O juiz R. Gary Klausner, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos, impôs à seleção americana feminina a sua maior derrota no processo contra a federação (US Soccer) por igualdade salarial ao decidir, na sexta-feira (1), que não havia base para um julgamento da alegação das jogadoras de desigualdade salarial nos pagamentos a atletas homens e mulheres da seleção.

Ao todo, 28 jogadoras da seleção americana, lideradas, entre outras, por Megan Rapinoe e Alex Morgan, pediam compensação igual à recebida pelos jogadores masculinos da seleção, além de uma contrarremuneração de US$ 67 milhões. O juiz Klausner rejeitou as reivindicações das atletas e aceitou a alegação da US Soccer de que, na verdade, as mulheres haviam recebido mais do que os homens.

O processo aberto pelas jogadores abrangia o período entre 2015 e 2019. Neste tempo, a seleção feminina disputou um total de 111 jogos, recebendo um total de US$ 24,5 milhões em salários, uma média de US$ 221 mil por jogo. No mesmo período, os homens jogaram 87 partidas, ganhando US$ 18,5 milhões, média de US$ 213 mil.

Aqui, os acordos feitos por cada categoria têm grande importância no caso. Por meio de sindicatos, tanto a seleção masculina quanto a feminina negociaram acordos coletivos de compensação. Enquanto os homens tiveram um acordo com menor compensação garantida e bônus mais lucrativos, as mulheres ficaram com maiores garantias e bônus menos lucrativos.

As jogadoras entendem que a abordagem da federação, com pagamentos em dois sistemas, as prejudicou. Olhando a ficha de resultados das duas equipes nos últimos anos, entendemos a insatisfação. Enquanto a seleção masculina jamais teve grande prestígio e sequer foi à Copa de 2018, a feminina é a mais forte do mundo, atual bicampeã mundial e detentora de metade dos títulos de Copa do Mundo Feminina disputados até aqui (quatro conquistas em oito edições).

O juiz Klausner entendeu que a situação em que as jogadoras se encontram é de responsabilidade delas próprias e que elas aceitaram um acordo coletivo de trabalho do qual se arrependem agora. A US Soccer, por sua vez, entende que qualquer desigualdade seria, portanto, responsabilidade do sindicato das jogadoras.

Curiosamente, o principal argumento usado a favor da US Soccer, de que as mulheres na verdade receberam mais do que os homens, teria caído por terra não fosse pelo fracasso recente da própria seleção masculina em se classificar para a Copa do Mundo de 2018. O Yahoo Sports fez um cálculo mostrando que, se tivesse ido ao Mundial, a equipe masculina teria recebido uma média de US$ 259 mil por jogo, independentemente dos resultados na fase de grupos da Copa.

Apesar de desconsiderar a alegação de desigualdade salarial, Klausner aceitou as alegações das jogadoras de tratamento desigual em viagens, acomodações de hotel e equipe de funcionários. Entre 2015 e 2020, a US Soccer gastou aproximadamente US$ 9 milhões em viagens da equipe masculina, contra US$ 5 milhões em viagens do time feminino, que disputou mais partidas no período. Klausner considerou haver uma “enorme disparidade” neste sentido.

As jogadoras lamentaram a decisão e deram a entender que estão longe de abrir mão da reivindicação por maior igualdade de compensação financeira.

“Estamos confiantes no nosso caso e firmes em nosso compromisso de garantir que as meninas e mulheres que praticam este esporte não serão menos valorizadas só por causa de seu gênero”, concluiu a porta-voz das atletas, Molly Levinson.