Ver o Bayern de Munique em uma final da Liga dos Campeões virou normal. É a terceira decisão em quatro anos, além de uma série de duas em três anos entre 1999 e 2001. Mas o Dortmund está só em sua segunda. Não faltam méritos aos aurinegros, mas não dá para dizer que é um frequentador assíduo da final europeia. Como não são os demais times alemães, mas não foram poucos os que já decidiriam a principal competição de clubes do mundo.

Sem contar a final de 2013, foram 15 aparições teutônicas na partida decisiva da Copa/Liga dos Campeões. E não foram todas do Bayern de Munique, óbvio. Teve espaço para os dois Borussias, o Leverkusen, o Hamburg e até o Eintracht Frankfurt. Se você ainda não conhece essa história, agora tem a oportunidade. Não a desperdice.

EINTRACHT FRANKFURT 1959/60

Adversários: Kuopion Palloseura (FIN), Young Boys (SUI), Wiener (AUT), Rangers (ESC) e Real Madrid (ESP)
Final: Real Madrid 7×3 Eintrach Frankfurt
Escalação: Loy; Lutz, Höfer e Eigenbrodt; Weilbächer e Stinka; Kress, Lindner, Stein, Pfaff e Meier
Técnico: Paul Osswald

A final correu o risco de não acontecer. A federação alemã chegou a proibir o Frankfurt de entrar em campo contra Puskás, que havia acusado os alemães de estarem dopados na final da Copa de 1954. Mas o boicote não foi em frente, e o Real Madrid deitou e rolou. Uma goleada incontestável para coroar o pentacampeonato europeu.

BAYERN DE MUNIQUE 1973/74

Adversários: Atvidaberg (SUE), Dynamo Dresden (RDA), CSKA Septemvriysko Zname (BUL), Újpesti Dózsa (HUN) e Atlético de Madrid (ESP)
Final: Bayern de Munique 1×1 Atlético de Madrid e Bayern de Munique 4×0 Atlético de Madrid
Escalação: Maier; Hansen, Breitner, Schwarzenbeck e Beckenbauer; Roth, Torstensson (Dürnberger) e Zobel; Uli Hoeness, Gerd Müller e Kapellmann
Técnico: Udo Lattek

A período de domínio do Bayern de Munique começou de forma muito sofrida. Na final contra o Atlético de Madrid, o 0 a 0 permaneceu até os 9 minutos do segundo tempo da prorrogação, quando os espanhóis saíram na frente. Os alemães-ocidentais só se safaram da derrota no último minuto, com gol de Schwarzenbeck. No jogo-extra, disputado apenas dois dias depois, os bávaros não tiveram dificuldades para golear.

BAYERN DE MUNIQUE 1974/75

Adversários: Magdeburg (RDA), Ararat Yerevan (URS), Saint-Étienne (FRA) e Leeds United (ING)
Final: Bayern de Munique 2×0 Leeds United
Escalação: Maier; Andersson, Dürnberger, Schwarzenbeck e Beckenbauer; Roth, Torstensson e Zobel; Gerd Müller, Uli Hoeness e Kapellmann
Técnico: Dettmar Cramer

O bi do Bayern veio com muita controvérsia. O time viveu a temporada toda em crise, terminando a Bundesliga apenas na décima posição. Para piorar, a decisão contra o Leeds United foi polêmica. Os ingleses dominaram a partida desde o início e chegaram a abrir o marcador. No entanto, o árbitro francês Michel Kitabidjian mudou sua marcação após consultar o bandeirinha. O Leeds protestou muito e acabou se perdendo no jogo. O Bayern aproveitou e, com gols de Roth e Müller, renovou seu título de melhor da Europa.

BAYERN DE MUNIQUE 1975/76

Adversários: Jeunesse d’Esch (LUX), Malmö (SUE), Benfica (POR), Real Madrid (ESP) e Saint-Étienne (FRA)
Final: Bayern de Munique 1×0 Saint-Étienne
Escalação: Maier; Hansen, Horsmann, Schwarzenbeck e Beckenbauer; Roth, Dürnberger e Kapellmanm; Rummenigge, Gerd Müller e Uli Hoeness
Técnico: Dettmar Cramer

Outra decisão muito dura para o melhor Bayern da história. No primeiro tempo, o Saint-Étienne foi superior e chegou a acertar a trave duas vezes. Após o intervalo, os bávaros igualaram as ações e chegaram ao gol em um chute de fora da área de Roth.

