Se diante do Chile a derrota era bem compreensível (ainda que a falta de futebol tenha desapontado), contra a Venezuela cobrava-se a vitória. E, ao menos neste ponto, o Brasil cumpriu o esperado no Castelão. A atuação da Seleção não foi tão exuberante, mas serviu para o objetivo de conquistar os primeiros três pontos nas Eliminatórias da Copa de 2018. Contra um adversário que dava enormes espaços, alguns jogadores agradaram individualmente, por mais que o coletivo não tenha funcionado em todos os momentos. Valeu para garantir um pouco de tranquilidade, batendo uma seleção bastante inferior. Mas não alivia em nada a longa caminhada que o time de Dunga ainda tem pela frente.

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O gol logo no primeiro minuto de jogo tirou qualquer cobrança sobre a Seleção na partida. E também mostrou bastante sobre o atual nível da Venezuela, em franco descenso desde a saída do técnico César Farías. As falhas defensivas são recorrentes na Vinotinto, e deram grandes espaços ao Brasil, especialmente aos meias. Willian foi o primeiro a aproveitar, saindo livre para anotar o primeiro gol e ainda contando com a colaboração do goleiro Baroja. Os três gols no placar até ficaram baratos, diante de tantas bobeiras da Vinotinto.

Autor também do segundo gol, Willian foi um dos que se saiu melhor no jogo, assim como Douglas Costa. O meia do Bayern de Munique não brilhou tanto quanto no clube, mas pôde fazer as suas jogadas em velocidade pelas pontas, sobrando contra a marcação. Mesmo Oscar teve chances de apresentar o porquê de ser intocável com Dunga, embora tenha excedido nos erros. Já no comando do ataque, Ricardo Oliveira se apresentou pouco, mas fez o seu gol. Tende a seguir como resposta imediatista para uma lacuna persistente na Seleção.

Sem que a Venezuela impusesse resistência, o Brasil se soltou. Luiz Gustavo distribuía o jogo com enorme eficiência, enquanto Filipe Luís aproveitava a oportunidade, voando na lateral esquerda. Mesmo Elias, mal nas últimas aparições com a equipe nacional, apareceu. Só que o jogo fácil também fez com que a Seleção relaxasse demais na segunda etapa. E tomasse certa pressão dos venezuelanos, principalmente no jogo aéreo. Sem ser muito exigido na estreia, Alisson só precisava fazer defesas seguras. Mas o sistema defensivo mostrava problemas no jogo aéreo, algo ratificado com o tento de Santos, que permitiu à Vinotinto encostar no placar.

Somente nos 20 minutos finais é que o Brasil voltou a apresentar algo de interessante. Em especial, com a entrada de Lucas Lima no lugar de Oscar, tomando conta do meio de campo para ditar o ritmo do time e criar boas jogadas. A melhora valeu o gol de Ricardo Oliveira e outras boas jogadas de perigo, nas quais a Venezuela conseguiu se safar. Nada que impressionasse tanto, diante do adversário entregue que os brasileiros tiveram.

Dá para tirar pontos positivos da vitória, é claro. Luiz Gustavo, Willian e Filipe Luís foram os melhores em campo, enquanto Douglas Costa também merece o destaque, apesar de alguns erros. Lucas Lima saiu do banco pedindo passagem. E até deu para notar algumas jogadas coletivas bem trabalhadas, mas em raros momentos, com os enormes espaços entre os jogadores e a falta de jogadas pelo meio persistindo na maior parte do tempo. Para sorte de Dunga, a Venezuela ofereceu um jogo-treino em plenas Eliminatórias. Deu para garantir os três pontos e ver um pouco mais o muito que ainda precisa se trabalhar.

Fotos: Rafael Ribeiro/CBF

Assista aos gols do jogo: