De uns tempos para cá, virou comum ouvir pessoas falarem sobre o declínio do Campeonato Italiano usando a falta de competitividade como argumento. Muita gente utiliza essa mesma premissa para discorrer sobre o Espanhol, alegando que a hegemonia dos dois gigantes da Espanha torna fraca a liga. A principal competição alemã então, nem se fala. No entanto, é quase unânime que, atualmente, a Premier League é o campeonato mais acirrado e menos previsível dentre os europeus. Paul Scholes é uma das pessoas que fogem da unanimidade quando o assunto é esse.

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“Eu não considero a elite do futebol interessante de assistir mais. Especialmente na Inglaterra”, revela o ídolo do Manchester United no livro ‘Class of 92: Out of our League’, o qual divide autoria com os ex-companheiros Nicky Butt, Phil Neville, Gary Neville e Ryan Giggs. “Você escuta as pessoas falando que o futebol inglês é o melhor. Eu acho que a Espanha quem tem a melhor liga. Alemanha tem melhores times. Falam sobre a Itália ter um campeonato ruim. Falam que é chato. Sem chances. O time da Juventus derrotaria qualquer time da Premier League. Os italianos bateram o Manchester City aqui facilmente. Mas nós temos essa visão de que o futebol italiano é um lixo. Que eles só fazem se defender. Nada a ver”, escreve ainda.

“A Premier League precisa dar um grande passo em qualidade. Com exceção a Sergio Agüero, Kevin de Bruyne e David Silva, não temos os melhores jogadores”, analisa também Scholes, além de falar que prefere assistir aos jogos do Salford, clube que disputa uma liga não-profissional da Inglaterra e sobre o qual o ex-volante detém 10% das ações, aos do Campeonato Inglês. “Não sei se tem a ver com o fato de não gostar da confusão de ir ao jogo, de ficar no meio da bagunça, da espera no trânsito. Quando vou a Salford, estaciono atrás do gol e saio do carro na maior tranquilidade”, comenta.

Na opinião de Scholes, o grande problema da Inglaterra se concentra na supervalorização do dinheiro e patrocínios antes de se pensar no futebol em si. Na qualidade do esporte e no fator entretenimento. “Não acho que isso seja uma questão só dos times grande. Isso passa por toda a liga. Sei que há pressão sobre os técnicos, mas os estilos de jogo se tornaram muito negativos, porque os treinadores têm medo de perderem seus empregos. Afinal, se você perde três ou quatro partidas seguidas, você já sabe que será demitido, o que os faz pensar: ‘Certo. Nós precisamos de resultados ou precisamos encontrar uma maneira de jogar que entretenha as pessoas?’. Isso acaba com o futebol inglês”, critica.

Em meio às reflexões, o astro afirma que acha que nunca se tornará técnico. “Tenho apenas a licença B da Uefa para ser treinador. Mas se eu fosse, seria mandado embora depois de perder cinco jogos, não seria?”, indaga Scholes. “Hoje em dia, o dinheiro é mesmo a coisa mais importante no futebol. Os proprietários dos clubes, em sua maioria, não pensam em outra coisa senão fazer dinheiro. Eles não ligam para o que vêem em campo em um sábado à tarde. Eles são puramente homens de negócios, enquanto no Barcelona, por exemplo, você tem em uma balança negócios e futebol”.

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