A grande ambição do Tigres é conquistar a Concachampions. A frustração da torcida aumenta a cada ano, com três vice-campeonatos nas últimas quatro temporadas – e isso sem contar também o vice na Libertadores de 2015. Há poucas semanas, a derrota foi ainda mais dolorosa, diante do rival Monterrey. Porém, o “pecho frio” dos felinos além das fronteiras não pode apagar sua dinastia na Liga MX. A equipe de Nuevo León continua empilhando taças no campeonato nacional, longe de afinar nos mata-matas. E, mais uma vez, terminou o domingo festejando. Com o empate por 0 a 0 contra o León, fora de casa, o Tigres conquistou o Clausura 2019. É o sétimo título do clube, quarto desde 2015.

De um time importante no norte do México, mas sem grande projeção nacional, o Tigres começou a se transformar nesta década. A conquista do Apertura em 2011 marcou o fim de um jejum que durava quase três décadas. Tuca Ferretti segue à frente dos felinos desde aquele período e, com o aumento do aporte financeiro nos últimos anos, elevou a equipe de patamar. As contratações estrangeiras são um enorme impulso em Nuevo León, com André-Pierre Gignac simbolizando o ápice desde processo. Com um elenco recheado e jogadores de peso, fica fácil entender o sucesso da agremiação.

Desde 2014, o Tigres chegou a seis finais da Liga MX. Atingiu 60% das decisões possíveis. E apesar de duas derrotas no meio deste caminho, o saldo é inegavelmente positivo. Depois da ausência nas duas últimas finais, maior hiato do período, o time de Tuca Ferretti se recompôs no Clausura 2019, após o revés contra o Monterrey na Concachampions. E se aproveitou do retorno de Gignac, que se lesionou durante os últimos meses. Mais uma vez, o centroavante se provou decisivo.

Dono da segunda melhor campanha no Clausura, o Tigres fez o suficiente para avançar nos mata-matas. Primeiro, superou o Pachuca com dois empates por 1 a 1, avançando graças à colocação superior na fase de classificação. Depois, deu o seu troco contra o Monterrey. Após a derrota por 1 a 0 na casa dos Rayados, os felinos impuseram o 1 a 0 no Estádio Universitário, outra vez se valendo da vantagem forjada na etapa anterior do campeonato para seguir em frente. Por fim, contra o León, não existiria mais tal benefício. Primeiro colocado na fase de classificação, exibindo um futebol vistoso e ofensivo, o clube de Guanajuato poderia ser considerado favorito contra os comandados de Tuca Ferretti.

Foi aí que a estrela de Gignac brilhou. Durante o jogo de ida, o francês assegurou a vitória por 1 a 0 no Estádio Universitario. Demonstrou o seu oportunismo e anotou o tento do título. Na visita ao Nou Camp, o Tigres segurou o empate por 0 a 0. Apesar da pressão do León, com mais posse de bola e mais finalizações, os visitantes mantiveram sua meta invicta. Contaram com a participação providencial do goleiro Nahuel Guzmán. Além disso, os esmeraldas foram atrapalhados pelos desfalques. Grande revelação do torneio, o atacante José Juan Macías foi convocado à seleção sub-20. Além disso, o equatoriano Ángel Mena precisou ser substituído ainda no primeiro tempo, lesionado, após fazer chover na caminhada até a decisão. As ausências certamente facilitaram o serviço dos oponentes, que ergueram a taça. Ainda que o tropeço na Concachampions martele a mente, o Tigres se referenda como o grande time do Campeonato Mexicano nesta década.

Uma das vantagens do Tigres é a base sólida que compõe a equipe ao longo dos últimos anos. Tuca Ferretti segue intocável no comando, mas também possui um grupo que joga junto há tempos. Nomes como Nahuel Guzmán, Hugo Ayala, Francisco Meza, Jorge Torres, Jesus Dueñas e Javier Aquino são figurinhas carimbadas do ciclo. Há outros acréscimos valorosos com certo tempo de clube, como Guido Pizarro, Rafael Carioca, Lucas Zelarayán, Luis Quiñones e Eduardo Vargas. Gignac, ainda assim, sempre vai ser o mais representativo. Era um negócio inesperado, que deu realmente certo e continua rendendo. O centroavante marcou mais gols que qualquer outro jogador no país durante os últimos quatro anos. Ainda que as lesões tenham atravancado suas presenças, somou nove tentos no Clausura. Incluindo o decisivo.

A imponência do Tigres na Liga MX será sempre colocada em xeque enquanto o jejum na Concachampions não se romper. Da mesma forma, Tuca Ferretti costuma ser questionado pelo exacerbado pragmatismo, diante do fortíssimo elenco que possui – e quando sua estratégia não dá certo, vide as decisões ruins na final continental, as críticas são duras. Apesar dos poréns, os felinos continuam vencendo. E por mais que alguns jogadores já possuam idades relativamente avançadas, é difícil prever quando este ciclo terá fim. A dominância é imensa e tem motivos para se confirmar mais algumas vezes nos próximos anos.