A seleção americana feminina deu o primeiro passo do processo de apelação contra a decisão contrária de semana passada à reivindicação por pagamento igualitário ao time masculino ao entrar com duas ações em uma corte federal da Califórnia na última sexta-feira.

A primeira pede que as 28 jogadoras envolvidas no processo, incluindo Megan Rapinoe e Alex Morgan, possam apelar da decisão do juiz distrital Gary Klausner que alegou não haver base para a alegação de que há desigualdade salarial entre homens e mulheres na seleção dos EUA.

Klausner permitiu que fossem adiante duas queixas menores, que alegam discriminação em viagens e acomodações e em equipe de apoio. A segunda ação das jogadoras pede o adiamento desse julgamento, marcado para 16 de junho, por causa da pandemia de coronavírus.

A disputa com a Federação Americana de Futebol é antiga e reivindica remuneração igual à recebida pelos homens, além de US$ 67 milhões em danos e pagamento retroativos que seriam distribuídos a todas que entraram em campo pela seleção feminina desde 2015.

O juiz recusou a queixa com base nos diferentes acordos coletivos aceitos pelos sindicatos. Os homens toparam receber menos compensação garantida e bônus mais lucrativos, enquanto as mulheres ficaram com maiores garantias e menos bônus. Glausner entendeu que a situação das jogadoras seria, portanto, responsabilidade delas mesmas.

No período considerado, entre 2015 e 2019, a seleção feminina disputou 111 jogos e recebeu, em média, US$ 221 por cada um. Os homens, em 87 partidas, receberam US$ 213 mil, mas, esportivamente, não houve comparação entre o desempenho dos dois times: um defendeu o título de campeão o mundo, o outro sequer se classificou à Copa do Mundo – e, se tivesse ido, segundo cálculo do Yahoo Sports, mesmo se perdesse todos os jogos da fase de grupos, teria recebido US$ 259 mil por jogo.

“O argumento de que as mulheres abriram mão de pagamento igualitário por aceitarem o menor acordo coletivo possível em resposta à recusa da federação de colocar pagamento igualitário na mesa não é uma razão legítima para continuar a discriminá-las”, afirmou a porta-voz das jogadoras, Molly Levinson, à ESPN.

“Pagamento igualitário significa pagar às mulheres o mesmo por vencer um jogo do que aos homens. O argumento de que mulheres recebem o suficiente porque ganham perto do valor dos homens, mesmo vencendo duas vezes mais, não é pagamento igualitário”.

“O argumento de que a licença maternidade é algum tipo de substituto para pagar as jogadoras o mesmo por vitória não é válido, nem justo, nem igualitário”, encerrou.

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