Melhor no primeiro jogo, o Athletico Paranaense partiu ao Maracanã em uma situação pouco confortável à volta das quartas de final da Copa do Brasil. O empate por 1 a 1 na Arena da Baixada forçava a necessidade de ao menos repetir a igualdade, contra um Flamengo motivado. Não foi isso que abalou a confiança do Furacão. Mesmo pressionado durante boa parte do tempo, o time de Tiago Nunes manteve o seu jogo e cumpriu sua missão. Travou os cariocas e buscou o empate graças à voracidade de seu contra-ataque. O placar de 1 a 1 levava a definição às penalidades. Pesou a competência atleticana, que triunfou por 3 a 1 na marca da cal e frustrou as quase 70 mil almas nas arquibancadas. Com méritos, o Athletico passa às semifinais, esfriando um pouco a animação com o início de Jorge Jesus no Fla.

A empolgação pela goleada sobre o Goiás parecia se manter durante os primeiros minutos de jogo no Maracanã. O Flamengo começou a partida indo ao ataque e contando com o barulho da torcida. Entre as trocas de passes e a marcação adiantada, os cariocas sufocaram o Athletico. Santos salvou os paranaense aos sete minutos, com grande defesa em cabeçada de Arrascaeta. Porém, o uruguaio precisou deixar o campo pouco depois. Sentiu uma lesão e foi substituído por Vitinho. Era o segundo desfalque de Jorge Jesus para a noite, já que Bruno Henrique não havia entrado em campo por dores no tornozelo, dando lugar ao garoto Lincoln.

Apesar da saída de seu melhor jogador, o Flamengo continuou em cima do Athletico. Controlava a posse de bola e jogava no campo de ataque. Santos ainda realizaria outra grande defesa aos 15, desviando a tentativa de Lincoln que ainda bateu na trave. E talvez o maior símbolo da fome que o Fla apresentava neste início veio instantes depois, em uma saída curta do Furacão. Os cariocas apertaram até recuperar a bola em ótima posição. O problema foi a afobação de Lincoln na hora do arremate, facilitando a defesa do arqueiro.

O passar dos minutos, contudo, fizeram com que o Flamengo perdesse intensidade. O time continuava com a posse de bola, mas sem o mesmo ritmo, e via a defesa do Athletico se sentir mais à vontade. Aos 26, o Furacão conseguiu dar sua primeira escapada ao ataque. Rapidamente, Marcelo Cirino conectou com Rony, mas o atacante bateu para fora. A reta final do primeiro tempo seria apática, trava por faltas, entre os anfitriões que não apresentavam criatividade para gerar perigo e os visitantes que aguardavam o momento de dar o bote.

Durante o segundo tempo, o Flamengo continuou tentando se manter à frente, mas dava sinais de seu cansaço. Lincoln deu lugar a Berrío, na tentativa de adicionar potência ao ataque. A mudança surtiu seu efeito e o gol surgiu justamente quando os cariocas conseguiram voltar a criar. Vitinho pedalou para cima de Jonathan e se livrou da falta, antes de cruzar para o segundo pau. Éverton Ribeiro ajeitou de cabeça e Gabigol apareceu para completar de primeira, dentro da área. Foi o que recobrou a confiança do time, aos 16 minutos, mesmo que o gol não tenha tornado a partida mais fácil. O Athletico se mantinha bem postado, à espreita.

A cartada de Tiago Nunes depois do gol veio com a entrada de Bruno Nazário no lugar de Nikão. E o substituto seria decisivo. Participaria diretamente do empate, aos 31, em que o ataque rápido do Athletico que conseguiu explorar a defesa adiantada do Flamengo. Nazário descolou uma enfiada de bola excepcional a Rony, que se projetava às costas de Rafinha. O atacante invadiu a área sozinho e, diante de Diego Alves, tocou por baixo do goleiro. Mesmo avançando pouco, o Furacão foi cirúrgico quando teve brecha.

O tento abateu o Flamengo. A própria torcida sentiu, enquanto o time não demonstrava tanta organização. Gabigol foi quem mais se aproximou do segundo, aos 34, mas pegou mal na bola. Pior, durante os minutos finais, o Athletico pareceu disposto a cometer o crime no tempo normal. Lucho González poderia ter punido uma saída errada de Rodrigo Caio. Rony, por sua vez, bateu ao lado da meta em sobra de bola. Bruno Guimarães, embora mais exigido na marcação desta vez, de novo ritmava a equipe com seus passes. E, de uma partida que se prometia difícil, o Furacão seguiu aos pênaltis muito mais leve.

Na marca da cal, a displicência do Flamengo foi vergonhosa. Especialmente por Diego, que resolveu chutar no meio do gol e mandou nas mãos de Santos. Vitinho isolou o segundo chute, enquanto Santos também acertou o canto no tiro de Éverton Ribeiro. Cuéllar foi o único do Fla a acertar. Já o Athletico demonstrou muito mais competência e também contou com a sorte. Diego Alves até chegou a tocar o arremate de Jonathan, mas não com a firmeza necessária, enquanto não alcançou a ótima cobrança de Lucho González. O goleiro só conseguiu brecar Bruno Nazário, o que não seria suficiente. Ao final, Bruno Guimarães fechou o triunfo por 3 a 1, mais do que merecido ao Furacão.

Tiago Nunes realiza no Athletico Paranaense um dos melhores trabalhos do país. O Furacão fez uma boa partida dentro de sua estratégia no Maracanã, especialmente por evitar o sufoco na defesa durante a maior parte do tempo. E mesmo com as limitações no ataque, arrancou um ótimo resultado fora de casa, onde não costuma se dar bem. Já o Flamengo, dando os seus primeiros passos com Jorge Jesus, sofre o seu primeiro tropeço. Não dá para culpar o treinador ou sua estratégia, entre erros e acertos coletivos. O problema maior veio entre o baixo rendimento de alguns jogadores e a maneira como a equipe sentiu os desafios da partida – para não falar da vergonha nos pênaltis. A Copa do Brasil, a competição na qual o Fla mais tem sucesso nos últimos anos, não está mais no horizonte. A tarefa do treinador, além de arredondar a forma de jogo, será continuar trabalhando com essa parte mental dos seus atletas.