A 11ª rodada do Campeonato Brasileiro terminou como a 10ª: com o Botafogo na ponta. E não por acaso. O time da estrela solitária venceu um jogo duríssimo contra o Vasco, graças, principalmente, ao seu craque, Seedorf. O camisa 10 é um líder técnico, em campo, pelo trabalho que faz, domínio de bola, passes e até finalização. Fora de campo, ensina os garotos, até controlando as entrevistas dos jogadores e mudando a programação de entrevistas coletivas. O Botafogo se coloca como candidato ao título em um campeonato em que não há um grupo definido de candidatos ao título. Do 17º colocado, Atlético Mineiro, primeiro time da zona do rebaixamento, até o Internacional, 4º colocado, há uma diferença de apenas nove pontos (10 x 19). A indefinição é o tom e o Botafogo aproveita para somar pontos. Mas nem só de Botafogo viveu a 11ª rodada. Teve também o duelo de invictos no Mineirão, a ascensão do Furacão, o drama da Portuguesa, a recuperação do Corinthians, o Gre-Nal violento e mais:

Adeus, invencibilidade

Cruzeiro 1×0 Coritiba

O duelo era de invencíveis. O Cruzeiro, por não ter perdido jogando no Mineirão até agora, desde a reinauguração do estádio. O Coritiba ainda não tinha perdido um jogo sequer no campeonato. Ao final do duelo, só uma invencibilidade prevaleceu: a celeste. O gol solitário de Luan levou a equipe mineira à vitória, em um jogo muito disputado. O Coritiba sentiu muito a falta de Alex, mas mesmo assim conseguiu criar chances. Já o Cruzeiro foi melhor na partida e até poderia ter feito outro gol, mas a incompetência nas finalizações deu o tom. O Cruzeiro é o vice-líder, com 21 pontos, nos calcanhares do Botafogo, que tem 23. O Coritiba, apesar da derrota, ainda é terceiro colocado, com 21.

Jogando como sempre, vencendo como nunca

Atlético Paranaense 2×0 Goiás

O Coritiba está muito bem, mas o seu rival vinha mal das pernas até algumas rodadas atrás. O time estava na zona do rebaixamento e parecia não dar sinais de recuperação, mas não tendo um time tão ruim assim. Pior: o time fazia boas partidas, mas não conseguia vencer. Então veio a mudança de técnico, veio Vagner Mancini e o time parece ter conseguido o que faltava. Já são quatro vitórias consecutivas em todas as competições, sendo três delas só no Brasileiro. Neste domingo, a vitória foi sobre o Goiás, que vinha bem. O Furacão já está em oitavo lugar, em um campeonato onde as distâncias entre os times de cima e de baixo não são muito grandes.

Jogou como nunca, perdeu como sempre

Vitória 2×1 Portuguesa

A Portuguesa é um caso curioso. Contra o Vitória, em Salvador, não se podia esperar muito do time, que está em pedaços, faz campanha fraca e recentemente mudou de técnico. Mas contra todas as possibilidades, a Portuguesa fez um primeiro tempo excelente. Dominou o jogo, foi melhor, perdeu chances e marcou 1 a 0. Só que aí viu o que está acostumada a ver: o adversário conseguir dois gols, virou o jogo, e levou os três pontos do jogo. A Lusa é a penúltima na tabela, com oito pontos.

Futebol de menos, árbitro menos ainda

Grêmio 1×1 Internacional

O primeiro Gre-Nal da Arena Grêmio não foi lá um grande jogo. Aliás, o que se viu no Gre-Nal 397 foi pouco futebol, pouquíssimo. A partida foi muito dura, com muitas faltas e um árbitro completamente perdido. Com a junção de excesso de agressividade e um árbitro ruim, o resultado foi um alto número de cartões vermelhos: três no total, sendo dois para os colorados. O gol do Grêmio veio com Barcos, ainda em má fase, em uma jogada de Kléber – este sim, em ótima fase. O empate veio em uma jogada de Willians, que tinha cometido pênalti em Kléber. O volante, ex-Flamengo, fez uma jogadaça como ponta direita e cruzou rasteiro. A bola passou por todo mundo e correu à procura de Leandro Damião, com o úmero nove às costas. Ele fez o seu trabalho. Ao contrário do árbitro, que não expulsou Adriano, do Grêmio, deixou o jogo ficar excessivamente violento, e ainda expulsou Jorge Henrique e Fabrício em lances que não mereciam. Uma lambança.

Capitães estrangeiros

Barcos e D’Alessandro

Como o Gre-Nal foi mais falado do que jogado, duas figuras que apareceram muito foram os capitães dos dois times. Curiosamente, dois argentinos. Barcos vestiu a braçadeira pelo tricolor gaúcho, talvez uma forma de Renato Portaluppi dar moral ao centroavante – e também porque o capitão de fato, Zé Roberto, não jogou, machucado. No lado vermelho, a braçadeira esteve com Andrés D’Alessandro, que fez o que está acostumado: liderou o time tanto na parte técnica quanto na parte motivacional. Reclamou com o árbitro repetidas vezes – muitas com razão, é bom dizer – e deixou o campo dizendo que o Inter foi prejudicado. Muito marcado, não conseguiu ter a mesma participação com a bola do que teve com as reclamações.