BORUSSIA MÖNCHENGLADBACH 1976/77

Adversários: Austria Vienna (AUT), Torino (ITA), Brugge (BEL), Dynamo Kiev (URS) e Liverpool (ING)
Final: Liverpool 3×1 Borussia Mönchengladbach
Escalação: Kneib; Vogts, Klinkhammer, Wittkamp e Bonhof; Wohlers, Simonsen e Wimmer; Stielike, Schäfer e Heynckes
Técnico: Udo Lattek

Foi o início da hegemonia do futebol inglês na Copa dos Campeões. O Liverpool, que já havia batido o Mönchengladbach na final de Copa da Uefa em 1972/73, conquistou seu primeiro título na principal competição da Europa. O Borussia, que tinha no comando o mesmo técnico que iniciou o tri do Bayern de Munique três anos antes e o atacante Jupp Heynckes, atual técnico dos bávaros, em campo. Mesmo com o vice, o time alemão-ocidental conquistou o direito de representar a Europa no Mundial Interclubes daquele ano, pois os Reds desistiram da vaga. Mas não adiantou muito, pois o Mönchengladbach caiu por diante do Boca Juniors.

Liverpool x Monchengladbach 1977

HAMBURG 1979/80

Adversários: Valur (ISL), Dinamo Tbilisi (URS), Hajduk Split (IUG), Real Madrid (ESP) e Nottingham Forest (ING)
Final: Nottingham Forest 1×0 Hamburg
Escalação: Kargus; Kaltz, Nogly, Jakobs e Buljan; Hieronymus (Hrubesch), Keegan e Memering; Milewski, Magath e Reimann
Técnico: Branko Zebec

O Nottingham Forest de Brian Clough já era o campeão europeu, e foi competente defendendo seu título. O único gol da partida foi marcado logo aos 2o minutos do primeiro tempo, com Robertson.

BAYERN DE MUNIQUE 1981/82

Adversários: Öster (SUE), Benfica (POR), Universitatea Craiova (ROM), CSKA Septemvriysko Zname (BUL) e Aston Villa (ING)
Final: Aston Villa 1×0 Bayern de Munique
Escalação: Manfred Müller; Dremmler, Horsmann, Weiner e Augenthaler; Kraus (Niedermayer), Dürnberger e Breitner; Dieter Hoeness, Mathy (Güttler) e Rummenigge
Técnico: Pál Csernai

Uma grande surpresa. Apesar de a Inglaterra ter ficado com os cinco títulos anteriores da Copa dos Campeões, o Aston Villa era uma equipe em crise, que fez má campanha defendendo seu título doméstico e ainda perdera seu técnico no meio da temporada. Para piorar, o veterano goleiro Rimmer sentiu dores e foi substituído com 9 minutos de jogo. Mas Spink, o reserva, teve atuação inspirada e segurou o ataque do Bayern. O único gol da partida foi marcado por Withe, complementando jogada de Shaw pela esquerda.

HAMBURG 1982/83

Adversários: Dynamo Berlin (RDA), Olympiakos (GRE), Dynamo Kiev (URS), Real Sociedad (ESP) e Juventus (ITA)
Final: Hamburg 1×0 Juventus
Escalação: Stein; Kaltz, Wehmeyer, Jakobs e Hieronymus. Rolff, Milewski e Groh; Hrubesch, Magath e Bastrup (Von Heesen)
Técnico: Ernst Happel

Após seis títulos seguidos de ingleses, a Copa dos Campeões foi parar no país que a tivera nos três anos anteriores à série. O Hamburg, com vários jogadores que haviam perdido a CC para o Nottingham Forest em 1980, bateu à excelente equipe da Juventus, base da seleção italiana que conquistara a Copa do Mundo apenas um ano antes. Curiosamente, o gol do título foi de Felix Magath, que estava na seleção da Alemanha Ocidental que perdeu a final do Mundial para a Azzurra. Uma boa vingança contra os bianconeri Zoff, Schirea, Cabrini, Gentile, Tardelli e Rossi.

