A sentença sobre o caso de fraude fiscal de Lionel Messi ganhou as manchetes nesta quarta: junto com o seu pai, o craque foi condenado a 21 meses de prisão. Além dos €5 milhões que teve que repor à receita federal espanhola em 2013 (€4,1 defraudados mais correção monetária), o atacante do Barcelona precisará pagar cerca de €2,1 milhões em multas, enquanto seu pai desembolsará €1,5 milhões. Por terem colaborado com o processo, a pena dos argentinos foi atenuada a sete meses por cada ano de delito. E, como a condenação final é menor do que 24 meses, segundo a legislação espanhola, ambos escapam de ter que cumpri-la necessariamente em cárcere. Os advogados de Messi ainda irão recorrer em uma instância superior.

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Diante do episódio, tanto quanto a gravidade expressa na condenação, chama atenção a avaliação feita pelo tribunal. Segundo o documento divulgado nesta quarta, Messi atuou com “ignorância deliberada” ao não se informar sobre aquilo que estava ao seu alcance. “O desconhecimento evitável não pode tirar a responsabilidade. Quando se aprecia uma indiferença tão grave e, apesar de todas as oportunidades que teve o jogador para conhecer como geriam os seus direitos, cabe considerar que atuou com dolo – vontade deliberada de cometer o delito”, classificou.

“Messi se colocou em situação de não querer saber aquilo que pode e deve conhecer e, além disso, se beneficia dessa situação, assumindo e aceitando todas as possibilidades do negócio que participa”, complementa a sentença. “A pessoa que não quer conhecer voluntariamente a origem dos efeitos sobre os que atua pode afirmar que conhece a origem do delito, pois com seu ato de negar as fontes de conhecimento está representando a possibilidade da ilegalidade de sua atuação”.

O tribunal não conclui se Messi agiu de má fé ou não. O que, no fim das contas, não importa para a sentença: seu erro é a omissão assumida, ao afirmar que deixou os seus negócios por conta de seu pai e, este, dos representantes da família. Mesmo diante de trâmites suspeitos, o jogador não correu atrás daquele que era o seu interesse. Uma postura (no mínimo) inconsequente e que deve servir de lição a outros jogadores profissionais. No mais, a situação do craque é de risco. Caso algum outro delito seja descoberto e ele receba ao menos mais três meses de condenação, não poderá mais escapar da prisão – ao menos em teoria.