Seleção vai mal, mas mexicanos vão bem desbravando a Europa

Na contramão da má fase da seleção nacional, jovens promessas mexicanas ganham espaço e se consolidam no futebol europeu

O momento é conturbado. Há anos a classificação azteca a um Mundial não se via tão ameaçada. Isso em um momento no qual as categorias de base da “Tri” vem se impondo de forma categórica sobre seus rivais locais e até no cenário internacional, como na conquista da inédita medalha de ouro olímpica. Sem falar no bom desempenho dos clubes, que parecem ter superado a “síndrome de vira-lata” que tanto afligia os mexicanos em confrontos contra adversários de centros mais tradicionais do futebol.

Mas deixemos para discutir as chances da Tricolor, a saída de De la Torre e a chegada de Vucetich nas próximas semanas, preferencialmente numa data próxima ao decisivo dia 11 de outubro, quando os mexicanos recebem o Panamá, no confronto que tem tudo para definir a seleção que ficará com a vaga na repescagem contra a Nova Zelândia (as chances de ocupar um dos primeiros três postos é mínima e não deve ser acalentada).

Se o momento do coletivo é preocupante, o mesmo não se pode dizer dos jogadores mexicanos que atuam no Velho Continente. Há um bom tempo uma safra de aztecas não somava desempenho tão bom fora do país. E boa parte do ineditismo desse boa fase é que os nomes que mais se destacam são jogadores ainda jovens, com grande potencial para evoluir.

O centralizador e referencial desse movimento é “Chicharito” Hernández. Desde que desembarcou no Reino Unido há três temporadas, o atacante marca ao menos 10 gols por temporada na Premier League, se colocando sempre como um dos principais artilheiros dos Red Devils. Se isso não lhe garante a titularidade, ao menos o torna uma das peças de reposição mais utilizadas por um dos gigantes europeus desde a “Era Ferguson” e, ao que parece, nesse início de trabalho de David Moyes.

Na França o destaque é o goleiro Guillermo Ochoa, que, ainda que defenda um forte candidato ao descenso na Ligue 1, é uma das poucas boas notícias do Ajaccio, sendo peça fundamental da equipe e principal responsável pelo grande resultado do clube na temporada, arrancando um empate contra o milionário PSG em pleno Parc des Princes, mesmo sofrendo um verdadeiro bombardeio contra a sua meta durante toda a partida.

Diego Reyes, principal promessa da nova geração mexicana e recém-adquirido pelo Porto, já soma alguns minutos no time reserva dos Dragões que disputa a segunda divisão, sendo forte candidato a compor o elenco principal ainda nessa temporada. Elenco do qual já faz parte seu conterrâneo Héctor Herrera, principal contratação do clube portista para a atual temporada, ao custo de 8 milhões de euros.

Pela proximidade linguística e histórica, contudo, os melhores exemplos dessa safra estão em território ibérico, notadamente na Espanha. Dos sete convocados que atualmente jogam fora do país, quatro deles defendem clubes espanhóis. Representante mais antigo dos aztecas em La Liga, Andrés Guardado é uma das principais referências do Valencia. Depois de brilhar por cinco temporadas no Deportivo La Coruña, assinou com o clube valenciano na última temporada e tornou-se o grande responsável pelo setor criativo de um clube que passa por um momento financeiramente delicado.

Outro que vive bom momento é o zagueiro Héctor Moreno. Depois de boa passagem pelo futebol holandês, assinou com o Espanyol e chega a sua terceira temporada como titular do clube catalão ao lado do experiente argentino Diego Colotto. Seguro e tranquilo na saída de bola, Moreno ainda se caracteriza por subir com eficiência para deixar sua marca nas redes adversárias, tornando-se arma importante do clube que surpreende com o bom quinto lugar na edição atual.

Mas se estamos falando de momento é difícil não olhar para Javier Aquino e Giovanni dos Santos. Os dois são as principais revelações do meio-campo envolvente do recém-ascendido Villarreal, que soma três triunfos e um empate frente ao poderoso Real Madrid nesse início de temporada e promete uma campanha forte para brigar por Liga dos Campeões. Aquino surpreende pela rápida adaptação ao futebol europeu, depois de bom desempenho sob as cores do Cruz Azul na Liga MX, sendo o líder em desarmes e autor de um gol e uma assistência até aqui, enquanto “Gio” parece ter reencontrado no futebol espanhol, primeiro por Racing e Mallorca, e agora no “Submarino Amarillo”, os bons momentos da base barcelonista que o catapultaram a candidato à craque da geração mexicana. Nesse início de temporada, já soma três gols e duas assistências em 4 partidas, sendo o jogador que mais chuta a gol pelo clube.

Fora das convocações mais recentes da seleção, outro que vem recuperando o tempo perdido após surgir como promessa e ser tachado de “foguete molhado”, Carlos Vela segue o caminho de Dos Santos e caminha a passos largos para voltar ao time nacional. Depois de rodar sem muitos sucesso pela Premier League, a jovem aposta do Arsenal encontrou seu espaço na Real Sociedad, tornando-se um dos líderes do jovem elenco que devolveu o clube basco à Liga dos Campeões depois de dez anos. Atuando como ponta, o mexicano, contratação mais cara do elenco atual, foi o artilheiro do clube no campeonato espanhol nas últimas duas temporadas, começando a temporada já com 4 gols marcados.

Pode até parecer pouco, mas se analisarmos os últimos elencos convocados pela seleção mexicana para competições internacionais percebe-se quase sempre atletas a presença de atletas atuando em clubes de menor expressão ou muito contestados nas equipes de destaque. Jogadores como Guille Franco, Rafael Márquez, Francisco Palencia, Gerardo Torrado e até mesmo Cuauhtémoc Blanco nunca foram unanimidades ao atuarem na Europa, se consolidando mesmo com as cores dos clubes mexicanos.

