A seleção dinamarquesa terá que convocar uma equipe alternativa para enfrentar um amistoso contra a Eslováquia, nesta quarta-feira, e a primeira rodada da Liga das Nações, diante de País de Gales, no próximo domingo. Seus principais jogadores, como Christian Eriksen e Kasper Schmeichel, foram dispensados depois de negociações inconclusivas entre a Federação Dinamarquesa e o Sindicato de Atletas sobre um novo acordo coletivo.

De acordo com a federação, as negociações começaram na virada do ano e já houve 26 reuniões, 16 das quais no último mês. As tratativas estavam avançadas, ainda segundo a entidade, que concedeu patamares iguais ao do acordo anterior em pagamentos e bônus, seguro, e melhores condições de alimentação, voos e tratamento. No entanto, a DBU alega que, na semana anterior ao prazo final para a assinatura do acordo, em 31 de agosto, os jogadores passaram a dar ultimatos em questões que já haviam sido discutidas. A federação, portanto, decidiu suspender as conversas.

Entre os assuntos em pauta, estão acordos comerciais e também a responsabilidade da federação como empregadora dos jogadores do time nacional. O sindicato dos atletas sugeriu que o acordo anterior fosse estendido até outubro para que a Dinamarca pudesse encarar a data Fifa de setembro sem grandes problemas, mas DBU respondeu que os jogadores não eram mais necessários para esses jogos e está à procura de uma nova seleção em seu mercado interno – Superliga dinamarquesa e divisões inferiores.

No entanto, clubes da terceira divisão já avisaram que estão no lado dos jogadores. O Bronshoj emitiu um comunicado em que disse: “Entendemos que, para muitos jovens jogadores, o primeiro pensamento é o sonho de jogar uma partida em vermelho e branco e por isso achamos necessário explicar por que nós, como time, apoiamos 100% os jogadores do time nacional e o Sindicato dos Jogadores e não estaremos disponíveis para a Federação Dinamarquesa enquanto o conflito estiver em andamento”.

O Bronshoj explicou que, quando os times da base da pirâmide estavam negociando seus próprios acordo coletivos, as estrelas da Dinamarca apoiaram-nos, e esta é uma oportunidade de retribuir o favor. “Porque, se não podemos apoiar os que estão no topo da pirâmide, por que eles nos apoiariam”, acrescentou o capitão do time Jamil Fearrington. O Boldklubben Frem também manifestou solidariedade e avisou que seus jogadores não estão disponíveis.

De acordo com a BBC, nem mesmo o treinador Age Hareide e seu assistente Jon Dahl Tomasson estarão no comando da seleção nas próximas duas partidas. “É uma situação lamentável, para o time, os torcedores e todos no futebol dinamarquês. Agora, estamos trabalhando para conseguir os melhores jogadores possíveis para jogar as duas partidas pela Dinamarca. É crucial para o futuro do futebol dinamarquês. Se os jogos não forem disputados, podemos ter que lidar com milhões em multas e exclusões dos nossos dois times nacionais, e o futebol dinamarquês retornaria para a Idade da Pedra em muitas áreas”, afirmou o executivo-chefe da DBU, Claus Bretton-Meyer.

A seleção feminina da Dinamarca boicotou uma partida das Eliminatórias da Copa do Mundo, contra a Suécia, em outubro de 2017, também em meio a negociações sobre condições empregatícias. A Uefa manteve o time na competição, mas multou a DBU em £ 18 milhões e avisou que, se houvesse outro cancelamento de jogo nos próximos quatro anos, a Dinamarca seria excluída dos seus torneios.

Por isso, é importante que a seleção coloque um time em campo contra o País de Gales, independentemente de ser forte ou fraco. “As partidas internacionais contra Eslováquia e contra País de Gales serão disputadas. A DBU está a todo vapor procurando jogadores para esses dois jogos. Quando tivermos nomes dos jogadores e dos treinadores, anunciaremos à imprensa e à torcida”, afirmou a federação, em uma nota no seu site oficial.