Seis times que fizeram contratações interessantes durante as últimas horas da janela de transferências

Por conta da pandemia e de todas as incertezas econômicas, o mercado de transferências foi mais contido neste verão europeu. As cinco grandes ligas do continente tinham desembolsado juntas €5,5 bilhões em 2019/20 para contratar, reduzindo este mesmo montante para €3,3 bilhões na atual janela. A Premier League foi a única que superou €1 bilhão em gastos, mas cortando 11% do investimento anterior. Enquanto isso, as outras ligas foram bem mais econômicas, com La Liga baixando 70% os gastos, seguida pelos 57% da Bundesliga. Na Serie A, a queda das despesas com contratações foi na casa dos 36%, enquanto na Ligue 1 chegou a 40%.

Apesar disso, o fechamento de mercado foi movimentado. Serviu para que alguns clubes preenchessem necessidades de última hora e aproveitassem um pouco mais o período estendido de contratações. Arsenal, Manchester United, Paris Saint-Germain, Juventus e Bayern de Munique ocuparam bastante as manchetes. Mas há outros clubes que também fizeram compras interessantes no último dia da janela, não tão midiáticas, e merecem destaque.

Abaixo, separamos um representante de cada grande liga (deixando de fora os clubes mais ricos), bem como o Fenerbahçe – um dos que menos conteve as gastanças no período. As menções se concentram principalmente ao que os clubes fizeram no fechamento da janela, e não na janela como um todo. Assim, ficam ausentes alguns times que se reforçaram bem ao longo das últimas semanas, embora tenham se mantido satisfeitos no encerramento do prazo. Confira:

Fiorentina

O empréstimo de Federico Chiesa à Juventus, com obrigação de compra, representa uma perda imensa à Fiorentina. Mas, com o alívio no caixa, a Viola não demorou a superar seu ex com vários negócios no mercado. No fechamento da janela, o clube não trouxe apenas um substituto ao jovem ponta, como também fez adições importantes à defesa. O nome mais conhecido é o de José Callejón, que veio sem custos após o fim de seu contrato com o Napoli e ocupará a lacuna deixada por Chiesa. Aos 33 anos, não atravessa mais o melhor momento da carreira, mas seguia como um jogador importante nos celestes e tem lenha para queimar.

Já o acerto mais importante acontece com a contratação de Lucas Martínez Quarta. O zagueiro foi uma peça importante na defesa do River Plate nas últimas temporadas e, aos 24 anos, tem grande margem de progressão. Por €6 milhões, é um negócio para se valorizar. E vale salientar ainda o empréstimo de Antonio Barreca. O lateral anda devendo desde que surgiu bem com o Torino há três temporadas, mas ajudará a compor o elenco, após passar os últimos meses no Genoa. Além do trio, a Fiorentina já tinha contratado sem custos Borja Valero e Giacomo Bonaventura, bem como fechou as permanências de Christian Kouamé, Pol Lirola e Alfred Duncan.

Rennes

Estreante na Champions, o Rennes perdeu o goleiro Édouard Mendy e também vendeu Raphinha para o Leeds no fechamento da janela. Mas não dá para dizer que os rubro-negros saíram perdendo. O principal negócio do clube também aconteceu nesta segunda-feira, com a compra de Jérémy Doku. O atacante de 18 anos custou caro, contratado por €26 milhões, mas é considerado uma das maiores revelações recentes do futebol belga. Começou a atual temporada com dois gols e quatro assistências em sete aparições pelo Anderlecht, além de ter estreado pela seleção principal com gol na última Data Fifa. É um achado.

O Rennes também se voltou à Itália nas últimas horas. E sua defesa melhorou significativamente. Daniele Rugani chega como o novo xerife, emprestado pela Juventus, mas com bola para se dar muito bem no novo time. Já na lateral esquerda, quem entra é Dalbert, que estava sem espaço na Inter. Os rubro-negros fizeram sete adições ao elenco, com menções importantes também ao centroavante Serhou Guirassy, ao ponta Martin Terrier e ao goleiro Alfred Gomis. Dá para imaginar não só uma campanha digna na Champions, como também mais competitividade aos atuais líderes da Ligue 1.

Everton

Ok, o Everton é um dos clubes mais badalados neste início de temporada. Fez contratações expressivas e corresponde muito bem dentro de campo, com a liderança na Premier League. Mesmo assim, os Toffees se deram bem no fechamento da janela. A diretoria queria um goleiro para fazer sombra a Jordan Pickford, que anda vacilando. Buscou Robin Olsen, emprestado pela Roma. O sueco não é melhor que o inglês, mas é experiente e pode quebrar um galho se necessário. Já na defesa, o clube gastou €27,5 milhões por Ben Godfrey. Destaque no acesso do Norwich, o zagueiro continuou com moral mesmo diante do inescapável rebaixamento de sua equipe. Faz parte das seleções de base e, aos 22 anos, diz mais ao futuro.