De fato, sempre existiu certa “acomodação” dos jogadores mexicanos que atuam fora do país. Em um processo um tanto quanto similar ao que acomete os jogadores russos, o bom momento da economia e consequentemente dos clubes locais, aliado ao crescimento do futebol como um todo no plano interno na última década, gerou um aumento nos rendimentos e no reconhecimento dos jogadores no próprio país.

Vistos como estrelas em seus clubes e sem tanta disposição para encarar voos internacionais incertos, esse conformismo diminuiu o número de jogadores mexicanos que atuavam fora do país, o que, por sua vez, acarretou em menos competitividade internacional por parte dos atletas. Os reflexos puderam ser vistos, principalmente, em competições internacionais, contra adversários acostumados ao embate tático, físico e técnico contra rivais de outros países.

A discussão é profunda, e já foi levantada por muitos treinadores estrangeiros que trabalharam no país. Mas é uma barreira que parece estar sendo superada. Um caminho ainda longo, mas cujos principais desbravadores parecem ser justamente as principais referências da nova geração, levando em consideração que todos os nomes citados têm menos de 26 anos. E o fato dos principais destaques internacionais serem os mais jovens pode ser um dos motivos (inexperiência) para o fraco desempenho da Tricolor nas Eliminatórias. Mas esse assunto fica para as próximas colunas…

Curtas

– Seleção do site Mediotiempo da 10ª rodada do Apertura: William Yarbrough (León), Luis Rodríguez (Chiapas), Javier Gandolfi (Tijuana), Juninho (Tigres UANL) e Jorge Torres Nilo (Tigres UANL); Luis Miguel Noriega (Puebla), David Toledo (Chiapas), Mauro Cejas (Santos) e Marco Fabián (Chivas de Guadalajara); Neri Cardozo (Monterrey) e Oribe Peralta (Santos); T: Pedro Caixinha (Santos);

 

Costa Rica

– Mesmo com duas partidas a menos que a maior parte dos adversários, Saprissa e Herediano mantém o topo do Campeonato de Invierno da Primera División, com 14 e 13 pontos em 6 partidas, respectivamente. No fim de semana, o clube de Heredia bateu o Pérez Zeledón por 3×1, enquanto outro grande, a Alajuelense, superou o Belén e também alcançou os 13 pontos, mas em 7 jogos;

 

Guatemala

– A Liga Nacional tem um novo líder: após o empate do atual bicampeão Comunicaciones frente ao Suchitepéquez, o Municipal assumiu a liderança do Apertura com uma tranquila vitória sobre o lanterna Iztapa, chegando aos 17 pontos em 8 jogos, contra 16 do rival, que soma uma partida a menos;

 

El Salvador

– Com um triunfo no “Derbi Capitalino”, o Atlético Marte ultrapassou o Alianza e assumiu a ponta do Apertura da Liga Mayor, com 16 pontos em 8 partidas, contra 14 do rival e antigo líder. Terceiro colocado, o FAS não passou de um empate sem gols contra o UES e soma 13 pontos, ao lado do Isidro Metapán, que bateu o Luis Ángel Firpo;

 

– Atual campeão, o Firpo ocupa apenas o 6º lugar, com 8 pontos, ao passo que o Águila segue em má fase, na vice-lanterna, com 7 pontos, após empatar com o Juventud Independiente;

 

Honduras

– Atual tetracampeão, o Olimpia garantiu mais uma semana na liderança do Apertura da Liga Nacional ao superar o Marathón por 2×0, fora de casa, e atingir 16 pontos em 7 jogos. Os Albos ainda podem ser alcançados pelo Real España, que fecham a rodada amanhã com uma visita à capital hondurenha para enfrentar o Motagua;

 

Panamá

– Uma vitória sobre o Árabe Unido permitiu ao San Francisco assumir a ponta do Apertura da Liga Panamenha, com 19 pontos em 9 jogos. Isso graças aos antigos líderes, Independiente e Tauro, que tropeçaram na rodada e, mesmo com 10 partidas disputadas, estacionaram nos 17 pontos. Maior campeão nacional, o Árabe Unido ocupa apenas o 8º lugar na tabela da Copa Digicel;

 

Haiti

– Com as derrotas para Mirebalais e Baltimore, Petit-Goâve (5 pontos) e Aigle Noir (2) estão matematicamente fora da disputa pelo título da Digicel Première Division. Com 7 rodadas completadas, a liderança é do Mirebalais, com 15 pontos, seguido de perto pelo Racing Club Haïtien, que venceu o atual campeão Valencia por 3×0 e soma 14. Valencia (12) e Baltimore (9) correm por fora;

 

– No hexagonal contra o descenso, os empates nos duelos FICA x Tempête e Cavaly x Don Bosco, aliados ao triunfo do lanterna Victory sobre o América des Cayes, embolaram a briga contra o rebaixamento. Faltando três rodadas para o fim da Liga Haitiana, Don Bosco (11 pontos), Cavaly (11), FICA (11) e Tempête (8) se salvariam da degola, mas América des Cayes (8) e Victory (7) seguem em busca da sobrevivência;

 

Nicarágua

- Mesmo de folga na rodada, o atual tetracampeão Real Estelí manteve a liderança da Liga Nacional, com 21 pontos em 8 partidas. Todos seus perseguidores mais próximos empataram na rodada (com todos os placares finalizados em 1x1). Vice-líder com 18 pontos, o ART Jalapa ficou no empate contra o Managua, enquanto o Walter Ferretti (16) e Diriangén (15) também somaram apenas um ponto em seus confrontos contra Chinandega e Juventus, respectivamente.