Quando se fala sobre futebol feminino nas Olimpíadas, é quase impossível não pensar nos Estados Unidos. Desde 1996, quando a modalidade começou a ser praticada nos Jogos Olímpicos, o favoritismo nunca esteve em outras mãos senão nas das americanas. Donas de quatro medalhas de ouro em cinco edições que aconteceram contando com a Olimpíada de Atlanta, as Yanks, como são conhecidas as jogadoras estadunidenses, estão no Brasil não somente para buscar o topo do pódio mais uma vez. Mais do que isso, as comandadas pela técnica Jill Ellis tentam alcançar o feito inédito da taça da Copa do Mundo e ouro olímpico em sequência.

GUIA DO FUTEBOL NOS JOGOS OLÍMPICOS RIO 2016

O fato é que nunca nenhuma seleção foi capaz de ganhar a Copa do Mundo de Futebol Feminino e depois faturar o ouro nas Olimpíadas. Na estreia do futebol jogado por mulheres nos Jogos Olímpicos, as americanas derrotaram a China por 2 a 1 diante de um estádio com mais de 70 mil espectadores e se consagraram campeãs do mundo pela segunda vez. Três anos depois, em 1999, a final se repetiu. Dessa vez, no torneio que agrega quase todos os esportes. Novamente, as americanas ficaram com a melhor. No entanto, depois disso, na Olimpíada de Sydney, um ano após a segunda conquista de escala mundial, as Yanks começaram a se ver enroscadas no dilema dos triunfos consecutivos, o qual perdura até hoje.

Em 2000, os Estados Unidos ficaram com a medalha de prata depois de perderem por 3 a 2 para a Noruega, seleção que já havia dado muito trabalho para as americanas nos jogos anteriores, por sinal. Quando chegou a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2003, o azar ainda persistiu. Antes mesmo de poderem chegar à final, foram vencidas pela Alemanha por 2 a 1, e depois ganharam do Canadá para, pelo menos, ficarem com o terceiro lugar. A época de êxitos voltou em 2004, ao conseguirem o ouro pela segunda vez. E após uma década de glórias unicamente olímpicas, as estadunidenses voltaram a ganhar a Copa do Mundo ano passado, conquistando a taça diante do Japão.

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É importante pontuar que disputar as Olimpíadas e carregar a principal medalha têm o mesmo peso que conquistar o mundo no torneio da Fifa. Algo, aliás, bem diferente do que essas duas competições representam para o futebol masculino. Como na modalidade feminina dos Jogos Olímpicos não existe restrição de idade, as jogadoras são basicamente as mesmas que participam da Copa do Mundo. A única diferença é o número de equipes que disputam as medalhas, que são exatamente a metade dos times que jogam o torneio mundial (12 seleções nas Olimpíadas e 24 na Copa).

Contudo, há algo sobre essas competições que não torna um ‘doblete’ tão fácil assim. A questão da preparação esbarra no pouco tempo entre Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. E Jill Ellis fala sobre isso. “Não podemos concentrarmos todo nosso foco nas Olimpíadas quando também estamos focadas em vencer campeonatos mundiais. Temos que fazer isso olhando para novas jogadoras – olhando para jogadoras que podem construir além”, disse a treinadora da seleção americana feminina. “Penso que, em geral, o time está animado para tentar buscar algo que nunca foi feito. Temos bastantes caras novas. É uma sensação nova para elas. Isso traz algo especial para o grupo”, acrescentou.

Sem poder contar mais com Abby Wambach, o maior nome da história da seleção estadunidense composta por mulheres, e Shannon Boxx, outro grande ícone (ambas se aposentaram no ano passado), Ellis terá de arriscar novas caras na busca pelos “títulos” em sequência. Crystal Dunn, Lindsey Horan e Mallory Pugh são as novidades para as Olimpíadas. Além delas, o que torna os Estados Unidos a seleção favorita ao topo do pódio é a presença de atletas renomadas e que têm qualidade de sobra, como Alex Morgan, Becky Sauerbrunn, Hope Solo e a autora do hat-trick na final da Copa do Mundo de 2015, Carli Lloyd. Resta ver se o Brasil, Alemanha, França, China e Austrália não abalarão esse favoritismo.

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