A Eurocopa possui um significado especial ao futebol da República Tcheca. Independentemente do momento histórico, o país permaneceu com sua representatividade na competição. Em seus tempos de Tchecoslováquia, conquistou o título de 1976 com o antológico gol de Panenka, além de alcançar as semifinais duas vezes. E mesmo depois da cisão do território, a presença dos tchecos na Euro é perene. Nesta quinta, a República Tcheca confirmou sua sétima participação consecutiva na competição continental. Desde que a seleção se dividiu, não se ausentou de uma edição do torneio sequer. E mais uma vez os tchecos estarão na Euro, após a vitória decisiva em Plzen. No confronto direto com Kosovo, o time arrancou a virada por 2 a 1.

A República Tcheca não pode reclamar de sua sorte. A seleção pegou uma das chaves mais acessíveis das Eliminatórias da Euro. A Inglaterra era a favorita, enquanto os outros concorrentes apareciam escalões abaixo. Não à toa, diante das péssimas campanhas de Bulgária e Montenegro, quem surgiu como principal adversário pela segunda vaga foi Kosovo. No entanto, os tchecos cumpriram a sua missão com vitórias importantes, apesar dos apertos.

O maior risco à República Tcheca aconteceu na quinta rodada. Após a esperada derrota em Londres para os ingleses, os tchecos venceram Bulgária e Montenegro em casa, mas sucumbiram aos kosovares na visita a Pristina. A partir de então, precisariam dar sua resposta. Primeiro, superaram os montenegrinos em Podgorica. Já em outubro, o grande resultado veio com o triunfo por 2 a 1 sobre a Inglaterra em Praga. Desta maneira, a seleção só precisava fazer sua parte em casa contra os kosovares para confirmar a classificação. Mas os visitantes dariam trabalho nesta quinta.

Em Plzen, Kosovo segurou o placar no primeiro tempo e saiu em vantagem aos seis minutos da etapa complementar. Atdhe Nuhiu aproveitou o cruzamento para emendar uma firme testada da entrada da área, provocando enorme comemoração no setor visitantes. A reação da República Tcheca só começaria na reta final do duelo. E o herói não seria tão óbvio: o volante Alex Král. Ele empatou em um chute forte de fora da área, aos 26 minutos, e participou da virada aos 34, em cabeçada para Ondrej Celustka desviar na pequena área. Valeu o triunfo cabal aos tchecos.

A República Tcheca se complicaria muito com a derrota e deixaria as chances nas mãos de Kosovo. O triunfo, entretanto, antecipou a classificação em uma rodada. A equipe chega aos 15 pontos, na segunda colocação do Grupo A. Abre quatro pontos de vantagem sobre os kosovares. Os novatos, ao menos, terão uma segunda chance na repescagem da Eurocopa. Campeões de sua chave na Liga das Nações, Kosovo está confirmado no quadrangular classificatório da quarta divisão – e chega com pinta de favorito.

Treinada por Jaroslav Silhavy, antigo comandante do Slavia Praga, a República Tcheca possui uma base sem grandes estrelas. Dono de uma emblemática campanha na Champions League, o próprio Slavia possui influência na equipe nacional e cedeu sete jogadores ao atual elenco – quatro deles titulares. No entanto, também há destaques em outras ligas. O goleiro Tomás Vaclík é a principal peça na defesa, enquanto Vladimír Darida e Jakub Jankto ajudam a organizar o meio-campo. Já no ataque, a fonte de gols é Patrick Schick, atualmente lesionado.

Olhando no papel ou mesmo para o aproveitamento nas Eliminatórias da Euro (exceção feita à vitória sobre os ingleses), a República Tcheca não se coloca como candidata a uma grande campanha. Está distante de representar a surpresa de 1996 ou a força de 2004. Aproxima-se mais do time que teve um desempenho morno, sem vitórias, em 2016. A partir de agora, a missão dos tchecos será superar tais expectativas. E o Slavia Praga serve de norte à seleção.

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