Não é porque o mundo enfrenta a pandemia de coronavírus que as pessoas deixarão de ficar doentes por diferentes motivos ou que diversos lugares do globo permanecerão a salvo de desastres naturais. O principal desafio no conceito de “achatar a curva” está em absorver a demanda normal do sistema de saúde, ainda sob o risco de lidar simultaneamente com outras emergências. Neste final de semana, já sob ordens de isolamento por causa do vírus, a Croácia sofreu um terremoto de 5,5 de magnitude nos arredores da capital Zagreb. E, enquanto o país lida com o drama duplo, o futebol tratou de providenciar sua ajuda.

Nesta terça-feira, a federação croata anunciou uma doação no valor de €500 mil para auxiliar dois fundos de apoio abertos pelo governo, no intuito de lidar com as consequências da pandemia e também do terremoto em Zagreb. O valor foi coletado com a participação dos próprios jogadores e membros da comissão técnica. “Quando chamamos nosso time e nossa torcida de ‘família’, é exatamente a este tipo de unidade e solidariedade que nos referimos”, declarou a entidade, em seu comunicado oficial.

O terremoto registrou uma vítima fatal e cerca de 30 feridos até esta quarta. Mais preocupante é o estrago causado pelo tremor, em um país despreparado a este tipo de desastre – foi o maior sismo ocorrido na região em 140 anos. Mais de sete mil edifícios tiveram algum tipo de dano, enquanto o fornecimento de energia elétrica e gás encanado acabou afetado em certas regiões. Também aconteceram incêndios em decorrência do terremoto, sobretudo em prédios históricos.

A principal maternidade de Zagreb precisou ser evacuada logo após o terremoto, diante dos riscos. Os ultras do Dinamo Zagreb participaram do resgate, ajudando a carregar as encubadoras com bebês da ala neonatal. Já no domingo, a federação croata revelou que o Estádio Maksimir (casa do Dinamo e da seleção) sofreu pequenos danos na base de dois setores das arquibancadas, com a queda de pedaços de concreto e a quebra de superfícies de vidro. As áreas foram isoladas, enquanto a entidade requisitou reparos à prefeitura.

Paralelamente, a Croácia possui um número relevante de infectados com o coronavírus. O país acumula 442 casos positivos, com uma morte e 22 pessoas recuperadas. Por conta do terremoto e dos pequenos sismos posteriores, as pessoas precisaram evacuar suas casas, mas mantendo o distanciamento recomendado pelas autoridades sanitárias. Novos testes do vírus foram suspensos temporariamente, mas já retomados pelas autoridades croatas. Países vizinhos providenciaram assistência com itens básicos, enquanto o governo lida com as duas frentes.