Como todo atacante, Ricky van Wolfswinkel vive de gols. Desde a temporada retrasada, o holandês oferece seus tentos à linha de frente do Basel. Porém, mesmo sem balançar as redes, o centroavante de 31 anos fez a partida mais importante de sua carreira neste sábado. Ele entrou nos minutos finais do clássico contra o Zurique, quando a goleada do seu time por 4 a 0 estava praticamente definida no Estádio Letzigrund. A participação, na verdade, representava uma volta por cima: seis meses após descobrir um aneurisma cerebral, o camisa 9 retomou a sua trajetória profissional.

A descoberta do problema aconteceu por acaso, após o duelo contra o LASK Linz pelas preliminares da Champions League em agosto. Wolfswinkel sofreu uma concussão durante o fim da partida e precisou passar por exames. Foi durante uma tomografia que os médicos detectaram o aneurisma em seu cérebro – que, vale frisar, não tinha qualquer relação com a pancada no crânio. A dilatação formada na parede do vaso sanguíneo, caso estourasse, poderia causar uma hemorragia cerebral – levando ao risco de óbito ou de danos extensos.

“Sou muito grato que descobrimos esse aneurisma. Normalmente, esse tipo de dilatação não é detectada a tempo, apenas depois de se romper. Os médicos fizeram vários exames. O aneurisma estava lá faz tempo, mas nunca tive qualquer indício”, declarou Wolfswinkel, na época. “Quero agradecer aos médicos do Basel e do hospital universitário na Basileia. Por enquanto, vou me concentrar na minha saúde e recuperação para voltar a fazer o que mais gosto: jogar futebol”.

Duas semanas após a descoberta, Wolfswinkel passou por uma cirurgia. Sua recuperação foi até mais rápida que o esperado e, em dezembro, o atacante retomou as atividades no centro de treinamentos do Basel. Sua rotina de exercícios aumentou gradualmente, até que ele estivesse apto a reaparecer no elenco durante o final de semana. Relacionado pela primeira vez desde agosto, o holandês entrou aos 35 do segundo tempo, no lugar do brasileiro Arthur Cabral. Sua equipe vencia o clássico por três gols de diferença e Fabian Frei fechou a conta pouco depois, completando uma tripleta.

“Não sei nem se joguei bem. Não era meu foco. Meu único pensamento era de que eu poderia voltar aos gramados. Nem sei como o time se saiu, isso realmente não era importante para mim hoje. Eu jogava pelo meu futuro. Depois disso, quero retomar meu espaço, marcar gols e ganhar jogos. Encontrei meu lugar aqui no Basel e todos no clube me fazem sentir assim”, afirmou Wolfswinkel, na saída de campo.

Com passagens por Vitesse, Utrecht, Sporting, Norwich, Saint-Étienne e Betis, Wolfswinkel vinha de uma boa temporada com o Basel. Anotou 13 gols e deu seis assistências em 32 partidas pelo Campeonato Suíço. Arthur Cabral e Kemal Ademi vinham sendo utilizados no comando de ataque durante a ausência do camisa 9. A readaptação do holandês pode levar algum tempo. Todavia, o mero fato de poder retomar os treinos e integrar o elenco já significa bastante.