Parece combinado. Ou de propósito. No mesmo momento em que deixa de contar com David Silva em seu elenco pela primeira vez em dez anos, o Manchester City contratou outro meia habilidoso do Valencia. Ferrán Torres, 20 anos, teve oficializada a chance de seguir os passos de um de seus ídolos, embora tenha características diferentes e chegue, na prática, para substituir Leroy Sané, vendido ao Bayern de Munique.

O negócio foi uma pechincha na relação entre o valor desembolsado – entre € 23 milhões e € 27 milhões, mais variáveis – e o potencial de uma das melhores revelações da última geração de jogadores espanhóis. O City tirou proveito da situação caótica do Valencia, sob o risco de perder uma série de jogadores importantes, e do fato de que Torres tinha apenas mais um ano de contrato. Houve até rumores de que Silva ajudou a convencê-lo a escolher o clube treinado por Guardiola, em meio a grande interesse pelos seus serviços.

A contratação se assemelha muito com a de Sané e segue a estratégia do City de investir majoritariamente em jovens talentos em vez de jogadores mais estabelecidos. Tem 20 anos e uma boa experiência em um clube importante de uma das grandes ligas da Europa, embora longe do topo da tabela. Torres defendeu o Valencia 97 vezes. Sané tinha a mesma idade quando se mudou para a Inglaterra e 57 jogos pelo Schalke 04.

Ambos atuam nas duas pontas, são rápidos e gostam de passar pelos marcadores. Na realidade, todo mundo gosta de passar pelos marcadores. O diferencial de Sané e Torres é que eles conseguem fazê-lo com frequência. Se for necessário, o novo garoto prodígio do City pode também atuar pelo meio, ocupando o espaço deixado por Silva.

“Talvez minha melhor posição no momento seja pelos lados, mas, com o passar dos anos, se eu ficar mais velho, talvez perdendo um pouco de velocidade e força, talvez eu possa terminar jogando por dentro porque eu joguei ali no passado”, disse, à BBC. “Uma coisa que inseriram em mim, porque eu era pequeno (cresceu para respeitáveis 1,84 metros), é que quanto mais posições em que eu puder jogar, mais possibilidades eu terei para jogar e mais eu poderei contribuir”.

Torres estreou muito jovem, com apenas 17 anos, na temporada 2017/18. Teve mais uma temporada de adaptação e foi titular com frequência na última campanha. Seus números não quebram a banca: quatro gols e cinco assistências em 34 rodadas de La Liga. Por outro lado, o Valencia anotou apenas 46 gols, então sua contribuição direta foi de aproximadamente 20%, o que é bem respeitável para um garoto. Ainda anotou dois tentos e deu dois passes diretos na Champions League.

“Estou tão feliz de me juntar ao City”, disse Torres, ao site do clube. “Todo jogador quer estar envolvido em times ofensivos, e o Manchester City é um dos mais ofensivos do futebol mundial. Pep encoraja um estilo muito aberto e agressivo, o que eu amo, e é um treinador com um histórico comprovado de desenvolver jogadores. Tê-lo supervisionando meu crescimento é um sonho”.

“O City venceu vários troféus nos últimos de anos e espero que possa ter um papel na continuidade desse sucesso”, afirmou Torres, cujo único título, por enquanto, é a Copa do Rei de 2018/19.

Foi a primeira contratação de um mercado que tende a ser movimentado para o Manchester City, com algumas posições no elenco precisando de reforço. A de Sané parece bem coberta. O próximo alvo deve ser a zaga.

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