Onde está o campeão?

Flamengo 3×0 Atlético Mineiro

Lá se vão três rodadas desde o título do Galo na Libertadores e são três derrotas consecutivas. A cota de resultados justificáveis parece ter se esgotado e o time não pode ficar nesse céu de brigadeiro achando que ano acabou e só resta o Mundial. Com o time que tem o Atlético, é preciso ter ambição. É claro que a parte física irá contar, mas o time está alheio ao campeonato. Não pode ser assim. Não há risco de rebaixamento, ainda que o time esteja dentro da zona do rebaixamento neste momento, mas esperar pacientemente pelo fim do Brasileiro e jogando para valer só na Copa do Brasil será pouco para que o time mostre o seu valor. E, como deveria ser o pensamento dos jogadores e da comissão técnica, não se sabe por quanto tempo esse time irá durar. É preciso querer vencer tudo, sempre. Porque só quem ambiciona pode chegar lá.

Onde está o campeão? (2)

Ponte Preta 1×1 Fluminense

Se você já foi em uma feira, já ouviu a famosa frase, dita por feirantes: “Mulher bonita não paga”. O Fluminense de 2012 era essa mulher bonita, colhendo pontos que nem sempre tinha feito por merecer. Mas foi lá, pouco a pouco, mostrava doses de talento – Fred matador e Cavalieri fechando o gol – e levava.Neste ano, a frase continua sendo dita, só que de forma completa: “Mulher bonita não paga, mas também não leva”. O Flu continua com um time excelente no papel, mas pouco efetivo na prática. Fred parece ter deixado o futebol na Copa das Confederações e o resto da equipe não rende. O empate com a Ponte Preta fora de casa é sim um tropeço para um time que entrou no Brasileiro como um dos favoritos, mas ocupa só a 12ª posição depois de 11 rodadas. A Ponte consegue um ponto que não é maravilhoso, mas ao menos mantém o time fora da zona do rebaixamento.

O gigante acordou?

Criciúma 0x2 Corinthians

O Corinthians começou o campeonato apreciando a paisagem, enquanto outros pisavam fundo no acelerador. Agora, o time parece ter finalmente acordado. O time, um dos mais fortes do Brasil, parece ter sido convencido pelo seu técnico a voltar a jogar um pouco e conquistou a segunda vitória seguida. Depois do Grêmio no Pacaembu, o Criciúma no Heriberto Hulse. O desafio de quarta é o Santos na Vila. Se o Corinthians voltou mesmo aos seus melhores dias e Renato Augusto continuar como titular (não dá para colocar esse cara no banco, Tite), o time tem grandes chances de voltar a brigar pela ponta. Tem time para isso.

Seedorf e seus alvinegros adestrados

Vasco 2×3 Botafogo

Seedorf convocou e a torcida apareceu. Bom, uma parte. Não foi dos melhores públicos, mas comparado ao que o Botafogo vivia no Engenhão, os 33.419 presentes (sendo 24.974 pagantes) vibraram com a boa atuação do Botafogo, que venceu um clássico duro com o Vasco. O craque botafoguense fez valer a sua classe em um belo gol no primeiro tempo, mas também a sua liderança para manter o time atento durante todo o jogo, pedir marcação adiantada e fazer o Botafogo chegar a 23 pontos em 11 rodadas, líder absoluto. Não por acaso. O time faz um grande campeonato. Rafael Marques tem se mostrado útil, Lodeiro tem jogado muito bem, Vitinho entrou no time para não sair mais. Seedorf orienta os garotos, que o tratam com respeito e admiração. Além de ver que o holandês decide jogos, é um craque com a bola também. A cena final do jogo deste domingo, com os jogadores de mãos dadas agradecendo à torcida, como o Milan costuma fazer, foi sensacional. Aliás, é mais uma das coisas que Seedorf trouxe ao Brasil. O Botafogo é promissor, embora ainda seja cedo para falar de título. Cedo para falar, mas não para sonhar.

Orgulho vascaíno

Juninho

Perder nunca é bom, não importa a situação. Mas é preciso ressaltar o quanto Juninho Pernambucano é grande para o futebol e para o Vasco, em particular. Além do excelente futebol que o meia tem jogado, que pode ser visto no primeiro gol vascaíno, em jogada que lembrou Zidane, ele ainda fez sacrifícios pelo time. Machucado no segundo tempo após disparar um chute, ele queria sair, mas Dorival Júnior já tinha feito as três alterações – a última, a entrada de Fagner, pouco antes. Então Juninho recebeu atendimento por dores na panturrilha e voltou a campo, mancando. E, mancando, cobrou faltas, chutou a gol e tentou correr, como pode. E batendo escanteios e faltas, quase levou o Vasco ao empate, mesmo em condições físicas muito ruins. Ficou em campo até o final. O Vasco perdeu, mas seu capitão estava lá, em campo, lutando pelo time. É preciso mais Juninhos no futebol. Muito mais.