A maior cidade de Santa Catarina está em festa. Após 28 anos, o Joinville está de volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Para os mais novos, isso pode até soar estranho. Afinal, o Coelho foi ofuscado por Criciúma, Avaí e Figueirense no cenário nacional nas últimas décadas. Mas, para a geração de quem tem mais de 30 anos, o JEC era quase sinônimo de futebol catarinense. Os tricolores foram octocampeões e eram presença constante nas Copas Brasil (nome do Brasileirão na época) nos anos 80.

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A última vez que isso ocorreu foi em 1986, em um elenco em que se destacavam o lateral-direito Alfinete e o atacante Paulo Egídio (outro jogador daquele time se tornaria famoso anos depois: o volante Júnior, hoje conhecido como Dorival Junior). Foi uma participação bastante digna e, digamos, atribulada. Dá para dizer tudo sobre o Joinville no Brasileirão de 1986, menos que ele tenha passado despercebido no meio dos 48 clubes (44 nos grupos principais e 4 que saíam do Torneio Paralelo e entravam na segunda fase) que integraram a competição.

Na primeira fase, os 44 times eram divididos em quatro chaves de 11 equipes. Classificavam-se os seis primeiros de cada grupo, mais quatro equipes por índice técnico e quatro do Torneio Paralelo. O Joinville fez 9 pontos, mas ganhou no STJD os pontos do empate contra o Sergipe devido ao doping de um jogador colorado. Com isso, o JEC foi a dez pontos e abocanhou uma das vagas por índice técnico. O problema é que o clube que perderia essa vaga era o Vasco. Eurico Miranda, diretor cruz-maltino, não aceitou e entrou na justiça comum. O tricolor catarinense fez o mesmo e, diante do impasse, a CBF decidiu classificar os dois times e eliminar a Portuguesa, que também havia entrado na Justiça (por uma questão de venda de ingressos).

A confusão estava instaurada, pois os clubes paulistas foram solidários com a Lusa e ameaçaram abandonar o campeonato (que, claro, havia sido suspenso). No final, a confederação foi para o consenso. Mudou o regulamento e aumentou de 32 para 36 times na segunda fase, classificando Joinville, Vasco e Portuguesa, e ainda beneficiando Santa Cruz, Sobradinho e Náutico (as equipes com melhor pontuação entre os que não passariam de fase).

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Mas a participação do JEC não pode ser resumida aos tribunais. Depois da disputa de advogados, o clube cresceu. Na segunda fase, os catarinenses não sofreram um gol sequer em casa e ficaram em terceiro lugar no Grupo I, atrás apenas de São Paulo e Palmeiras e à frente de Santos, Botafogo, Bangu (vice-campeão nacional da época) e América-RJ (que seria semifinalista daquele torneio).

O Joinville estava entre os 16 melhores times do Brasil, repetindo o desempenho de 1985 (quando terminou em oitavo). Nas oitavas de final, pegou o Cruzeiro. Dois empates eliminaram o tricolor catarinense, mas o JEC deu muito calor na Raposa no jogo de volta, no Mineirão. Os vídeos abaixo mostram as duas últimas partidas da história do Joinville na primeira divisão nacional. As duas últimas até 2015, pois essa seca finalmente acabará.