O Manchester United se encaminha para uma temporada de transformação sob as ordens de José Mourinho. Os Red Devils contrataram pouco, mas bem, e o treinador já sinalizou que o mercado se encerrou para o clube. Ao menos na porta de entrada. O maior entrave em Old Trafford permanece sobre Bastian Schweinsteiger. Escanteado no elenco, o alemão ainda não foi relacionado em 2016/17. No máximo, se juntou ao time sub-23, em uma clara indicação de que está fora dos planos de Mourinho. Embora, ao menos por suas declarações, o meio-campista indique que espera uma oportunidade.

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Através de suas redes sociais, Schweinsteiger tentou esclarecer sua situação em Manchester: “O MUFC será o meu último clube na Europa. Eu respeito outros clubes, mas o Manchester United era o único que poderia me fazer sair do Bayern de Munique. Eu estarei pronto, se o time precisar de mim. Isso é tudo o que posso dizer sobre a situação atual. Eu quero agradecer aos fãs pelo apoio incrível sobre as semanas recentes”. E, ao que parece, a porta da rua é a serventia do Teatro dos Sonhos para o veterano.

Ninguém questiona a grandeza da carreira de Schweinsteiger. Poucos jogadores nos últimos 10 anos foram tão vitoriosos quanto o alemão, conquistando quase todos os títulos possíveis com o Bayern e com a Alemanha. Dono de força física e qualidade técnica, adaptou-se de meia a volante, enquanto se reerguia das maiores derrotas com os triunfos na Champions de 2013 e na Copa do Mundo de 2014. No entanto, mesmo neste período, Schweinsteiger começava a apontar o seu declínio. Sofrendo com as lesões, até no Mundial não apresentou tanta consistência, apesar da atuação soberba na decisão contra a Argentina.

Schweinsteiger não apresentava a velha consistência para atuar na intensidade exigida por Pep Guardiola na Baviera. Saiu para o Manchester United como um negócio de ocasião, que parecia vantajoso para todas as partes. O Bayern preservava a imagem do ídolo, o United não gastava tanto assim para trazer um craque em meio às turbulências com Louis van Gaal e o meio-campista ganhava sua chance de redenção. Mas o talento não se sobressaiu, diante da potência que se perdeu. Em sua primeira temporada em Old Trafford, o alemão apareceu pouco e, ainda assim, apareceu mal. Veio a Eurocopa, e como referência do time o capitão até viveu bons momentos, apesar de oscilar.

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José Mourinho tem consciência que, hoje, Schweinsteiger é supérfluo para o Manchester United. Para as diferentes posições que o alemão pode desempenhar no meio-campo, há diversos nomes para supri-lo (Pogba, Ander Herrera e Schneiderlin, ficando apenas em alguns), vivendo um momento melhor e oferecendo mais intensidade física – algo fundamental tanto para o ritmo da Premier League quanto para a verticalidade geralmente exigida nos times do treinador.

Pode-se discutir até a maneira como o português vem gerindo o entrave com Schweinsteiger, ignorado como não deveria, diante de sua imagem. Independente disso, a saída do veterano traria benefícios aos Red Devils, e não à toa a diretoria estuda liberá-lo sem custos. A folha salarial seria enxugada consideravelmente. Por mais que a transferência tenha sido relativamente barata, o ganho semanal do astro é polpudo. Será uma economia de £140 mil por semana, £15 milhões até o fim do contrato em junho de 2018. Além disso, haveria uma “laranja” a menos com potencial de apodrecer o ambiente. Mesmo que, pessoalmente, a postura de Schweinsteiger não tenha gerado problemas, algumas pessoas ligadas ao alemão estão.

De certa forma, a situação de Schweinsteiger lembra a de Kaká: um craque de capacidade e história inquestionáveis, mas cujos problemas físicos levaram à decadência antes do que o esperado. Óbvio, o meio-campista deseja provar o contrário, e é até possível que consiga. Mas em outras condições, e provavelmente longe de Mourinho, relembrando a maneira como se deu a queda de braço com o brasileiro no Real Madrid. Tentar um clube médio da Europa, quem sabe voltando a atuar mais à frente, como no início de carreira, seria um bom caminho para o alemão. Sua declaração desta quarta, todavia, o direciona mesmo para mercados alternativos em outros continentes. Que seja feliz e venerado nos Estados Unidos, na China ou em outra liga endinheirada. Que não se manche muito mais a imagem de um jogador histórico, como Schweinsteiger já se consolidou.

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