A punição um tanto quanto exagerada a Guerrero pela expulsão no duelo com o Once Caldas, de três jogos, não é a única coisa que colocou em evidência os critérios pesados da Conmebol nesta edição recém-iniciada da Libertadores. O site da ESPN traz, nesta quinta-feira, uma matéria revelando uma das introduções peculiares ao livro de regras da competição para 2015: se um clube levar a campo, em mais de uma oportunidade, seu mascote, poderá ser punido com o fechamento dos portões. Em caso de reincidência, a punição pode chegar a dois jogos – maior que a recebida pelo Corinthians pela morte de Kevin Espada, em 2013.

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A maneira como a Conmebol lidou com a morte do garoto há dois anos, por si só, já é bastante problemática. A decisão inicial de portões fechados para todos os jogos do Corinthians naquela edição parecia o mínimo a ser feito, e ainda assim a punição final foi de Pacaembu vazio apenas no jogo seguinte do Alvinegro naquela edição, contra o Millonarios. Comparada a essa possível punição de dois jogos pela simples presença dos mascotes dos clubes no gramado, fica ainda pior – e torna essa nova sanção igualmente mais absurda.

Segundo o artigo 14.7 do regulamento da Libertadores 2015, está proibida a “presença do mascote institucional dos clubes participantes ou de algum de seus patrocinadores em determinado encontro”. Pela primeira infração, o clube poderá levar uma multa de  US$ 10 mil e cumprir um jogo com os portões fechados. Por uma segunda infração, multa de US$ 15 mil e até duas partidas com portões fechados, enquanto a terceira renderia multa de US$ 25 mil e dois jogos sem torcida.

O mascote não é fundamental para a realização de uma partida, é claro, mas tampouco causa algum problema ao espetáculo. Pelo contrário: é um “enfeite” que completa a atmosfera de um jogo. Proibi-lo não faz sentido, e punir com tamanha severidade sua presença é ainda mais maluco. Quando o histórico aponta para uma punição de apenas um jogo pela morte de um garoto causada por torcedores dentro de um estádio, aí fica claríssimas a falta de critério e a arbitrariedade da entidade responsável pela organização da maior competição de clubes de nosso continente.

Dentre os brasileiros, Corinthians e Internacional não levam seus mascotes aos jogos com frequência e portanto são menos afetados, mas para Cruzeiro, Atlético e São Paulo, a nova regra absurda implica na quebra de uma tradição criada nos últimos anos. Imaginar o Mineirão lotado recebendo o bicampeão brasileiro e não ver a raposa lá, como parte importante do cenário de festa, é simplesmente estranho. Resolver problemas sérios não é mesmo com a Conmebol, mas se precisar de alguém para ser uma pedra no sapato desnecessária para o bom andamento da competição, é só chamar a entidade.