BAYERN DE MUNIQUE 1986/87

Adversários: PSV (HOL), Austria Vienna (AUT), Anderlecht (BEL), Real Madrid (ESP) e Porto (POR)
Final: Porto 2×1 Bayern de Munique
Escalação: Pfaff; Winklhofer, Pflügler, Eder e Brehme; Nachtweih, Flick (Lunde), Matthäus e Dieter Hoeness; Michael Rummenigge e Kögl
Técnico: Udo Lattek

Kögl abriu o marcador aos 25 minutos. A partir daí, o Bayern foi controlando a partida, confirmando seu favoritismo. Até que, nos minutos finais, tomou dois gols em três minutos e ficou sem o título europeu. Parece o enredo de 1999, mas foi em 1987, com a virada do surpreendente Porto de Artur Jorge, Futre e Madjer com gols aos 32 e 35 minutos do segundo tempo.

BORUSSIA DORTMUND 1996/97

Adversários: Atlético de Madrid (ESP), Widzew Lódz (POL), Steaua Bucaresti (ROM), Auxerre (FRA), Manchester United (ING) e Juventus (ITA)
Final: Borussia Dortmund 3×1 Juventus
Escalação: Klos; Kohler, Sammer e Kree; Reuter, Lambert, Paulo Sousa, Heinrich e Möller (Zorc); Riedle (Herrlich) e Chapuisat (Ricken)
Técnico: Ottmar Hitzfeld

Mais uma vez a Juventus foi vítima de um clube alemão. Os italianos eram favoritos por serem detentores do título e jogarem a decisão em Roma. Mas dois gols seguidos do Dortmund no meio do primeiro tempo mudaram a cara do jogo. Os bianconeri tiveram de tomar a iniciativa e acabaram se abrindo. Del Piero até reduziu a diferença, mas Ricken, que entrara havia menos de um minuto, fez o terceiro gol alemão em um contra-ataque, encobrindo o goleiro Peruzzi.

Riedle levanta a taça da Champions League de 1997 (Crédito: AP Photo/Luca Bruno)
Riedle levanta a taça da Champions League de 1997 (Crédito: AP Photo/Luca Bruno)

BAYERN DE MUNIQUE 1998/99

Adversários: Obilic (IUG), Manchester United (ING), Barcelona (ESP), Brondby (DIN), Kaiserslautern (ALE), Dynamo Kiev (UCR) e Manchester United (ING)
Final: Manchester United 2×1 Bayern de Munique
Escalação: Kahn; Babbel, Linke, Kuffour e Tarnat; Matthäus (Fink), Effenberg e Jeremies; Basler (Salihamidzic), Jancker e Zickler (Scholl)
Técnico: Ottmar Hitzfeld

Uma das finais mais marcantes da história da Champions League. A Uefa marcou a decisão para o Camp Nou esperando que o Barcelona lá chegasse no ano do centenário. Mas os dois times que eliminaram o Barça na fase de grupos foram avançando até a final.  O Bayern vencia por 1 a 0 (gol de Basler) até os 46 minutos do segundo tempo, quando sofreram dois gols-relâmpago. Um desfecho traumático para os alemães e glorioso para os ingleses.

BAYERN DE MUNIQUE 2000/01

Adversários: Paris Saint-Germain (FRA), Rosenborg (NOR), Helsingborg (SUE), Arsenal (ING), Lyon (FRA), Spartak Moscou (RUS), Manchester United (ING), Real Madrid (ESP) e Valencia (ESP)
Final: Bayern de Munique 1×1 Valencia (5×4 nos pênaltis)
Escalação: Kahn; Sagnol, Kuffour, Andersson, Linke e Lizarazu; Hargreaves, Effenberg, Scholl e Salihamidzic; Élber
Técnico: Ottmar Hitzfeld

A decisão contra o Valencia não refletiu quão dominante foi o Bayern naquela temporada. O time de Ottmar Hitzfeld controlou sua campanha e passou pelos favoritos Manchester United e Real Madrid na reta final. O favoritismo contra os Ches era enorme, mas o jogo em si foi muito ruim. Foram marcados três pênaltis no tempo normal: cada time converteu um e o Bayern ainda perdeu outro. Após 120 minutos de pouco futebol, a decisão foi para os pênaltis. Aí, Kahn brilhou e defendeu três cobranças dos espanhóis para dar em Milão o título que havia escapado dos bávaros nos acréscimos dois anos antes em Barcelona.

