Os grandes jogadores são movidos por desafios. Sejam eles de levar seu time a uma conquista inédita, vencer tudo o que é possível, se imortalizar na história de um grande clube ou manter a supremacia de sua equipe uma vez que o topo já foi alcançado. No Bayern de Munique, Schweinsteiger conseguiu tudo isso, e agora o craque quer mais para sua carreira. O meia pediu aos bávaros que o liberassem para acertar com o Manchester United. Diante da contribuição enorme de Schweini com o sucesso recente do time, era difícil lhe negar o pedido. Aos 30 anos, quase 31, o campeão do mundo espera escrever na Inglaterra um capítulo completamente novo em sua trajetória no futebol – e ainda tem capacidade para isso.

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Pelos bávaros, Schweinsteiger fez o caminho clássico que, para outras lendas, é o primeiro requisito para entrelaçar sua carreira com o próprio clube e criar uma identificação ímpar. Começou no Bayern ainda nas categorias de base e foi, pouco a pouco, conquistando seu espaço no time titular, estabelecendo-se como primordial na equipe e, por fim, sedimentando toda a caminhada com títulos e papel de um dos protagonistas nessas conquistas. Nessa trajetória, teve ainda o adicional da frustração da perda de um título importante (Champions de 2012) sendo superada pela redenção da conquista um ano depois. Uma narrativa digna dos grandes. Foram 17 anos no clube, que poderiam ser perfeitamente estendidos até o final de sua carreira.

Seria fácil e cômodo permanecer no Bayern, onde venceu tudo, é amado e jamais seria duramente criticado pela eventual queda de produtividade que os anos derradeiros como atleta trazem para os jogadores. Escolher esse caminho não seria condenável. É um conforto natural, e, diante de tudo o que Schweini conquistou, ninguém lhe diria que faltou alguma coisa na carreira. E é justamente essa constatação que torna ainda mais admirável sua busca por coisas novas e incertas.

Na entrevista coletiva de apresentação de Douglas Costa, neste sábado, Rummenigge, diretor-executivo do Bayern, revelou que o jogador “queria fazer algo novo no fim de sua carreira e pediu que fizessem sua vontade”. A confirmação verbal do que sua transferência para o United sinaliza. O destino escolhido para este possível último desafio na carreira é certeiro. Schweinsteiger continua em um grande centro, bastante exposto, atuando por um gigante do futebol mundial, mas que vive momento ainda de transição e que anseia por um líder como o alemão para ser conduzido de novo a um cenário competitivo e de títulos. Condições ótimas para que, futuramente, possa ser lembrado também por outro grande trabalho.

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A posição em que Schweini atua, pelo centro do campo, é uma das mais carentes do Manchester United. Carrick sabe organizar o jogo e pensá-lo lá de trás, mas não o faz com a mesma qualidade que o alemão e, aos 33 anos, encaminha-se para o fim de sua carreira. A Ander Herrera, sobra qualidade, mas sua característica mais ofensiva, de penetração na área adversária, torna um desperdício seu recuo para onde Schweinsteiger pode atuar. Fellaini mostrou-se mais útil lá na frente, como um centroavante, em um time que deixou a desejar na ligação entre os setores e apostou muito na bola levantada na área para chegar aos seus resultados. Isso, em si, mais uma razão para entender o impacto que o campeão do mundo pode ter no clube de Old Trafford.

Cerebral, dono de uma capacidade incrível para organizar o jogo e de uma inteligência tática rara, eficiente tanto com a bola como sem ela, Schweinsteiger chega para ser o responsável por pensar as partidas em um meio de campo que conta com talentos que podem desequilibrar – como Di María, Herrera, Mata e, agora, Depay -, mas que pareceram sem objetivo diante da falta de organização da temporada passada. Com o respaldo de Van Gaal, um líder que respeita e de quem tem a admiração, Schweini parece ter o caminho todo pavimentado para também marcar época no Manchester United. Sem a mesma dimensão que no Bayern, é claro. A relação que teve com o clube bávaro é muito singular para ser repetida.