O mercado do Everton, por enquanto, vai se mostrando o melhor da Premier League. As laterais ganharam Niels Nkounkou e Jonjoe Kenny – este, de volta após empréstimo ao Schalke. Já no meio-campo, o impacto do trio formado por James Rodríguez, Allan e Abdoulaye Doucouré é imediato. Carlo Ancelotti já tinha um bom time à disposição, mas pegou o bonde andando na temporada passada e não conseguiu ter regularidade. Com o trabalho reiniciado agora, o reflexo nos resultados é evidente. E o fechamento da janela permitiu aos Toffees contarem com um elenco ainda mais recheado.

Hoffenheim

A grande novidade do Hoffenheim foi a contratação do técnico Sebastian Hoeness, campeão da terceira divisão com o Bayern II. Os efeitos do novo comandante foram instantâneos, à frente de um elenco que manteve a base em relação à temporada passada. Mesmo sem aprovar o trabalho de Alfred Schreuder, o Hoffe conquistou a classificação à Liga Europa e preferiu preservar o plantel. De qualquer maneira, o fechamento da janela garantiu bons movimentos ao time que só tinha acrescentado o meia Mijat Gacinovic até então – em negócio que envolveu a saída de Steven Zuber rumo ao Eintracht Frankfurt.

Nesta segunda, o Hoffenheim trouxe de volta Sebastian Rudy. O polivalente jogador viveu seu ápice com a camisa alviazul, até se provar no Bayern e no Schalke. Não agradou e voltou como um nome importante ao Hoffe na campanha passada. Até começou a atual Bundesliga no Schalke, mas o novo empréstimo é ótimo a ele e ao time de Sebastian Hoeness. Além disso, o Hoffenheim também emprestou Ryan Sessegnon. Tratado como grande revelação do Fulham na conquista do acesso em 2017/18, não se deu bem na Premier League, especialmente após sua venda ao Tottenham. O vinda à Bundesliga é importante para ter sequência e manter sua ascensão.

Elche

O Elche foi o último clube a confirmar o acesso na Espanha, em meio à toda confusão envolvendo o Fuenlabrada nos playoffs. Natural que o clube demorasse um pouco mais na montagem de seu elenco, necessitando de um bom investimento para ser mais competitivo. E o técnico Jorge Almirón, vice-campeão da Libertadores com o Lanús, formou uma colônia argentina na Comunidade Valenciana. Diego Rodríguez, Juan Sánchez Miño e Lucas Boyé já tinham chegado ao elenco. Já nesta segunda, foram mais três argentinos contratados: Iván Marcone, Guido Carrillo e Emiliano Rigoni.

Rigoni é quem tem mais a acrescentar, com passagens relevantes por Zenit e Atalanta nos últimos anos. O ponta foi comprado em definitivo. Carrillo veio sem custos do Southampton, onde não emplacou, depois de ter defendido o Leganés nas duas últimas temporadas, e oferece presença de área. Já Marcone é um homem de confiança do próprio Almirón, parte daquele Lanús de 2017, e foi campeão argentino com o Boca Juniors recentemente. Além dos muitos compatriotas, o Elche ainda fechou com o lateral Antonio Barragán, ex-Betis, no encerramento da janela. A lista de reforços anteriores inclui ainda o colombiano Jeison Lucumí e o malinês Youssouf Koné, entre outros.

Fenerbahçe

O Fenerbahçe vem de uma péssima temporada, em que sequer se classificou à Liga Europa. Desta maneira, era esperado que os Canários gastassem aos montes no mercado de transferências. Parece até exagero: são nada menos que 17 novos jogadores, a maioria adicionada ao ataque. No fechamento, foram três novos nomes. O mais conhecido é Diego Perotti, que teve seus momentos na Roma e veio a custo zero. Dimitrios Pelkas era um dos destaques do PAOK campeão grego e dá qualidade ao meio-campo. Já o centroavante Kemal Ademi vem de uma boa campanha com o Basel e deve brigar por um espaço na frente.

De resto, são várias figurinhas carimbadas no Fener. A defesa ganhou os zagueiros Marcel Tisserand e Mauricio Lemos, dos poucos jogadores trazidos com custos. Também vieram às laterais Filip Novak, Caner Erkin e Gökhan Gönul. O meio ganhou a experiência de José Sosa, que foi vice-campeão com o Trabzonspor na última campanha. Já o ataque será até difícil de montar com Papiss Demba Cissé, Enner Valencia e Mbwana Samatta, além do supracitado Ademi. Se os gastos com transações não foram necessariamente altos, a folha salarial certamente sofreu um aumento significativo.