Torcida do Bayern de Munique em frente ao Duomo de Milão horas antes da final da LC 2001 (Crédito: AP Photo/Diether Endlicher)
Torcida do Bayern de Munique em frente ao Duomo de Milão horas antes da final da LC 2001 (Crédito: AP Photo/Diether Endlicher)

BAYER LEVERKUSEN 2001/02

Adversários: Estrela Vermelha (SER), Barcelona (ESP), Lyon (FRA), Fenerbahçe (TUR), Deportivo de La Coruña (ESP), Arsenal (ING), Juventus (ITA), Liverpool (ING), Manchester United (ING) e Real Madrid (ESP)
Final: Real Madrid 2×1 Bayer  Leverkusen
Escalação: Butt; Sebescen (Kirsten), Zivkovic, Lúcio (Babic) e Placente; Ramelow, Schneider, Ballack, Bradaric (Berbatov); Bastürk e Neuville
Técnico: Klaus Toppmöller

O time-base do Leverkusen não era sensacional, a ponto de despertar suspiros em uma era em que as grandes potências europeias já eram seleções internacionais. Mas veja a campanha do time: dos dez adversários, apenas três não eram das ligas mais vencedoras da Europa (Espanha, Itália e Inglaterra). Mérito de um grupo muito bem organizado por Klaus Toppmöller. Um grupo que deu trabalho ao galático Real Madrid. Raúl abriu o marcador logo aos 8 minutos de jogo, mas Lúcio empatou cinco minutos depois. Pouco antes do intervalo, Zidane fez, de voleio, o que deve ter sido o gol mais bonito de todas as finais de Copa/Liga dos Campeões. E nem a pressão final do Leverkusen merecia tirar daquela jogada a condição de gol do título.

BAYERN DE MUNIQUE 2009/10

Adversários: Maccabi Haifa (ISR), Juventus (ITA), Bordeaux (FRA), Fiorentina (ITA), Manchester United (ING), Lyon (FRA) e Internazionale (ITA)
Final: Internazionale 2×0 Bayern de Munique
Escalação: Butt; Lahm, Van Buyten, Demichelis e Badstuber; Van Bommel e Schweinsteiger; Robben, Thomas Müller e Hamit Altintop (Klose); Olic (Gomez)
Técnico: Louis van Gaal

Não foi uma trajetória brilhante a do Bayern. O time começou sem convencer, perdeu duas vezes do Bordeaux antes de passar de fase. Pegou uma mediana Fiorentina nas oitavas e só deslanchou nas quartas. Os bávaros ganharam por 2 a 1 do favorito Manchester United e pareciam eliminados quando sofreram 3 a 0 no começo do segundo tempo no Old Trafford. Até que dois gols recolocaram o Bayern no campeonato, eliminaram os ingleses e deram o embalo suficiente para o time chegar à final. Mas o embalo da Internazionale de José Mourinho era ainda maior após superar Chelsea e Barcelona. Na final, os italianos dominaram e venceram sem sustos com dois gols de Diego Milito.

BAYERN DE MUNIQUE 2011/12

Adversários: Zürich (SUI), Villarreal (ESP), Manchester City (ING), Napoli (ITA), Basel (SUI), Olympique de Marseille (FRA), Real Madrid (ESP) e Chelsea (ING)
Final: Chelsea 1×1 Bayern de Munique (4×3 nos pênaltis)
Escalação: Neuer; Lahm, Boateng, Tymoshchuk e Contento; Schweinsteiger e Kroos; Robben, Thomas Müller (Van Buyten) e Ribéry (Olic); Gomez
Técnico: Jupp Heynckes

Ao contrário do que ocorrera dois anos antes, a campanha do Bayern não foi vista como surpresa em 2011/12. Pelo modo como o time havia sido estruturado, os bávaros eram tidos como principais candidatos a aparecerem como terceira via em uma Europa que parecia dominada por Barcelona e Real Madrid. Essa imagem se confirmou quando os alemães eliminaram o Real de Mourinho nos pênaltis nas semifinais, conquistando uma vaga na final na Allianz Arena. No entanto, o Chelsea aproveitou um momento de fragilidade do Barça e pintou como zebra na decisão. O Bayern dominou a partida, mas não conseguiu ser tão perigoso diante da bem montada defesa azul. Um gol de Müller a sete minutos do final parecia definir o destino do campeonato, mas Drogba empatou aos 43 minutos. Na prorrogação, Ribéry foi derrubado dentro da área, mas Cech defendeu o pênalti de Robben. O goleiro tcheco seguiu decisivo nos pênaltis, jaá na disputa que decidiu o título após 120 minutos. Pegou as cobranças de Olic e Schweinsteiger e foi fundamental para que a Liga dos Campeões fosse para Londres pela primeira vez.

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