas semifinais da Liga dos Campeões, marcado para a próxima quarta-feira.

Logo na saída de bola, o Liverpool pareceu disposto a quebrar o recorde estabelecido por Shane Long nesta semana. O Huddersfield deu o pontapé inicial, mas complicou sua saída de bola diante da pressão dos Reds. Naby Keita interceptou o passe, tabelou com Mohamed Salah e saiu na cara do gol para abrir o placar. Depois de todo o sufoco na visita ao Cardiff City no último final de semana, os Reds ganhavam uma tranquilidade imensa para administrar o placar.

O Huddersfield ainda tentou incomodar. Já rebaixado, o time não precisava atuar de maneira tão retrancada e chegou a dar um susto logo depois, em chute prensado de Jon Gorenc Stankovic. Mas o Liverpool não demoraria a ditar o ritmo da partida e a comprovar a superioridade de seu time. O segundo gol saiu aos 22 minutos, em cruzamento perfeito de Andy Robertson. Sadio Mané subiu sozinho dentro da área e cabeceou para dentro. Os Reds nem precisavam forçar para que as chances aparecessem. Jordan Henderson quase fez o terceiro aos 42, em chute por cima. Até que, três minutos depois, Salah ensinasse os companheiros. Após um belíssimo lançamento de Trent Alexander-Arnold, o artilheiro ficou de frente com Jonas Lössl. Deu um toque para encobrir o goleiro e correu para o abraço.

Se o primeiro tempo permitiu ao Liverpool anotar gols por osmose, mesmo sem fazer uma apresentação tão impressionante, o segundo ofereceu um pouco mais da intensidade do time de Jürgen Klopp. Os Reds estavam dispostos a golear. Mané perdeu uma excelente oportunidade, antes que a arbitragem anulasse um gol de Daniel Sturridge. O Huddersfield tentava aparecer do outro lado e Leandro Bacuna forçou Alisson a realizar uma grande defesa. Um mero parênteses, em meio ao vareio aplicado pelos anfitriões. Mané outra vez seria decisivo no jogo aéreo. Aos 20, o senegalês anotou o quarto gol. O cruzamento preciso agora saiu dos pés de Henderson, antes que o companheiro cumprimentasse numa cabeçada indefensável.

Um momento bacana aconteceu aos 27 minutos. Após um ano afastado dos gramados, Alex Oxlade-Chamberlain voltou a atuar pelo Liverpool. Recuperado de uma séria lesão, o meio-campista foi recebido com muitos aplausos. E é uma pena que o seu gol não tenha saído na sequência. Ele aplicou um corte seco na marcação e bateu rasteio, mas esbarrou no pé de Lössl. Mesmo faltando 15 minutos, não dava para prever qual seria o placar. Os Reds não se cansavam de finalizar, dispostos a uma goleada histórica. Mané quase completou um hat-trick, mas acertou a trave. E quem parecia mais sedento por gols era Salah, vislumbrando a artilharia da liga. Anotou o quinto aos 37, aproveitando novo cruzamento de Robertson. Além do mais, esteve próximo do sexto, exagerando no individualismo na hora de concluir.

O Liverpool amplia seu recorde de pontos na era Premier League e reassume provisoriamente a liderança. Chega aos 91, dois a mais que o Manchester City. Agora, dependerá de uma ajuda do Burnley, que recebe os celestes em Turf Moor no domingo. Além disso, o resultado é importante para melhorar o saldo de gols dos Reds, ainda que os Citizens permaneçam à frente no quesito. Salah e Mané saltaram na artilharia da liga, assumindo as duas primeiras posições, com 21 gols ao egípcio e 20 ao senegalês. Já coletivamente, o time de Jürgen Klopp acumula dez vitórias consecutivas em todas as competições. Uma maré positiva, ainda insuficiente para a liderança absoluta e que será posta à prova pelo Barcelona na próxima quarta, dentro do Camp Nou.